A PRESENÇA DA FAMÍLIA
- Etimologicamente
a palavra família vem do latim e significa o conjunto de propriedades de alguém
incluindo escravos e parentes. Família vem de famulus que significa escravo
doméstico.
- Pelo
dicionário já atualizado para nosso tempo, família são o conjunto de pessoas relacionadas
por criação ou geneticamente a alguém, linhagem e grau, pai, mãe, filhos, avós,
etc..
Quis Deus, sempre objetivando
o nosso bem, e nossa busca pela perfeição, que fôssemos criados como seres
sociais, dependentes desde o nascimento uns dos outros, pois se deixarmos um
recém nascido abandonado a sua própria sorte com certeza ele não sobreviveria.
E nesse contexto, para se viver em sociedade surge a família, que como vem
sendo dito e repetido: “família é a célula mater da sociedade”. E porque se diz
esse chavão? Simplesmente porque na família, é que iremos formar caráter,
despertar amor, princípios morais, limites.
O próprio Cristo fez de sua
família, sua escola, uma vez que foi levado por Maria aos 12 anos, para os
doutos judeus, para ser instruído na religião judaica, conforme os costumes da
época. Segundo o espírito de Humberto de Campos, no livro “Boa Nova”,
psicografado pelo médium Chico Xavier, Jesus disse já ter sido aconselhado por
Deus a continuar no seio de sua família e ali teria seus estudos. Assim o fez e
ficou até a idade de 30 anos aprendendo o ofício de carpinteiro, ajudando seu
pai José na lida. Com esta atitude deixa-nos mais um ensinamento acerca da
importância da presença da família na vida de todos nós.
Mas o que temos visto
atualmente, com o advento de um mundo tecnológico, com as facilidades mais
corriqueiras da vida, com o apelo publicitário de quem vale mais é aquele que
mais tem, fazem que o materialismo surja forte entre os jovens. Aqui um
parêntese, ser jovem no mundo de hoje está cada vez mais difícil, pois não se
pergunta o que ele quer ser, pergunta-se o quanto ele irá ganhar. Se ele vai
ganhar o bastante para consumir bastante. Com isso abdicam-se os sonhos e as
vocações. E então passamos a cultuar o individualismo.
As famílias que antes
formavam um grupo debaixo de um mesmo teto se apoiando, almoçando jantando,
participando dos nascimentos, mortes, criando os filhos dos tios, cuidando dos
avôs, não se vêem mais porque os valores estão se perdendo. Falta hierarquia no seio familiar com a correta distinção de que é ser
pai, mãe, avô, tio. Concluímos que existe uma inversão de
valores e no intuito de conquistar o afeto dos filhos, levado pelo consumismo
exagerado, procura realizar todos os pedidos dos filhos, proclamando-se como o
melhor amigo. Aí está o erro, é lógico que os pais são amigos dos filhos, mas
essa supervalorização do filho faz com que se perca algo fundamental na relação
pais e filhos, O RESPEITO. Em épocas passadas, nossos pais nos batiam quando o
respeito era quebrado, só nos davam presentes, roupas, brinquedos em datas específicas
e nem por isso ficamos traumatizados ou deixamos de amá-los. Existia o respeito
hierárquico, e gostávamos disso. Hoje em dia os pais fazem a figura central da
família os filhos, não se batem porque a lei humana proíbe, não se grita porque
pode traumatizar e assim vamos criando
déspotas egoístas. Seguidamente vemos pais perguntando melosamente “você
me ama?”. É lógico que sim, mas a pergunta deveria ser: “você me respeita?”, “Você
me obedece?”. Dessa maneira morre o respeito e vemos cada um cuidando do seu
mundinho, vivendo o mundo falso e fantasioso das redes sociais e aqui a culpa é
dos pais ao permitir que o tempo que deveria ser de convívio seja usado para
teclar no telefone celular, no notebook ou no PC, simplesmente para se ver
livre de ter que se ocupar dos problemas, pois é mais fácil deixá-los
mergulhados na internet.
Assim caem homens, mulheres,
jovens e crianças nas armadilhas que eles próprios criaram nesse individualismo
e materialismo.
Com isso, vemos crescer
assustadoramente os divórcios e os suicídios, pois as famílias se fragmentando
e as pessoas descrentes na vida, mesmo alguns possuindo os bens que julgavam
trazer a felicidade praticam contra si mesmos esse odioso ato.
E a pergunta que se faz:
será que sendo um individualista, estará feliz nessa condição? Não diríamos que
são felizes, mas sim que estão contentes como pessoas individualistas, porque
ao refletirmos sobre família, chegamos a conclusão como nos diz o nobre espírita
Haroldo Dutra, que família é um incomodo. Explicando cito alguns exemplos:
-
Você esta sentado na sala curtindo uma penumbra, no silêncio, chega um filho,
acende a luz, coloca um funk bem alto, pronto já veio o incomodo.
- Ou,
você está prestes a comer aquela torta de morango, que você comprou na doce
ilusão de devorar. Então percebe que vai ter que dividir com a família e torcer
para que sobre o último pedaço. Se for a mãe então, nem o ultimo pedaço sobra,
ou seja, incomodo.
-
Ou, você chega esbaforido, corre para o banheiro, e ao sentar não tem papel. O
último a usar o vaso sanitário não repôs e você fica gritando, papelll!
Incomodo.
E isso é que é bom.
Incomodar e ser incomodado. Pois estaremos fazendo um exercício para uma boa
convivência.
Claro que reforçando a
idéia, incomodo para os individualistas. Só que, somente vivenciando esta
experiência de família é que iremos crescer e amadurecer, pois o individualista
é uma eterna criança egoísta onde o mundo gira ao redor do seu umbigo, onde crê
que tudo é dele, tudo é ele e que quando descortina a verdade, e não obtém
aquilo que almejou, vem a depressão que por vezes culmina no suicido.
Se
formos definir família, sob a ótica do espiritismo, vamos ver que família é um
contrato feito por um grupo para se ajudarem mutuamente. Neste grupo os
participantes vão trabalhar com os desajustes das vidas passadas, tentando
terminar com as pendências pretéritas, usando para isto a aceitação, a
resignação, o perdão, a caridade e o amor.
Família é isso, é
cooperação, onde um socorre o outro, quando se fizer necessário. A cooperação
desenvolve um sentimento de gratidão que evolui para amor.
Muitas vezes ficamos em
dúvida se estamos inseridos no lugar certo. Se a família a que pertencemos é
aquela que condiz com nossos anseios, pois às vezes estamos descontentes e
brigando continuamente com os pais, ou com os irmãos, ou com os outros membros
da família. Podemos ficar certos de que Deus nunca erra. Estamos exatamente
onde devemos estar uma vez que não existe acaso. Porém somos dotados de livre
arbítrio e nossas escolhas é que vão direcionar os acontecimentos em nossas
vidas. Suponhamos que nos afastemos totalmente da família em que viemos,
certamente se houverem débitos de outras encarnações passadas tornaremos a nos
encontrar até que o amor vença as diferenças.
Estamos passando por uma
época “sui generis”. É sabido que o nosso planeta está passando pela fase de
transição de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração, onde
não existirá mais a prática do mal pelo mal. E nesse processo acontece uma
revolução com uma derrubada de preconceitos e mudança de comportamentos:
- Os negros tanto tempo sufocados pelo racismo
seja ele velado ou descoberto, agora gritam por igualdade;
- As
mulheres há tanto tempo espezinhadas pelo machismo gritam por liberdade e
igualdade;
-
Os pobres, os sem teto, os sem terra gritam por igualdade e fraternidade.
Aqueles que dizem que este
mundo está perdido se enganam, pois nunca se viu tanta fraternidade, tanta
derrubada de preconceitos, entre os povos, povos porque o globo agora é uma
aldeia e ficamos cientes de tudo que acontece às vezes quase no mesmo instante
do fato.
Surgem variados gêneros de
sexo, que antes estavam calados e ocultos, no dito popular ”guardados nos
armários”, que agora gritam por direitos iguais à todos. Com isto, a sociedade
se vê obrigada a mudar conceitos e valores, pois surgem novos modelos de
famílias, onde encontraremos casamentos multirraciais e casamentos gays. E isso é certo?
Não fazemos apologia a
gêneros ou política, ou religião, uma vez que numa casa espírita nossa única
apologia é sermos cristãos, mas o fato é que estão aí diferentes dos conceitos
que tínhamos, interagindo na sociedade, formando famílias.
É um assunto delicado, pois
julgamos que não é o normal.
E o que é o normal? Serão
as normas, as regras e os conceitos do passado? Estarão eles errados? Será
pecado uma família com pais ou mães gays? Com pais ou mães de raças diferentes,
ou credos ou divergentes em opiniões?
Quando falamos em família,
seja ela do jeito que for o mais importante de tudo é o presente que Jesus nos
deu, com seus ensinamentos e exemplos, que é a prática do amor. Amor a Deus, a
si próprio e ao próximo. Aos olhos do
Cristo, somos todos irmãos. Aos olhos de Deus somos todos seus filhos, isto nos
faz entender que somos partes de uma grande família universal.
Discute-se muito sobre
um casal gay adotar uma criança, formar uma família, mas será que não é bem
pior deixar uma criança abandonada nas mãos das casas de adoção ou em casas de
menores aguardando, numa esperança mórbida o aparecimento de uma família,
dentro dos parâmetros preconceituosos do século passado?
O importante, o
fundamental em todo assunto inerente a família é a prática do amor, da doação,
porque se existe o amor unindo os membros de uma família, esse amor é
disseminado em outras famílias. Aqueles que aprenderam a amar sua família,
quando forem constituir sua nova família levam essa semente de amor para seus
lares e assim sucessivamente. Logo todos estarão se amando, livres do egoísmo,
do orgulho e praticando caridade com amor fazendo assim o planeta regeneração.
Para finalizar, a
resposta para tudo é o amor. É se
colocar no lugar do próximo antes de qualquer ação, palavra ou pensamento, afim
de não provocarmos tormentas em nossos relacionamentos familiares.
Então quando nos
recolhermos no recôndito de nosso quarto, hoje e todas as noites, agradeçamos a
oportunidade que o Pai nos dá ao nos conceder uma família, para que possamos
amar e ser amados e juntos caminharmos em sua direção, para a felicidade
eterna.
