quarta-feira, 24 de março de 2021

AMAI VOSSOS INIMIGOS

 

AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

 

O tema de hoje, dando continuidade ao estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, diz respeito ao Cap.XII, que faz parte do Sermão da Montanha e é Atens 09, 10, 11 e 12 e tratam da vingança, do ódio e do duelo,

O dicionário da língua portuguesa nos diz que a palavra inimigo é quem odeia alguém e cita como sinônimos as palavras oponente, adversário, competidor, rival, etc.

E o que leva-nos a termos, a fazermos inimigos?

O orgulho, justificado pela falsa honra ferida, que vai fazer com que, surja a vingança também injustificada e carregada de ódio e rancor, impedindo qualquer pensamento de boa ação ao adversário e de qualquer ação de perdão, porque o ódio aprisiona aquele que odeia e somente o amor liberta.

Aquele que inimiza, sofre mais do que é inimizado. Porque aquele que inimiza, fica cada vez mais preso aos sentimentos negativos, cercando-se de um baixo padrão vibracional, que só atrai a baixa espiritualidade, doenças físicas e psicomaticas. Esse ódio, essa inimizade ele carrega por muitas reencarnações. Obsedando aquele que ele julga inimigo, além de contrair mais débito, continuará sofrendo muito nessa angústia de ódio e rancor, que só irá terminar quando essa relação tornar-se fraterna, nem que para isso se leve muitas encarnações.

O inimizado por sua vez, se não tomar cuidado acaba envolvido na corrente de ódio, passando a encarar o outro também como inimigo e assim com ambas as partes se detestando, procurando prejudicarem-se um ao outro em pensamentos e ações, originando uma força de repulsa, que só tende a aumentar mais e mais.

Aqueles que nutrem ódio aos seus desafetos, permitem que o orgulho de mãos dadas com o egoísmo, façam com que surja a idéia da vingança e a vingança exige que se pague o mal com o mal.

Há algum tempo atrás o ser humano julgando-se juiz e executor usava o duelo como moeda para lavar a honra que julgava maculada. Esse costume bárbaro, que era visto como um ato corajoso de vingança foi aos poucos desaparecendo, pois os duelistas que ganhavam a contenda, também eram vistos como assassinos e assim sofriam as penas das leis.

Então a vingança ganhou meios mais sofisticados e covardes e na maioria dos casos não atenta somente contra a vida do inimigo, mas também contra a honra, contra a família, contra tudo que puder causar dor e sofrimento ao inimigo.

Se formos analisar a fundo, aquele que busca vingança estando mergulhado em ódio, rancor e despeito são na maioria dos casos um covarde, que orquestra sua vingança nas sombras, incógnito, dando a tapa e escondendo a mão, isso quando se passa por amigo para destilar de perto seu veneno.

As pessoas que tem um ou mais inimigos se deixam envolver nessa relação de inimizade, cultuando o ódio que os torna amargos, intolerantes, insuportáveis. Odiar é fazer o contrário de tudo que nos ensinou o mestre e o que todas as religiões pregam independentes de serem judaicas, católicas, muçulmanas, afros, indianas, é o amor que é antagônico ao ódio. Quando odiamos calamos até nossa consciência, que se consultada nos diria que estamos errados.

Jesus no seu evangelho nos aconselha a todo o momento, a amarmos o próximo como a nós mesmos e fazermos ao próximo tudo aquilo que quereríamos que ele nos fizesse. Com essa prática de amor não teremos inimigos, não cultuaremos sentimentos negativos, não desejaremos vingança.

E quando um golpe nos for desferido, pelo ódio, responderemos com um sorriso e ao ultraje com o perdão.

Deixemos que até nos julguem covardes, mas estaremos cientes que nossas mãos não serão cúmplices de um assassinato ou de uma sórdida vingança, autorizada por falsos ares de honra, que não passa de orgulho ou amor próprio.

Jesus nos diz que antes de nos conectarmos a Deus em oração, antes mesmo de ir aos templos, igrejas, sinagogas, casas espíritas, terreiros, que devemos nos conciliar com os inimigos, perdoando-os de coração.

Assim procedendo estaremos exercendo o verbo amar. Com isto não se quer dizer que devemos levar o inimigo ao recesso do nosso lar, junto daqueles a quem nutrimos afeição fraterna. Mas quando pudermos devemos ter paciência, resiliência e oferecer o perdão, mesmo que apenas mentalmente, porque o desejo de perdoar tem que vir do coração, não devemos propagar seus defeitos e se tivermos oportunidade tornarmo-nos seu amigo.

A nossa vida como encarnados é um milésimo de tempo, na eternidade. Estamos aqui para expiar, para realizarmos provas, para aprender e nada é por acaso, então os ditos “inimigos” são na realidade oportunidades para evoluirmos, para seguir os passos do Mestre, praticando amor, perdão e caridade.

Mais tarde, quando desencarnados, veremos quão infantis foram nossas contendas, todas orquestradas pelo orgulho e pelo egoísmo.

Está na hora de mudarmos nosso comportamento, de nos regenerarmos.

Sabemos que o planeta esta passando pelo processo de regeneração. Pessoas estão desencarnando aos milhares através dessa pandemia que se abateu no orbe.

Para encerrarmos nosso estudo nos perguntamos:

Essa pandemia é um castigo de Deus?

Claro que não. O Pai não quer nosso mal. Fomos criados para sermos felizes, para acendermos na evolução como espíritos puros, para trabalharmos como co-criadores de sua obra, então como um pai zeloso e amoroso é permitido que se aplique um puxão de orelhas. Mas mesmo esse puxão de orelhas deve ser visto como uma oportunidade a qual temos que ser solidários, misericordiosos, caridosos. Fazermos o bem, inclusive aos inimigos e só assim fazendo o bem, perdoando a todos, estaremos fazendo o AMAI VOSSOS INIMIGOS e conseqüentemente caminhando em direção ao Pai.

Muito obrigado.