NAS
ESTRADAS
- Hoje estaremos dando continuidade ao estudo da obra “Pão Nosso”, psicografada por Francisco Cândido Xavier e ditada pelo espírito Emmanuel.
- O texto está no capítulo 25 do referido livro sob o
título: “Nas Estradas”.
- Como podemos ver é um título, que embora sucinto, dá uma
gama enorme de interpretações e sabemos que Emmanuel é mestre em suas reflexões
de abarcar uma infinidade dos significados contidos no Evangelho de Jesus.
- Texto do livro:
NAS ESTRADAS
“E os que estão junto
do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvindo,
vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada.” - Jesus.
(Marcos, 4:15)
Jesus é o nosso caminho permanente para o Divino Amor.
Junto dele seguem, esperançosos, todos os espíritos de boa
vontade, aderentes sinceros ao roteiro santificador.
Dessa via bendita e eterna procedem as sementes da Luz
Celestial para os homens comuns.
Faz-se imprescindível muita observação das criaturas, para
que o tesouro não lhes passe despercebido.
A semente santificante virá sempre, entre as mais variadas
circunstâncias.
Qual ocorre ao vento generoso que espalha, entre as plantas,
os princípios de vida, espontaneamente, a bondade invisível distribui com todos
os corações a oportunidade de acesso à senda do amor.
Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos
vulgares e cada dia, num livro, numa particularidade insignificante do
trabalho, na prestimosa observação de um amigo.
Se o terreno de teu coração vive ocupado por ervas daninhas
e já recebeste o princípio celeste, cultiva-a com devotamento, abrigando-o nas
leiras de tua alma. O verbo humano pode falhar, mas a Palavra do Senhor é
imperecível. Aceita-a e cumpre-a, porque, se te furtas ao imperativo da vida
eterna, cedo ou tarde o anjo da angustia te visitará o espírito, indicando-te
novos rumos.
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A citação de Jesus, acima citada e que faz parte do
evangelho de Marcos, nos lembra a Parábola do Semeador, do Evangelho de Mateus,
cap XIII, vv 1 a 9, e nos fala do semeador que saiu a semear e ao fazê-lo, uma
parte caiu ao longo do caminho e os pássaros a comeram; outra parte caiu em
lugar pedregoso e ao vingarem o sol as queimou, porque não tinham raízes
profundas cravadas em terra; outra entre os espinheiros e estes as abafaram;
Outras, finalmente, caíram em terra fértil e produziram
frutos que por sua vez produziram uma infinidade de novas sementes.
Se prestarmos a devida atenção veremos que o que nos relatam Mateus e Marcos
nos seus evangelhos tem o mesmo objetivo, que é nos despertar para os ensinamentos
do Cristo.
Logo, aquele que recebe a semente ao longo do caminho e não
dá a merecida atenção, vem o espírito maligno e lhe tira o que fora semeado em
seu coração;
Aquele que ao escutar a palavra, recebe-a com alegria, no
primeiro momento, mas não tendo raízes dura apenas algum tempo. É o que recebe
em meio das pedras e que quando vem as perseguições e reveses por causa da
palavra, atribui a ela o escândalo e a queda;
Aquele que recebe a palavra entre os espinheiros escuta-a,
mas se deixa levar pelo apelo da matéria, a ilusão do poder e das riquezas e a
palavra se torna infrutífera;
Já aquele que recebe a palavra em terra boa, escuta a
palavra e faz com que produza, sementes, arvores, frutos.
Visto que os evangelhistas nos passam o mesmo ensinamento do
Cristo em duas passagens, vamos então refletir o que nos diz Emmanuel das
palavras do Mestre, pois ele sempre aprofunda o significado contido nas
mensagens.
Neste texto Emmanuel é claro em nos lembrar quem é Jesus:
estrada, o caminho, a vida. É também a semente e o semeador.
E nós o que somos neste contexto?
Nós somos aqueles que recebemos a dádiva da vida, de uma
vida eterna, imortal, com uma estrada, que nos conduzirá a condição de
espíritos puros e felizes, mas que para que isto aconteça teremos que trilhar
milhões de outras estradas presentes em inúmeras reencarnações, onde iremos
construindo o nosso destino.
Mas, não nos enganemos, a tarefa é árdua, pois ao longo destas
estradas, faremos muitos erros no caminho. Vamos tentar atalhos que nos porão a
perder, às vezes uma encarnação inteira e teremos que recomeçar novamente a
mesma estrada.
Vamos encontrar Satanás, que fique claro que essa é uma
figura metafórica, ou espíritos malignos, ou obsessores que criamos pela
estrada e se não estivermos imbuídos de escutar e praticar a palavra será
levada de nós.
Encontraremos na nossa peregrinação interior, para dentro de
nós, o nosso próprio demônio, aquele que viemos cultuando por diversas
reencarnações e traz arraigado em si o egoísmo, o orgulho que esmagam todas as
virtudes.
Emmanuel, nos fala de prestarmos atenção em tudo que nos
rodeia, para que possamos agir como sementes germinadas, frutificadas, no
Evangelho do Mestre, uma vez as oportunidades de sermos homens de bem, de
estarmos junto do Cristo no caminho, nos são dadas a toda hora, a todo minuto,
basta que, para isso tenhamos boa vontade e saibamos amar ao próximo como a si
mesmo. A isto damos o nome de fraternidade com exercício da caridade.
Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos da
vida, nas páginas de um livro, na observação de um amigo, numa particularidade
simples no trabalho, pronto, aí está a semente e de posse dela, com amor
sejamos também semeadores e no trajeto da nossa estrada terrena espalhemos
essas sementes.
Diz o poeta, nessa música:
Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente
Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou
Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs
É preciso amor
Pra poder pulsar
È preciso paz pra poder sorrir
È preciso a chuva para florir.
Emmanuel, termina este texto, nos dizendo que se já
recebemos o princípio celeste e mesmo assim temos o terreno de nosso coração
ocupado por ervas daninhas, devemos cultivar esse princípio no âmago de nossa
alma cultivando-o com devotamento, pois se nos furtarmos ao imperativo da vida
eterna, certamente receberemos a visita da mestra chamada Dor, que nos indicará
os novos rumos.
Então irmãos, que façamos da nossa estrada, uma estrada de
luz, gratos ao Pai pelas oportunidades que nos são dadas a todo momento, gratos
a Jesus, nosso divino mestre, pelo exemplo, pelos ensinamentos, por esse
evangelho, que é pura expressão do seu amor.
