FÉ E ESPERANÇA
Hoje iremos estudar a Fé e a Esperança.
Porém
faremos uma breve explicação sobre a terrível pandemia conhecida como Corona
Vírus, que se abateu sobre o nosso planeta, atingindo a todos, tornando-se o
inimigo nº 1, ceifando vidas aos milhares e obrigando a mudança de hábitos,
costumes, posicionamentos, políticos, intelectuais e reflexões.
Já
não é mais segredo que o planeta esta passando por transformações
extraordinárias tanto na área da ciência como da espiritualidade. Chegamos a um
ponto em que não é importante ser e sim ter, acontecendo uma inversão de
valores onde os valores materiais são a porta da felicidade. A corrupção, os
crimes do colarinho branco são vistos como sinônimos de esperteza e
inteligência e esquecemos que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
Se
formos pesquisar em todas as religiões, na Bíblia este momento atual esta descrito,
ás vezes veladamente. No Livro dos Espíritos, bem como no Evangelho Segundo o
Espiritismo, obras de Allan Kardec, lá esta o nosso planeta sob a jurisdição do
nosso amado Mestre Jesus, passando pelo processo de planeta de provas e
expiações para tornar-se um planeta de regeneração, onde não haverá mais lugar
para os egoístas, os orgulhosos e os praticantes do mal, pelo mal. Aqueles
espíritos, que continuarem a persistir nos velhos hábitos, cultuando o mal, sob
a bandeira do egoísmo e do orgulho, serão retirados do orbe e levados a
encarnar em outros mundos de provas e expiações condizentes com sua moralidade.
Somos
todos espíritos imortais e a perfeição ainda que relativa, é a meta de todos,
ou seja, sermos seres angelicais, em comunhão com Deus e co-criadores de sua
obra e assim alcançaremos a tão sonhada felicidade eterna e é só isto que Deus
em seu amor infinito quer: nossa felicidade.
Mas
para tal, é necessário que façamos reformas em nossos caracteres, pensamentos,
ações ao longo de inúmeras reencarnações, para nos livrarmos dos inúmeros
vícios, imperfeições morais, que fomos adquirindo fazendo mal uso do nosso
livre arbítrio, optando por péssimas escolhas, cegos e surdos a nossa
consciência.
Deus,
na sua infinita bondade e justiça, nos deu presentes, alguns inatos em nossas
almas, como o Livre Arbítrio, onde podemos decidir nossas escolhas como bem
entendemos, sem a interferência desse Pai zeloso; A Consciência voltada para o
que é certo e justo e quando por nós
consultada é aquele juiz inflexível e correto, que não admite erros; a Certeza
de termos um ser superior criador e cuidador de nossas vidas, que esta presente
em tudo, inclusive dentro de nós. A todo o momento somos presenteados pelo
Criador com a encarnação de espíritos de luz em nosso meio, alavancando o
progresso científico, filosófico, intelectual e moral, que nos dão ensinamentos
e exemplos para serem seguidos. Permitiu a vinda do ser mais perfeito que pisou
na Terra, Jesus, que veio ao Orbe para implantar o Reino do Amor, Amor a Deus, ao
próximo, seja ele quem for e a prática da caridade, que é o verbo maior do
amor.
Porém
temos as duas maiores chagas, origem de todos os males, que são o egoísmo e o
orgulho. E perseverando nessas duas imperfeições, estacionamos na estrada da
evolução espiritual. No universo tudo obedece a ciclos e nossa jornada é
cíclica. Por exemplo, o dia sucede a noite e vice versa continuamente, as
quatro estações se sucedem sempre umas as outras, sempre, os movimentos de
translação e rotação também. Nós também vivemos em ciclos que vamos chamar
encarnações. Então encarnamos e desencarnamos ou vice versa, obedecendo a uma
lei natural cíclica. Só que, por diversas vezes, dado nosso estado evolutivo,
passamos a adquirir maus hábitos e péssimas escolhas, que fazem com que esse
movimento cíclico seja reincidente e persistindo nos velhos erros, iremos
reencarnar quantas vezes forem necessárias, até repararmos os erros cometidos.
Aí vemos a bondade e a justiça perfeita do Criador, que está sempre nos
concedendo novas oportunidades para resgate e caminhar em direção a perfeição.
E
o que dizer dessa pandemia? É mais uma forma de agilizar a regeneração do
planeta. Os Divinos Arquitetos, sempre estão a realizar as obras necessárias
para nossa evolução. Por sermos aferrados ainda matéria, só conseguimos ver o
ser humano como mortal e a vida na matéria é o que importa.
Se
formos atentos, veremos que ao longo dos tempos sempre houve pandemias, tais
como a peste negra, a gripe espanhola e tantas outras e agora temos o Covid19.
Assim também as guerras que assolaram o globo a nível mundial cumpriram seu
papel com a permissão de Deus. É de se notar que as pandemias, as guerras, os
flagelos fazem com que o ser humano melhore seja cientificamente ou
espiritualmente. Claro que se o ser humano fosse um ser evoluído jamais usaria
a guerra, nem haveria necessidade de pandemias ou flagelos para impulsionar a
sermos homens de bem.
Então
com essa pandemia estamos vendo o ser humano se voltando ao lar, a cultuar e conviver com a família, sendo solidário e
mais caridoso com o próximo, observando o que Jesus tanto nos pediu, que era
AMA TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO ou FAZ A TEU PRÓXIMO AQUILO QUE QUERERIAS QUE
TE FIZESSEM e aqui vamos entrar no tema de hoje sobre a Fé e a Esperança usadas
como ferramentas nessa pandemia.
Fé,
o que entendemos de fé?
Durante
muito tempo e também na nossa educação em sua maioria, foi-nos ensinado que ter
fé era tão somente acreditar em Deus. Mesmo entre os aprendizes que
interpretaram as palavras de Paulo erradamente. Supuseram que viver pela fé
seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.
Freqüentar
os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária,
indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista
aliado ao homem bom. A essa fé chamamos
de fé cega, pois apenas é uma afirmação de que somos crentes em Deus e esse
tipo de fé pode ser perigosa uma vez que por ser sem conhecimento tem a
tendência de por vezes tornar-se um movimento fanático.
Então
se fé não é simplesmente acreditar seria o que? Se formos consultar o
dicionário da língua portuguesa está escrito que fé é a crença na existência ou
poder de Deus. Porém, tanto em hebraico, como em grego, como em latim a palavra
fé tem o mesmo significado. Em latim, a palavra fé dita Fides também significa
FIDELIDADE, assim como em grego e hebraico. Portanto, se fé quer dizer
fidelidade, conclui-se, que não existe fé ou fidelidade se não existir
relacionamento.
Num
relacionamento com Deus, não basta acreditar. Para ter fé em Deus, acreditar é
o de menos. Na verdadeira fé tem que haver a entrega, tem que haver
comprometimento com Deus, tem que se colocar a disposição da Providência.
Fé
é estar COMPROMETIDO, Acreditar é estar envolvido.
Diferença
entre acreditar e comprometer-se, aqui um exemplo: Num café da manhã com ovos,
bacon a galinha esta envolvida. O ovo esta comprometido.
Acreditar
é envolver-se. Pode entrar e sair a qualquer tempo. Ex.: Eu acreditava no
espiritismo, agora não, ou eu sou católico, mas nunca vou a missa, ou eu sou
evangélico, mas não participo de nada na minha igreja. É como a galinha deixa o
ovo e vai embora.
Ter
fé é entregar-se, sem entender, ás vezes, como fez Maria que se entregou
totalmente aos desígnios de Deus, quando lhe apareceu um anjo anunciando a
vinda do Messias e lhe pedindo apenas confiança e entrega.
Ou
como fez Abraão, quando foi dito á ele, - sai da tua família e vai a terra. A
terra, que sem mapas e rotas eu te mostrarei.
Primeiro
você se entrega aos desígnios de Deus, depois você vai entender.
E
assim no capítulo 11 da epístola aos hebreus, Paulo vai citando um por um aqueles que deram um exemplo inigualável
de fé.
Até
o momento em que Jesus fazia os milagres, curas era reverenciado pelos
desvalidos, respeitado pelos doutos, os apóstolos estavam apenas envolvidos,
nenhum havia se comprometido. Após sua morte e ressurreição a fé desabrochou
nos seus corações e aí sim passou a existir a entrega, o relacionamento, o
comprometimento.
Ter
fé em Deus é se relacionar com fidelidade no relacionamento.
Achamos
o casamento difícil? Mas com Deus é bem mais, porque Deus é sempre o Outro e
nós temos dificuldade com o outro. Nós como crianças vemos o outro como
continuidade de nós mesmos. Assim como a criança, pela experiência
intra-uterina vê a mãe como sua continuidade. Por isso é tão sofrido nascer. É
que pelo nascimento rompe-se o vínculo simbiótico e a criança embora ainda não
a veja, reconhece-a pelo cheiro e aí começa o exercício do reconhecimento do
outro.
Então
muitos passam a vida inteira com dificuldades de relacionamentos, por não
aceitarem que o outro não é uma extensão de si mesmo. Nós temos essa
dificuldade. Ás vezes nos perguntamos: - Como é que pode ele não gostar do que
eu gosto? De não fazer o que eu faço? É inadmissível alguém não ter a minha
opinião. Isso é relacionamento entre seres iguais.
Com
Deus essa relação complica, porque Ele é absoluto e nós somos o relativo.
O
difícil de se relacionar com Deus é que Ele não é previsível, você não sabe o
que ele vai fazer e Deus é o Ser que decide e todo propósito de Deus se
concretiza. Conforme Emanuel: - Deus não manifesta propósitos a esmo. E essa fé
é o supremo desafio humano, porque chega um momento que é o teste da fé, que é
a entrega. Somos capazes de nos entregarmos a esse Outro?
Kardec
diz, deposita a fé em Deus. Sabendo que nada acontece sem sua permissão, ou
seja, entrega-te. Acreditar ou não acreditar é apenas o início. O desafio da
virtude da fé, que segundo o Evangelho, é a mãe de todas as virtudes, não é
acreditar. É se entregar, se comprometer com as obras de Deus. É trabalhar pelo
próximo e ser um homem de bem.
Certa
vez perguntaram para Madre Tereza de Calcutá: - Madre, quando a Senhora está
orando, o que a senhora fala para Deus? E ela respondeu: - Eu não falo nada só
escuto. Perguntaram-lhe então: - E o que Ele fala para a senhora? Ela
respondeu: -Ele não fala nada, só escuta.
Madre
Tereza, esse espírito, quase angelical, entendeu que a fé não é acreditar e sim
relacionar.
Nesse
contexto, a fé, apoiada na esperança, nos faz encontrar forças para suportar
pandemias, guerras, flagelos, tornando-se ferramentas poderosas para
exercitarmos a aceitação, a resignação, a resiliência, o perdão e o amor.
Todos
os dias temos que exercitar a fé divina para que ela faça parte do cotidiano de
nossas vidas. Esse exercício cumpre observar o que nos diz Paulo (o apóstolo
dos gentios) na Carta aos Coríntios onde ele coroa a fé como a mãe de todas as
virtudes e que as virtudes da teologia são a fé, a esperança e a caridade. Sem
fé perde-se a esperança e anula-se a caridade ou o amor, posto que caridade é
amor.
Para
encerrarmos esta exposição vou ler uma mensagem do espírito da Meimei contida
no livro Cartas do Coração, psicografado por Francisco Cândido Xavier, endereçada
ao seu esposo Arnaldo Rocha.
CONFIA SEMPRE
Não percas a tua fé entre as sombras do
mundo.
Ainda que teus pés estejam sangrando,
segue para frente, erguendo-a por luz celeste acima de ti mesmo.
Crê e trabalha.
Esforça-te no bem e espera com
paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra,
mas o que vem do céu permanecerá.
De todos infelizes, os mais desditosos
são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior
infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha, luta
e serve.
Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada
além da noite.
Hoje é possível que a tempestade te
amarrote o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou
ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.
-x-x-x-x-x-x-
Isto, é fé.
A
pessoa de bem está nessa vibe. Na vibe da confiança. O socorro embora não seja
instantâneo sempre vem. O que nos salva são as obras não a fé. Temos que
refletir ouvimos ou praticamos?
Hoje
somos o resultado do ontem, Temos que agir para o resultado do amanhã.
