HONRAI O VOSSO PAI E A VOSSA MÃE
O amor filial é mais que um direito. Na verdade é um dever, por vezes além de um dever ético, também uma obrigação moral.
Nossa dívida começa na concepção, quando nossa mãe a despeito de todas dificuldades que possam surgir, sejam elas: de falta de tempo, de condições financeiras, da ausência de um pai, de uma saúde precária, leva a criança no ventre, por nove meses suportando o necessário para esse filho nascer, e mais, sempre dando amor. Também quando da ausência da mãe, faz o pai o papel de pai e mãe na criação dos filhos.
Nosso débito com nossos pais só aumentam a medida que crescemos e temos nas figuras deles o modelo, os ensinamentos e exemplos, para nos tornarmos cidadãos de bem, inseridos na sociedade.
Afora todos esses argumentos, sabemos que a paternidade e a maternidade não são coincidências feitas pelo acaso. Não. Na espiritualidade a reencarnação é um assunto seríssimo que demanda organização, deteminada pela espiritualidade maior e conhecimento e aceitação das condições reencarnatórias, por aqueles que vão reencarnar. São assim levadas em conta, pais, família, amigos, conjuges, afetos e desafetos, afinal estamos numa escola, num planeta de provas e expiações, onde viemos por muitas encarnações, para expiar, aprender e provar, então aí vemos como é crucial a presença dos pais em nossas vidas.
Aqui cumpre-nos comentar sobre aqueles pais e mães que são péssimos pais, omissos, maus, déspotas, torturadores, ausentes gerando uma infindável gama de problemas de foro intimo nos pobres filhos que estão sob sua guarda.
Também com essas criaturas os filhos devem amor filial. Como foi dito nada é obra do acaso e tudo passa na apreciação e permissão do Nosso Pai Celestial que só quer nosso bem, nos colocando sempre na estrada que leva a perfeição. Então esses pais, são débitos passados de vidas pretéritas, que agora reencarnados conosco nos servem ou de prova, ou de ensinamento, ou de expiação onde, se cumprirmos aquilo que foi acertado, passaremos na prova e consequentemente seremos mais felizes na próxima encarnação, ou talvez, até mesmo nessa. Sem contar que os ódios aplacados e perdoados, se transformam em afeto e é isto que o Mestre Jesus nos pede: - “Amai-vos uns aos outros”. Isto nada mais é do disseminar o amor pela ferramenta\ da caridade.
Esses conhecimentos tão bem explicitados pelo Espiritismo, nos mostram que fazemos parte de duas espécies de família: aquelas dos laços corporais, dos laços de sangue, e aquela dos laços espirituais.
A espécie da família dos laços corporais tem a unir a bagagem das coisas inerentes do corpo, ou seja o corpo daquele que reencarna procede do corpo de seus pais, familiares. Muito embora, por ocasião da encarnação, a espiritualidade designada para tanto, coloca esse ser na familia que ele quer, ou aquela que vai possibilitar maior ganho moral e evolutivo. Esse laço no entanto é frágil como a matéria, se extingue com o tempo e a tendência, se não for exercitado o verbo amar nessa familia é se fragmentar, se dissolver moralmente e cada um seguir seu rumo sem acrescentar nenhum valor a si mesmo.
Sabemos que os espíritos, assim como nós, interagem com afins, mas isso não quer dizer que reencarnar em uma família sem afins, ou também com desafetos de encarnações pretéritas não tenha seu valor. Muito pelo contrário, pois aquele que reencarna numa familia nessas condições está tendo a oportunidade de resgatar débitos, de extinguir velhos ódios, de exercer o perdão e também se perdoar e consequentemente exercer o amor .
A outra espécie de familia, a dos laços espirituais faz-se eterna, pois já existia e continua existindo, simpatia, afeto, comunhão de idéias, afinidade, desejo de se ajudarem mutuamente e isto persiste sempre durante as muitas reencarnaões e esses laços não se rompem na erraticidade. Esses espiritos familiares uns aos outros se purificam e perpetuam no mundo dos espíritos e a palavra família passa a ter uma conotação diferente, diria mais, universal, pois se compreende que familia somos todos, encarnados e desencarnados, filhos de um mesmo Pai.
Para elucidar algumas dúvidas, quanto a narrativa contida na Bíblia, (S. MARCOS 3:20-21 e 31 a 35; – S. MATEUS 12:46 a 50.), onde nessa passagem sua mãe e irmãos, estando fora da residência onde se fazia a prédica, mandaram chamá-lo, ao que Jesus assim disse a todos: - “Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois todo aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Causa estranheza essa atitude, pois é sabido que o Mestre sempre foi dono de uma mansetude, amor infinito e benevolência com todos, ainda mais com sua familia, onde morou e trabalhou com o pai até a idade de 30 anos. Também se sabe que seus irmãos, espiritos pouco adiantados não partilhavam de suas idéias, julgando-o excêntrico e não lhe dando crédito as suas palavras.
Sua mãe também não compreendia ao certo sua missão pois nunca lhe seguiu os ensinos, nem lhe deu testemunho como fez João Batista, mas era muito amorosa, dando ao mestre o amor maternal, que sempre lhe foi correspondido, donde se conclui que Jesus aproveitou o ensejo para reforçar o ensinamento da parentela corporal e da parentela espiritual, ou suas palavras foram mal compreendidas, ou mal reproduzidas, ou não são suas, pois tudo foi feito oralmente, sendo só bem mais tarde, escrito.
Caridade com nossos pais, pois eles foram caridosos conosco, quando nos deram vida, quando nos geraram, nos sustentaram, suportaram nossos desvarios adolescentes, perderam noites de sono organizando nosso futuro, sofreram com nossos revezes e sempre nos apoiaram, muito embora, as vezes nossas escolhas eram as erradas. Quanto aos pais, que não foram o que os filhos queriam, a eles a obrigação é ainda maior e deve ser paga com perdão e esquecimento das ofensas, dos desmandos dos sofrimentos que infringiram. Com eles, além do amor será exercida a piedade filial, que consiste em atender com desvelo, carinho a necessidade dos velhos pais, que por muitas vezes ficam doentes, com enfermidades sofridas, totalmente dependentes, tais como alzeimer, AVC, demência e tantas outras que fazem do corpo uma prisão.
Somos todos pais e filhos frutos de inúmeras encarnações, por vezes na mesma família, como pais, irmãos, tios, avos, primos e assim vamos exercendo o perdão, eliminando ódios e rancores, até que entendamos que somos todos encarnados e desencarnados uma imensa familia universal, até que nos vejamos todos como irmãos, filhos do mesmo Deus amoroso que nos criou, até que incorporemos o conselho do Mestre em nossas vidas amando o próximo como a nós mesmos enfim até que a caridade seja a bandeira de todos, pois ser bom filho, bom pai, perdoando, amando, servindo, isto é caridade e como diz o lema do Espiritismo “fora da caridade não há salvação”.
Então vamos honrar, mas acima de tudo amar nossos pais.
