quinta-feira, 21 de março de 2019

O IMPERATIVO DA AÇÃO


O IMPERATIVO DA AÇÃO



Tema retirado do livro “JESUS NO LAR” de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito de Neio Lucio, capítulo 45 e nos fala sobre o imperativo da ação e para tal passamos a leitura do referido capítulo:



O imperativo da ação


Explanavam os aprendizes, acaloradamente, sobre as necessidades de preparação para o Reino Divino. Filipe, circunspecto, salientava o impositivo da meditação. Tiago, o mais velho, opinava pelo retiro espiritual; os discípulos do movimento renovador, a seu ver, deviam isolar-se em zona inacessível ao pecado. João optava pela adoração constante, chegando ao extremo de sugerir o abandono das atividades profissionais, por parte de cada um, a fim de poderem entoar hosanas contínuos ao Pai Amantíssimo. Bartolomeu destacava a necessidade do jejum incessante, com abstenção de todo contacto com as pessoas impuras.
Chamado à manifestação direta pela palavra indagadora de Simão, Jesus perguntou, nominalmente:
— Pedro, qual é a água que desprende miasmas pestilenciais?
— Sem dúvida — respondeu o apóstolo, intrigado —, é a água estagnada, sem proveito.
Sorridente, dirigiu-se ao filho de Alfeu, indagando:
— Tiago, qual é o peixe que flutua inerte na onda?
— É o peixe morto, Senhor — redarguiu o discípulo, desapontado.
— Bartolomeu, qual é a terra que se enche de matagais daninhos à plantação útil?
O interpelado pensou, pensou e esclareceu:
— Indiscutivelmente, é a terra boa desprezada, porque o solo empedrado e áspero é quase sempre estéril.
O Mestre, evidenciando sincera satisfação, concentrou a atenção em Tadeu e inquiriu:
— Tadeu, qual é a túnica que se converte em ninho da traça destruidora?
— É a túnica não usada.
Endereçando expressivo gesto a Judas, interrogou:
— Que acontece ao talento sepultado?
— Perde-se por inútil, Senhor.
Logo após, assinalou com o olhar um dos filhos de Zebedeu e falou, mais incisivo:
— Tiago, onde se acoitam as serpentes e os lobos?
— Nos lugares em ruína ou votados ao abandono.
— André — disse o Cristo, fixando o irmão de Pedro —, qual é, em verdade, a função do fermento?
— Mestre, a missão do fermento é dar vida ao pão.
Em seguida, pousando nos companheiros o olhar penetrante e doce, acrescentou, bem humorado:
— O tempo está repleto de adoradores e a miséria rodeia Jerusalém. Se a luz não serve para expulsar as trevas, se o pão deve fugir ao faminto e se o remédio precisa distanciar-se do enfermo, onde encontraremos proveito no trabalho a que nos propomos? O Reino Divino guarda o imperativo da ação por ordem fundamental. Sigamos para diante e propaguemos a verdade salvadora, através dos pensamentos, das palavras, das obras e de nossas próprias vidas. O Todo Sábio criou a semente para produzir com o infinito. Desce do alto a claridade do Sol cada dia para extinguir as sombras da Terra. Não é outro o ministério da Boa Nova. Amar, servindo, é venerar o Pai, acima de todas as coisas; e servir, amando, é amparar o próximo como a nós mesmos. Pautar-se por estas normas, em nosso movimento de redenção, é praticar toda a Lei.


Nesta história, Jesus nos fala do imperativo da ação para o advento do Reino Divino, que se fazia urgente, na prática e propagação da verdade salvadora, através de pensamentos, palavras, atos, das obras e de nossas vidas.
Jesus, nosso amado mestre, sendo um espírito puro, possui todo conhecimento, que faz com que sua palavra, ensinamentos e exemplos sejam para todos os tempos, para qualquer época, ou seja, uma doutrina totalmente atemporal, podendo ser aplicada por qualquer credo, gênero e diversidades na nossa época atual.
Estamos, a todo o momento, e muito mais agora, vivenciando grandes catástrofes, a nível global, com tsunamis, furacões, ciclones, incêndios, enchentes, mexendo o globo e ocasionando imensa quantidade de desencarnes, parecendo que a natureza e o planeta estão contra nós. Sem contar com desatinos de atos, que estão tomando conta da mídia tais como, feminicídio, genocídio em escolas, e sabedores que somos, através do espiritismo, do momento que estamos passando, estamos conscientes do mais que há de vir.
 
Cabe o estudo da Gênese, livro que compõe as obras básicas de Kardec, capítulo XVIII, em seu item 9 : Sim, decerto, a Humanidade
se transforma, como já se transformou noutras épocas, e cada
transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são para os o indivíduos, a crise do
crescimento. Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas,
dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições, mas,
são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral. …

Vera Meira Bestene, em artigo no Portal do Espírito, com o Título NACIMENTO DE UM NOVO MUNDO, explica-nos, como segue, de forma sucinta o presente momento: 

Estamos neste período de crescimento.
Um período que não iniciou hoje, agora. Estamos já há praticamente ou mais de um século neste tempo de transformação.
Neste período de crescimento, que estamos passando, o espiritismo
florescerá e seus frutos serão visíveis. A transformação das sociedades
poderão até ser penosas, dolorosas, que refletirão, também, no mundo dos
espíritos pois, reencarnáveis que são, estão diretamente ligados com as
comoções que passamos, entretanto serão passageiras como nos esclarece a Gênese.
O Universo, como um todo, nos projeta que as perturbações que sentimos
e que percebemos, são apenas projeções parciais, isoladas, que se nos
afiguram grandiosas, entretanto, se olhadas no conjunto, podemos perceber que tais comoções são apenas aparentes e que se harmonizam como o todo.
O progresso da humanidade é inconteste. Os resultados que o homem vem chegando sob o ponto de vista das ciências e artes, são evidentes. Resta-nos realizar ainda um imenso progresso que é o de realizar,
promover a harmonia entre si, a fraternidade e o amor ao próximo, a
caridade efetiva, a solidariedade desinteressada, estando assim se
revestindo das características necessárias ao progresso e bem estar moral.
O espiritismo não cria a renovação social. O amadurecimento da
humanidade é que fará esta renovação. Ë o Espiritismo, entretanto, o mais
apto a secundar o movimento de regeneração porque tem um grande poder moralizador,  e com suas tendências progressistas surgiu na hora em que
teria utilidade e também no tempo certo da compreensão dele.
Para que na Terra sejam felizes os homens, necessário se faz que a povoem
espíritos bons, sejam eles encarnados ou desencarnados. Havendo chegado
o tempo, grande emigração se verifica e os que continuem praticando o
mal pelo mal, verificada a transformação da terra, serão excluídos, para
que não ocasionem mais outras e novas comoções. Irão expiar o
endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em
raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, às
quais levariam os conhecimentos adquiridos com o objetivo de fazê-las avançar.
Tudo se processará exteriormente com a capital diferença de que um
aparte dos Espíritos que estavam encarnados na Terra, não mais
reencarnarão neste planeta. Cada criança que nascer, em vez de um
espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela reencarnaria, virá um espírito mais adiantado e propenso ao bem.
A regeneração da humanidade, portanto, não exige absolutamente a
renovação integral dos Espíritos, basta a modificação de suas disposições morais.
Opera-se, neste instante, um desses movimentos destinados a fazer a
remodelação da humanidade. A multiplicidade das causas de destruição
é um sinal característico de que os tempos são chegados. São as folhas
novas da primavera que ressurgem e fazem desabrochar um NOVO MUNDO.
Prezados irmãos, de posse desses conhecimentos embasados pelos acontecimentos e também já descritos pela doutrina espírita, cabe aqui usarmos os ensinamentos de Mestre na história que nos convida ao imperativo da ação. E que ação é esta? Simplesmente modificarmos nossos pensamentos, atitudes e atos. Se quisermos pleitear um reencarne na Terra, já como planeta de regeneração, com a ausência do mal e a presença do bem, do amor, da caridade, da piedade, necessário se faz uma ação imediata em busca de desenvolvermos dentro de nós o homem de bem e para nós espíritas, o espírita de bem. Comecemos hoje, já ao sairmos daqui, com nossos familiares, vizinhos, conhecidos, desconhecidos e necessitados. Jesus nos convida a abrirmos nossos corações e abraçarmos a todos como irmãos amando, mas amando de verdade, sendo úteis materialmente e espiritualmente, com aquela palavra amiga, com aquele ombro solidário para saber ouvir as queixas de quem sofre, com a palavra que anima e incentiva a  seguir a estrada, com a doação não apenas do que é supérfluo, mas sim também do que nos é necessário, quando o outro se ache mais necessitado que nós. Que nossas críticas sejam para criticarmos nossos atos, nossas más tendências, nossos vícios, nosso orgulho e nosso egoísmo e assim ficarmos vigilantes para não incidirmos nem nos reincidirmos, nos mesmos erros e assim fazendo conseguiremos talvez carimbar o passaporte para esse novo mundo que se descortina e no qual iremos a passos largos em direção ao Pai.





quarta-feira, 13 de março de 2019

ORGULHO E HUMILDADE

ORGULHO E HUMILDADE


2 – O tema do assunto de hoje será :  “ Orgulho e Humildade”, (cap. VII,
Item 11) do Evangelho Segundo o Espiritismo.

3 – Para iniciarmos a fim de embasarmos o que iremos ver, vamos à princípio definir as palavras Orgulho e Humildade, onde o orgulho se contrapõe a humildade.
ORGULHO – Segundo Dicionário da Língua Portuguesa Aurélio, é o sentimento de dignidade pessoal, brio, altivez ou conceito elevado de si mesmo, ou exagerado de si mesmo.
ORGULHO – de acordo com a Doutrina Espírita, é imperfeição espiritual, que demonstra ausência de humildade ,sendo por isso um exagero de auto-valorização, como sendo uma opinião a nosso respeito, que não se iguala a nossa condição inferior .

HUMILDADE – Segundo Aurélio, é a disposição firme e constante para a prática do bem. Também boa qualidade moral, força moral, valor.
HUMILDADE – Segundo Kardec é o conjunto de todas as qualidades que constituem o homem de bem.
                    
 Observamos aí, a diferença das definições onde a definição lingüística
é puramente materialista enquanto a Espírita engloba todo ser, espírito e carne, ficando claro que o Orgulho, como imperfeição e a Humildade, como virtude, são inerentes da  alma. O orgulho e o egoísmo são sentimentos que se perdem na noite dos tempos e comumente andam de mãos dadas, onde o amor-próprio, procura preservar a individualidade em prejuízo da vida coletiva.
       Por sermos imperfeitos em caminho á perfeição, por ora, trazemos todos nós, suas marcas na conduta, por estarmos ligados ao instinto de sobrevivência e de preservação.
       Quando na fase animal o espírito vive a plenitude dos instintos e para tanto vale-se do interesse da individualidade em detrimento dos interesses do outro. Isto é orgulho e egoísmo.
       À medida que evoluímos em virtude das milhares de encarnações a inteligência se sobrepõe ao instinto passando a existir a necessidade da vida  social e a preocupação com o próximo. Tomando consciência das Leis Divinas, temos maior domínio sobre o orgulho. Embora em virtude do meio em que vivemos estimulados pelas paixões e pelos maus espíritos este sentimento comum a todos nós, pode ser estimulado, por isso recomendou o Mestre: - “ORAI E VIGIAI PARA QUE NÃO ENTREIS EM TENTAÇÃO”.
O orgulho associado a invigilância desenvolve entre nós enfermidades de ordem moral. Isto faz com que fiquemos suscetíveis à influência de espíritos imperfeitos, que encontram terreno fértil, livre de obstáculo. Conforme o Evangelho Segundo Espiritismo, pg. 148, parágrafo 10: - “Todos vós que dos homens sofreis injustiças sede indulgentes para as faltas dos vossos irmãos, ponderando que também vós não vos achais isento de culpas, é isso a caridade, mas também a humildade. Conclui-se que por estar intrinsecamente ligadas, caridade e humildade se completam, donde a verdadeira caridade só pode ser feita por aqueles verdadeiramente humildes, pois que a humildade nivela os homens, dizendo sempre que todos são irmãos, que devem se auxiliar mutuamente, induzindo-os ao bem. O espírita Paulo Cordeiro em palestra promovida pela IRC- Espiritismo no site Portal do Espírito, nos aconselha que para sermos humildes nos dias de hoje, de alta competitividade em todos os setores devemos exercitar a humildade em todos os momentos da vida, e assim bateremos recordes de resistência ao mal. Exemplo: falar baixo, quando todos gritam, ser surdo ás calúnias, compreender que nosso adversário, ou amigo tem o direito de dar sua opinião a nosso respeito.
Cristo dizia conversando com os sacerdotes do templo: “Nunca deixes de agradecer os benefícios que o teu inimigo te prestou”. Ele, o nosso inimigo, o competidor tem sempre uma lição a nos passar.





          















segunda-feira, 11 de março de 2019

O INCENTIVO SANTO (baseadono Livro Jesus no Lar de Chico Xavier pelo espirito de Neio Lucio


 O INCENTIVO SANTO



O tema foi retirado do Livro Jesus no Lar de Francisco Candido Xavier, ditado pelo espírito de Neio Lúcio e trata do Incentivo Santo, capítulo 41. Este livro trata de histórias de Jesus e pequenas parábolas, com a devida aplicação e explicação. Para tanto se faz mister que leiamos o cap. 41 como segue:

Aberta a sessão de fraternidade em casa de Pedro, Tadeu clamou, irritado, contra as próprias fraquezas, asseverando perante o Mestre:
— Como ensinar a verdade se ainda me sinto inclinado à mentira? Com que títulos transmitir o bem, quando ainda me reconheço arraigado ao mal? Como exaltar a espiritualidade divina, se a animalidade grita mais alto em minha própria natureza?
O companheiro não formulava semelhantes perguntas por espírito de desespero ou desânimo, mas sim pela enorme paixão do bem que lhe tomava o íntimo, a observar pela inflexão de amargura com que sublinhava as palavras.
Entendendo-lhe a mágoa, Jesus, falou condescendente:
— Um santo aprendiz da Lei, desses que se consagram fielmente à Verdade, chamado pelo Senhor aos trabalhos da profecia entre os homens, mantinha-se na profissão de mercador de remédios, transportando ervas e xaropes curativos, da cidade para os campos, utilizando-se para isso de um jumento caprichoso e inconstante, quando, refletindo sobre os defeitos de que se via portador, passou a entristecer-se profundamente. Concluiu que não lhe cabia colaborar nas revelações do Céu, pelo estado de impureza íntima, e fez-se mudo. Atendia às obrigações de protetor dos doentes, mas recusava-se a instruir as criaturas, na Divina Palavra, não obstante as requisições do povo que já lhe conhecia os dotes de inteligência e inspiração. Sentindo, porém, que a Celeste Vontade o constrangia ao desempenho da tarefa e reparando que os seus conflitos mentais se tornavam cada vez mais esmagadores, certa noite, depois de abundantes lágrimas, suplicou esclarecimento ao Todo Poderoso.
Sonhou, então, que um anjo vinha encontrá-lo em suas lides de mercador. Viu-se cavalgando o voluntarioso jumento, vergado ao peso de preciosa carga, em verdejante caminho, quando o emissário divino o interpelou, com bondade, em seguida às saudações habituais:
“— Meu amigo, sabes quantos coices desferiu hoje este animal?
“— Muitíssimos — respondeu sem vacilação.
“— Quantas vezes terá mordido os companheiros de estrebaria? —prosseguiu o enviado, sorridente — quantas vezes terá insultado o asseio de tua casa e orneado despropositadamente?
“E porque o discípulo aturdido não conseguisse responder, de pronto, o anjo considerou:
“— Entretanto, ele é um auxiliar precioso e deve ser conservado. Transporta medicamentos que salvam muitos enfermos, distribuindo esperança, saúde e alegria.
“E fitando os olhos lúcidos no pregador desalentado, rematou:
“— Se este jumento, a pretexto de ser rude e imperfeito, se negasse a cooperar contigo, que seria dos enfermos a esperarem confiantes em ti? Volta à missão luminosa que abandonaste, e, se te não é possível, por agora, servir a Nosso Pai Supremo na condição de um homem purificado, atende aos teus deveres, espalhando reconforto e bom ânimo, na posição do animal valioso e útil. Nas bênçãos do serviço, serás mais facilmente encontrado pelos mensageiros de Deus, os quais, reconhecendo-te a boa vontade nas realizações do amor, se compadecerão de ti, amparando-te a natureza e aprimorando-a, tanto quanto domesticas e valorizas o teu rústico, mas prestimoso auxiliar!
“Nesse instante, o pregador viu-se novamente no corpo, acordado, e agora feliz em razão da resposta do Alto, que lhe reajustaria a errada conduta”.
Surgindo o silêncio, o discípulo agradeceu ao Mestre com um olhar. E Jesus, transcorridos alguns minutos de manifesta consolação no semblante de todos, concluiu:
— O trabalho no bem é o incentivo santo da perfeição. Através dele, a alma de um criminoso pode emergir para o Céu, à maneira do lírio que desabrocha para a Luz, de raízes ainda presas no charco.
Em seguida, o Mestre pôs-se a contemplar as estrelas que faiscavam, dentro da noite, enquanto Tadeu, comovido, se aproximava, de manso, para beijar-lhe as mãos com doçura reverente.

Quando estamos imbuídos em praticar o bem em levarmos os ensinamentos do Mestre a outros, explicando a boa nova que Jesus nos propôs nos seus evangelhos, nos vemos assaltados pela certeza, que nossa consciência nos dá, de que não temos moral para fazermos isto. Algumas vezes nos deixamos levar pela amargura de ficarmos conscientes de nossa imperfeição moral e nos sentimos envergonhados e hipócritas em levarmos a mensagem e praticarmos ações totalmente antagônicas ao que pregamos resultando daí nossa desistência de fazer boas obras junto ao próximo e com isso a situação daquele irmão que precisa vai ficar pior ainda.
Será esse o proceder correto? Temos que lembrar sempre que o Pai não escolhe os capacitados, mas capacita os escolhidos  e temos prova disso vendo onde Jesus foi escolher seus apóstolos, não entre os doutos da época, mas entre os simples, humildes de bom coração. Imaginemos, se todos pensassem assim, ao primeiro conhecimento de nossas fraquezas, deixássemos de fazer o bem. Seria um caos, um mundo mergulhado no mal, pois a ausência do bem, da caridade, da beneficência geraria mais mal.
Sabemos que nos encontramos aqui, encarnados neste orbe, não por acaso, mas porque nosso planeta além de ainda estar classificado como planetas de provas e expiações, abriga espíritos sofredores, que ainda vivem no mal e que precisam desta escola para progredirem, para livrarem-se de seus vícios e más tendências, aprendendo a amar seu semelhante. Esta passagem é transitória e necessária. Deus nos criou, para sermos felizes como espíritos puros e perfeitos em constante comunhão com Ele, trabalhando como ajudantes na sua obra. O homem, todo ele, seja pobre, rico, preto, branco, alto, baixo, de qualquer religião ou sem religião busca o que? A felicidade. Mas para sermos totalmente felizes temos que seguir a máxima de Jesus que diz: - Sede perfeitos, como perfeito é meu pai. Sabemos que nossa perfeição é relativa e que iremos adquirindo com o passar dos tempos aliada a nossa evolução. E o que Jesus nos ensina nesta história é que não devemos ficar parados, inertes na prática do bem, da caridade, que é uma ferramenta preciosa para aspirarmos a sermos perfeitos e, por conseguinte, felizes. Uma coisa é certa, é através do trabalho que vamos crescer. O trabalho feito com desprendimento, visando o bem ao próximo, sendo ele da forma que se apresentar, nos faz sentirmos melhor e nos conecta com a espiritualidade, que vai nos ajudando, conduzindo-nos nos caminhos que nos tornam homens de bem. Se nos propomos a trabalhar, independente de nossos conflitos íntimos, o trabalho aparece e esses conflitos vão desaparecendo.
Madre Tereza, nos diz claramente que o incentivo cristão é a busca e a certeza que seremos perfeitos e que estaremos, quando nos encontrarmos nessa condição em permanente comunhão com Deus.
Jesus  também nos diz nesta história, que o incentivo cristão é a busca da perfeição através da prática do bem e mais que só chegaremos a esta perfeição através da prática da caridade, verdadeira sem máscaras, sem segundas intenções orientada pelo amor fraternal, aquele que o Mestre nos ensinou.
Vamos, portanto usar este incentivo e buscarmos nossa perfeição disseminando e aplicando a boa nova do evangelho do Cristo.



SEDE PERFEITOS (estudo com base no Evangelho Segundo o Espiritismo)


SEDE  PERFEITOS

O Evangelho Segundo o Espiritismo por Allan Kardec, tem por objetivo a explicação das máximas morais do cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida, tornando nossa caminhada menos penosa, mostrando-nos novos horizontes, levando-nos inspirados a um objetivo maior onde iremos caminhar em direção a uma meta, dando-nos a possibilidade de irmos a Deus alcançando aquele estreitamento entre o Criador e a criatura. Em verdade, dirá Emanuel que o Evangelho de Jesus e mais tarde com a doutrina espírita, aprendemos que seu evangelho é a CIÊNCIA DIVINA DA NOSSA LIGAÇÃO COM O PAI. A síntese desse processo é a frase que Jesus proferiu dizendo: “Sede, vós outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial”, e que é o tema proposto para este estudo; está no capitulo XVII do Evangelho Segundo o Espiritismo e se encontra no final do Sermão do Monte, capítulo V, versículo 48 de S. Mateus.
Essa frase lida sem a devida atenção que merece, trás uma incógnita, e mais um paradoxo, a incógnita é que Deus infinitamente perfeito o será sempre mais que nós, as criaturas em todas suas qualidades, pois se assim fosse, teríamos seus atributos e também seríamos deuses. O paradoxo é uma aparente contradição, sendo uma utopia, sermos perfeitos como Deus. O espiritismo vem a seu turno explicar o que disse o mestre e veremos que a dificuldade no entendimento não é na lição, mas nos aprendizes. Assim, o Mestre nos indica a nossa meta, o nosso objetivo, que é irmos em direção ao Pai, até chegarmos a perfeita comunhão com ele na condição de seres angelicais, de espíritos puros. E para que possamos seguir o que nos ensina Jesus, temos de procurar entender, saber e compreender o que é Deus.
No Livro dos Espíritos, na questão 10 Kardec pergunta aos espíritos: É possível a criatura humana penetrar a natureza íntima de Deus? Resposta: Não, falta-lhe para isso um sentido.
Na questão 11 é perguntado se um dia o homem verá à Deus é dito, que quando seu espírito não estiver preso a sua matéria irá de acordo com sua evolução, perfeição se aproximando de Deus, aí então ele o verá e o compreenderá. Entende-se que o aperfeiçoamento desenvolve faculdades e sentidos para ver e compreender. Esse processo também depende da desmaterialização, inclusive do períspirito, ou seja, um espírito puro, ou angelical. Conclui-se que para termos a visão do Criador depende da nossa evolução.
Jesus ao longo de seu Evangelho, nos fala, por vezes usando pronomes distintos. Ora diz Meu Pai, ora Vosso Pai e também Nosso Pai. Claro que Ele não fala assim por acaso, é que Jesus fala para todos e para todas as épocas, e quando diz Meu Pai, refere-se a visão que Ele tem, como espírito puro de quem conhece, compreende e está em permanente comunhão com Deus. Quando fala Vosso Pai, refere-se a nossa compreensão do Criador, que é uma visão limitada pela nossa perfeição. Quando fala Nosso Pai é uma visão comum a todos e a Ele, como se fosse a matemática dos conjuntos onde existisse o conjunto vós, o conjunto Jesus inseridos no conjunto nós.
O espiritismo vem a seu turno explicando as lições do Mestre, solucionar a máxima de Jesus quando ele fala “sede perfeitos, como perfeito é meu Pai Celestial” entendo-se que a perfeição é relativa. Que não podemos ser perfeitos como Deus, ou como Jesus, mas que podemos ser perfeitos de acordo com nossa condição de espíritos em desenvolvimento, encarnados num mundo de expiação. Jesus, sabiamente, quando na sua passagem na terra, não explicou o que é Deus, mas falou sobre os atributos do Pai, como, o amor infinito, e assim dizendo, ora em palavras ora em ações, que o homem para ser cada vez mais perfeito precisa usar em sua vida os atributos de Deus, que eles vão conduzir-nos nos caminhos da evolução e o espiritismo, corroborando esta idéia, nos explica que usando esses atributos em sucessivas reencarnações, iremos, gradativamente, nos aperfeiçoando até podermos estar como o Cristo, em comunhão com Deus. O Espiritismo esmiuçando, o pensamento de Jesus, deixa claro, que para atingirmos a perfeição, a condição sine qua non, é sermos verdadeiramente caridosos, pois a caridade, essa escada que nos leva, a perfeição, nos torna ciente, que ao praticá-la, isenta de interesses ou segundas intenções, vamos tomando conhecimento de nossas imperfeições e é fundamental que saibamos quem somos, como já aconselhava Sócrates ao falar “conhece a ti mesmo”. Assim, passaremos a combater o egoísmo no amparo ao próximo e também o orgulho, a vaidade exercendo o que nos disse Jesus quando falou que devemos amar e fazermos ao próximo aquilo que quereríamos que nos fizessem”. Compreendemos então, que a perfeição embora relativa aos nossos estágios pode sim ser alcançada, dependendo unicamente de nós e também ficamos cientes, que será uma estrada penosa, uma vez que iremos lutar contra nós mesmos ao corrigir nossos vícios e más tendências, mas ao mesmo tempo prazeroso, pois estaremos sentindo aquela felicidade de sermos úteis em ajudar ao próximo, aplicando a caridade em todas ocasiões de nossa vida.

CAMINHO DA PERFEIÇÃO

Kardec, no Evangelho Segundo o Espiritismo, usa de sua didática, aconselhado pela espiritualidade superior, o caminho e as ferramentas para irmos a busca de sermos perfeitos, não confundir com sermos perfeccionistas, que é um distúrbio neurótico no qual a pessoa sente constante insatisfação com seu desempenho e dúvidas sobre a qualidade do seu trabalho gerando obstinação, rigidez excessiva prejudicando a pontualidade e eficiência, colocando temas que fazem parte do processo de ser perfeito. Assim seguem os temas:

O HOMEM DE BEM

É aquele que, resumidamente, cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade na sua maior pureza. Que como Sto. Agostinho ensinou interroga sempre a si mesmo, usando o crivo da consciência, sobre seus próprios atos, se violou essa lei, se não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem queixa dele e se fez a outrem tudo que desejaria que lhe fizessem.
Sabemos que o melhor ensinamento vem do exemplo e não temos melhor exemplo do que ser um homem de bem, do que foi Jesus. Quando em dúvida sobre certo procedimento ao estarmos confusos quanto ao julgamento, façamo-nos a pergunta: “o que faria Jesus em me lugar”?  Certamente a resposta será a correta, quanto ao que se fizer, se soubermos quem e como foi Jesus.


OS BONS ESPIRITAS

Ser um bom espírita é ser um homem de bem espírita, pois de posse dos conhecimentos que a doutrina lhe dá consegue ter uma fé inabalável sem dogmas, sem cegueira, conseguindo uma visão mais clara do futuro, entende e aceita as provas porque esta passando, pratica a caridade movido por amor ao próximo, assim reconhece-se um bom espírita, pela sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más.


PARÁBOLA DO SEMEADOR

(ler aqui a parábola pg 289)

A parábola do semeador

1Naquele mesmo dia, Jesus saiu de casa e assentou-se à beira-mar.
2Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que, por isso, ele entrou num barco e assentou-se. Ao povo reunido na praia
3Jesus falou muitas coisas por parábolas, dizendo: "O semeador saiu a semear.
4Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e as aves vieram e a comeram.
5Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e logo brotou, porque a terra não era profunda.
6Mas, quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz.
7Outra parte caiu no meio dos espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas.
8Outra ainda caiu em boa terra, deu boa colheita, a cem, sessenta e trinta por um.
9Aquele que tem ouvidos para ouvir, ouça!"
S.Mateus, cap XIII, VV. 18 a 23

Aqui, o Espiritismo, refere-se aqueles ouvintes da boa nova, ou espíritas que apenas atentam aos fenômenos materiais, porque neles são apenas fatos curiosos, não se tirando nenhuma conseqüência, também aqueles que se interessam pelas comunicações dos espíritos apenas para satisfazerem a imaginação, continuando frios e indiferentes como sempre foram. Agora aqueles, que reconhecem e admiram os bons conselhos, aplicando a si próprios e não aos outros são como a semente que cai em terra boa e frutifica.

O DEVER

Aqui Kardec coloca instrução do espírito Lázaro, como sendo dever fator importante para a busca da perfeição. Este dever não é o dever imposto pelas profissões, mas o dever da obrigação moral que temos conosco mesmos e para com os outros.
O dever torna-se muito difícil de ser cumprido, pois esta em antagonismo com as atrações do interesse e do coração. Para ser cumprido corretamente depende do nosso livre arbítrio obedecendo nossa consciência. Mas muitas vezes mostra-se impotente frente aos argumentos falsos da paixão. Para cumprir fielmente com o dever, diz o espírito de Lázaro: “O dever principia sempre, para cada um de vós, do ponto em que ameaçais a felicidade ou tranqüilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha em relação a vós”.

A VIRTUDE

São todas as qualidades que constituem o homem de bem. Aí tem a virtude como opositor o orgulho, a vaidade, que quando alardeada exaltando seus feitos como alma caridosa, para que todos saibam ou para esconder uma imensidade de pequenas torpezas e odiosas covardias, a virtude assim exercida anula todo mérito real que possa ter. É então preferível, pouca virtude com do que muita com orgulho.

OS SUPERIORES E OS INFERIORES

O Evangelho nos orienta da importância dos inferiores e dos superiores. Todos estão sujeitos as mesmas leis Deus. Cabe aos superiores (ricos ou em posição de comando), muito se lhes foi dado e muito lhes será pedido. Somos sabedores que as riquezas e as posições de mando, são emprestadas, não para nosso bel prazer, mas para bem usarmos, a fim levar progresso ao nosso redor e também para ajudar os fracos, amparar os desalentados e que depois teremos de prestar contas sobre o que nos foi dado e o uso que fizemos. Iguais responsabilidades têm os inferiores, cumprindo suas tarefas com resignação e aceitação, não maldizendo sua sorte, uma vez que nada é por caso, portanto não existe. Existe sim a justiça Divina aplicando em nós aquilo que merecemos, uma vez que todos trazem uma bagagem volumosa de outras encarnações e nunca esquecendo que estamos num planeta de provas expiações, mas que queremos ser perfeitos.


O HOMEM NO MUNDO


Estamos cada vez mais globalizados. O planeta que antes era dividido em continentes, países em virtude do avanço da tecnologia das comunicações, satélites, internet, faz com que estejamos em contato com espíritos de naturezas diferentes, caracteres diferentes, outras culturas, outros costumes, outras religiões e isto não devemos deixar que choquem a nenhum com que estivermos. Devemos sim, viver com homens de nossa época como eles vivem, porém tendo o cuidado de manter a comunhão com Deus agradecendo tudo que temos e praticando a caridade absoluta. Nas preces feitas ao Senhor, consciente da vontade de mudar e na prática da verdadeira caridade conseguimos forças para não cair aos apelos das paixões, das frivolidades do mundo de hoje, lembrando sempre que o homem foi criado como um ser social e que é em sociedade que desenvolvemos nossas piores qualidades, mas também as nossas melhores. É tudo uma questão de escolha e de livre arbítrio. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. Então não sejamos egoístas, nem tampouco orgulhosos. Vamos interagir, integrarmos com nossos irmãos com  amor e caridade, pois Deus é amor, e aqueles que amam santamente, ele os abençoa.


CUIDAR DO CORPO E DO ESPÍRITO

O Espiritismo nos trás a certeza de que nos encarnados a alma tem que estar em sintonia com o corpo que habita. Cerceado o espírito pela carne faz-se necessário que cuidemos do corpo sem descuidar do espírito, pois as enfermidades influenciam a alma de maneira significativa. Diz a famosa citação latina derivada Sátira X, do poeta romano Juvenal “mens sana in corpore sano”, que quer dizer mente sadia em corpo são. Devemos então atender as necessidades que a Natureza impõe ao nosso corpo atender as necessidades de nosso espírito em busca da perfeição e isto significa não abusar nem torturar nosso corpo que é o templo, embora provisório dessa centelha divina que nossa alma. Vamos sim, na busca da perfeição, fazendo nosso espírito passar por toda as reformas que se fazem necessárias, dobrando-o, submetendo-o, humilhando-o, mortificando-o: esse o meio de nos tornarmos dóceis à vontade do pai e o único de alcançarmos a perfeição.