quinta-feira, 28 de novembro de 2019

LUCROS






LUCROS

“E o que tens ajuntado para quem será?” — Jesus. (LUCAS, capítulo 12, versículo 20.)

Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação de ganhar. O espírito de lucro alcança os setores mais singelos. Meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. A atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de experimentarem a mina lucrativa. Nesse sentido, a maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante.
Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e interroga:
— Que trouxeste?
O infeliz responderá que reuniu vantagens materiais, que se esforçou por assegurar a posição tranqüila de si mesmo e dos seus.
Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre, que as vitórias são derrotas fragorosas. Não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos.
Atingida semelhante equação, o viajor olha para trás e sente frio. Prende-se, de maneira inexplicável, aos resultados de tudo o que amontoou na Crosta da Terra. A consciência inquieta enche-se de nuvens e a voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos: Pobre de ti, porque teus lucros foram perdas desastrosas! “E o que tens ajuntado para quem será?”


O que será que nos diz Jesus acerca de juros? Temos que considerar que os ensinamentos do Mestre, têm que ser estudados com a profundidade que merecem. Suas lições servem pra todas as épocas, para todas as almas, sejam elas encarnadas ou não e são eternas.
Emanuel, neste texto alarga nossa visão, para o que Jesus quis dizer.

Vamos então analisar a palavra:
LUCROS: benefício conquistado de alguma situação ou tarefa;
                     (economia) diferença positiva em um investimento ou operação de compra e venda.

Essas são as definições da palavra lucros no dicionário da língua portuguesa. Mas será que é somente isso o que significa a palavra lucros? Será que nós sabemos o significado dessa palavra, sob a ótica do espiritismo? Será que sabemos o significado em toda sua abrangência?
Jesus ao lançar essa indagação, que Lucas nos traz no seu evangelho, nos pergunta o real motivo de usar e buscar esses lucros.
É importante observar que Jesus não nos indaga sobre o uso desses lucros no mundo material como ricos e poderosos. E Ele assim o faz, porque Jesus é um conselheiro, um médico de almas, a Ele interessa o espírito não a matéria. Seu objetivo é disseminar o amor e instruir o que fazer para ficarmos ricos sim de valores morais, para lucrarmos com o uso do amor.
Os lucros que o Mestre nos indaga, são aqueles que são as virtudes do espírito, aqueles que levamos conosco quando desencarnamos e voltamos para a nossa verdadeira pátria, que sabemos ser o mundo espiritual. Quando Ele nos indaga para quem estamos amealhando refere-se às virtudes que tem valor no mundo espiritual e que podem nos fazer verdadeiramente felizes.
Emanuel nos fala que ainda hoje a humanidade gasta suas energias em busca constante de tesouros que tornem ricos os homens na vida material. Busca-se o ter e não o ser. Vive-se o ditado “não interessa o meio para chegar ao fim”.
Nessa conquista o Ego infla-se e na maioria das vezes a pessoa torna-se egoísta, avaro, obsecado pelo dinheiro, pelos lucros materiais.
Será que é isso que Jesus espera de nós?
Será que vale a pena perder noites no afã de obter mais?
Esses lucros feitos na matéria em prol de nós mesmos e dos nossos familiares vai nos engrandecer espiritualmente?
Estamos vendo que atualmente os valores deturpados já surgem na infância, com as crianças e jovens querendo sempre mais. Querendo o melhor celular, o melhor PC, o melhor notebook, games de última geração e é muito triste ver que a nova geração traz o egoísmo em si. A vontade do ter e não do ser.
Julgamos o jovem e as crianças e não levamos em conta que cabe a nós como pais, como, família, como professores darmos as lições e exemplos de conduta moral e ética
Ao jovem fica cada vez mais difícil a tomada da decisão do que ele quer ser, pois não se pergunta qual seu sonho profissional. Não, o que se faz é perguntar se sua escolha profissional vai gerar grandes lucros materiais.
Cabe a nós espíritas, ensinarmos as nossas crianças e jovens qual é o real tesouro no mundo espiritual, Sabemos que somente as virtudes e o uso que fizermos delas com o próximo nas diversas encarnações que passamos é que tem valor.
Devemos usar os ensinamentos e exemplos do Mestre. Não esqueçamos que Jesus nos ensinou para que aplicássemos suas lições em nossa vida e que replicássemos esses conhecimentos para todas as gerações vindouras. É o mínimo que podemos fazer, por quem se doou, por completo, para que fossemos felizes, para que nossa estrada em busca da perfeição fosse menos árida.
Deus não nos proíbe de termos sucesso, de sermos ricos, mas devemos usar o nosso crescimento para ajudarmos o próximo, para fazer uma humanidade melhor. A verdadeira caridade consiste em compartilhar os lucros e assim fazendo ficamos felizes, pois não podemos ser felizes quando nosso próximo sofre com pobreza, com fome, com frio.
Somos instruídos a progredirmos profissionalmente, afim de que possamos prover a nós e a nossa família dos itens que julgamos ser necessária a nossa providência e nesse pacote incluímos o necessário e o supérfluo como se necessário fosse. Temos que entender que com diz a palavra, supérfluo é aquilo que não nos falta para viver e, portanto deve ser doado ou para ajudar a ciência, para diminuir o sofrimento dos que necessitam.
Todos nós iremos retornar ao mundo espiritual, pois sabemos que lá é nossa verdadeira morada e quando lá chegarmos, sendo quem somos, uma vez que lá não existem máscaras nos defrontaremos com a verdade inqusitora, que perguntará :
- Que fizestes meu filho, que riquezas, que tesouros, que lucros trouxestes?
Será que diremos que somente juntei tesouros para mim e para minha família? Ou direi, trabalhei em prol do próximo.
Temos que observar que nem sempre aquilo que é um tesouro na terra é uma riqueza no céu.
A pobreza, a miséria, quando vivida com resignação, aceitação, humildade, gratidão pela vontade de Deus é na espiritualidade, uma jóia de rara beleza, pois serve de ferramenta para evolução nossa e daqueles que nos rodeiam. Assim fazendo, seguimos o exemplo do Mestre que nada tinha de tesouros materiais, mas era um milionário de espírito e essa riqueza repartiu conosco.
A pobreza, a dor, a doença é aquela que nos faz repensar e aquilatar os valores da vida e assim concluímos que estamos aqui para crescer e evoluir como espírito imortal.
Muitas vezes aquela pobreza, aquela miséria, aquela lágrima é o tesouro, que vai nos fazer crescer nos céus.
Ainda temos um posicionamento invertido daquilo que vai nos trazer felicidade. Causa espanto quando vimos espíritas que tecem um lençol de lamúrias, se posicionando como sofredores ao ser acometidos de uma doença, um mal, um revés na vida, ignorando totalmente como proceder como cristão e como espírita em frente às provas.
Essas provas, somos nós mesmos que escolhemos, quando reencarnamos, ou seja, esses revezes são para nós o remédio âmago que nossa alma precisa para evoluir.
Já sabemos que Jesus com seus exemplos e lições, não nos mostrou, nem disse que viemos para cá para amealhar tesouros, dinheiro, poder somente para nós e nosso circulo familiar. Isto é apequenar a missão de Jesus, em verdade Ele nos diz que estamos aqui para distribuirmos valores aos que necessitam, para distribuirmos amor a todos, sem preconceitos, amor fraternal, puro, com prática da verdadeira caridade, seja ela para o físico ou para o espírito, compartilhando o abraço, o afago, o ombro amigo. Esses sim são valores que geram lucros.
Se assim procedermos, quando da reentrada na pátria espiritual, poderemos mostrar os lucros, quando formos inquiridos: - Filho querido que tesouros amealhastes e que lucros trazes  contigo?  
No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V – Bem Aventurados os Aflitos, lá está O MAL É O REMÉDIO, que nos diz, que não apenas devemos reconhecer a mão de Deus, quando nos cobre de vitórias, de poder, de dinheiro, pois as vezes o que vai curar as imperfeições de nossa alma é aquela pobreza, aquela miséria, aquela doença, aquele demorado desemprego que bate em nossa porta ofertadas, pela mão divina, para curarmos o mal do egoísmo, do orgulho, da inveja, da soberba.
Para encerrarmos a exposição de hoje, devemos refletir e nos conscientizarmos que somos espíritos viajantes, eternos, que reencarnamos por diversas vezes e que vivenciamos pobreza e riqueza e, no entanto, ainda estamos num planeta de provas e expiações, pois cultuamos o Orgulho e o Egoísmo. Usamos nossos lucros somente em prol de nós mesmos e do nosso núcleo familiar, sendo que já está na hora de nudarmos, pois temos conhecimento para isso.
É hora de abraçar o Evangelho de Jesus, se não por nós, que façamos por Ele, que não cansa de estar sempre conosco nos cuidando, seja com  riqueza, pobreza, doença ou revezes, para que possamos crescer e evoluir e caminhar em direção a perfeição.
O caminho para que não façamos de nossos lucros, perdas desastrosas é seguir os passos do Mestre, usando nossos lucros para amparar o próximo e fazer evoluir a humanidade.
Então quando desencarnarmos e conscientes dos bons usos que aplicamos aos nossos tesouros e lucros, poderemos responder de cabeça erguida:
“E o que tens ajuntado, para quem será. 

domingo, 10 de novembro de 2019

DINHEIRO







DINHEIRO

“Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA A TIMÓTEO, capítulo 6, versículo 10.)

Paulo não nos diz que o dinheiro, em si mesmo, seja flagelo para a Humanidade.
Várias vezes vemos o Mestre em contacto com o assunto, contribuindo para que a nossa compreensão se dilate. Recebendo certos alvitres do povo que lhe apresenta determinada moeda da época, com a efígie do imperador romano, recomenda que o homem dê a César o que é de César, exemplificando o respeito às convenções construtivas. Numa de suas mais lindas parábolas, emprega o símbolo de uma dracma perdida. Nos movimentos do Templo, aprecia o óbolo pequenino da viúva.
O dinheiro não significa um mal. Todavia, o apóstolo dos gentios nos esclarece que o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males. O homem não pode ser condenado pelas suas expressões financeiras, mas, sim, pelo mau uso de semelhantes recursos materiais, porquanto é pela obsessão da posse que o orgulho e a ociosidade, dois fantasmas do infortúnio humano, se instalam nas almas, compelindo-as a desvios da luz eterna.
O dinheiro que te vem às mãos, pelos caminhos retos, que só a tua consciência pode analisar à claridade divina, é um amigo que te busca a orientação sadia e o conselho humanitário. Responderás a Deus pelas diretrizes que lhe deres e ai de ti se materializares essa força benéfica no sombrio edifício da iniquidade!

  
Diz um dito popular “o dinheiro é a raiz de todos os males” Jesus quando de sua estada no planeta ensinou-nos: Em verdade, vos digo, que é mais fácil passar um camelo por um fundo de agulha, do que entrar um rico no reino dos céus”.
O mestre usa o dinheiro para nos mostrar o real valor da moeda.
As pessoas vêm ao longo do tempo escutando as palavras do Mestre esquecendo-se do significado profundo para a alma nestes ensinamentos. Neste caso, será que Jesus disse apenas da impossibilidade de um rico entrar no reino dos céus? Será que a pobreza é uma virtude que torna os pobres mais merecedores das graças divinas?
Nunca podemos esquecer que na criação tudo é perfeito e isso envolve as leis naturais, todas sob a justiça divina. Como Deus nunca erra, tudo está no lugar que deveria estar e de como deveria estar e todos estamos sujeitos as mesmas leis. Como bem diz o ditado “o Sol nasce para todos”. Aos olhos de Deus somos todos seus filhos, todos iguais, sejamos pobres ou ricos.
O ser humano dado sua evolução moral, não consegue enxergar com os olhos da alma e por mais das vezes perde-se empregando todos seus esforços para tornar-se rico e poderoso. Esquecemo-nos que nossa vida como encarnados é uma breve passagem onde não estamos aqui para enriquecer com dinheiro, até porque não levamos conosco para a pátria espiritual. Estamos aqui sim para enriquecermos de virtudes morais para que possamos justificar ao Criador nossa vinda aqui no orbe.
Chega por vezes a ser ridículo, as pessoas orando a Deus, pedindo uma beirinha na loteca.
No Livro dos Espíritos, perguntas 808 a 816, os espíritos esclarecem que nunca houve e nem nunca haverá igualdade absoluta das riquezas, pois a esse pensar se opõe a diversidade das faculdades e caracteres. E aqueles homens que pensam que a igualdade absoluta das riquezas, se porventura houvesse, seria uma quimera, pois logo seria desfeita, pois existem entre nós duas chagas, o Egoísmo e o Orgulho que enquanto não forem eliminados, continuaremos imperfeitos, sem um senso ético de justiça.
As provas da Riqueza e da Pobreza são provas aplicadas para experimentarmos em modos diferentes. Com certeza tomando conhecimento da justiça divina e da pluralidade das existências algumas vezes viremos ricos e outras pobres. Somos nós mesmos, que mesmo sucumbindo em diversas vezes, em inúmeras reencarnações que as escolhemos. As duas provas têm o mesmo peso. A Miséria provoca queixas contra a Providência e a Riqueza incita todos os excessos.
Aquele que está em uma condição favorável, como rico, dispõe de muitos meios de fazer o bem, mas é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta e insaciável. Com a riqueza suas necessidades aumentam e julga nunca possuir o bastante para si unicamente.
Ser rico e poderoso e ter autoridade sobre seus semelhantes são provas grandes e escorregadias, porque quanto mais rico e poderoso, mais obrigações têm que cumprir e os meios que dispõe servem para fazer o bem ou o mal de acordo com seu livre arbítrio.
Ter dinheiro não é condição para ser feliz, muito pelo contrário. Não é a toa que vemos seguidamente pessoas ricas e poderosas cometer o desatino do suicídio.
O dinheiro é propriedade simples de Deus. É ilógico pensar que nos pertence, uma vez que é apenas um empréstimo de Deus para lograrmos êxito no processo reencarnatório. De posse do dinheiro em nossas mãos devemos deixá-lo liberto para ampararmos o pobre, o faminto, o doente, aquele que tem fome e frio, o mendigo e todos aqueles que não dispõem de um mínimo para suas necessidades. O dinheiro assim liberto da ganância e da avareza torna-se o condutor da caridade e da misericórdia.
Temos que ter cuidado para que ao gerirmos mal o dinheiro ele venha a tornar-se o nosso algoz nas próximas encarnações, pois não esqueçamos que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
A pobreza e a miséria, constituem provas e quando surge a revolta naqueles que estão passando por esse processo se maldizendo da “sorte” que Deus lhes deu, anulam o mérito do que deveriam aprender. A pobreza se torna angústia, ódio, depressão e fica o ser humano inclinado a praticar qualquer ato para enriquecer, passando a viver o ditado “os meios justificam o fim”. Com isso, embora saibamos que ao encarnar, na programação da encarnação esta prevista vivência na pobreza. Mas, não devemos nos entregar ao ostracismo e nada fazer para vencer a pobreza, pois Deus nos permite lutar baseados na Lei Natural do Progresso, usando nosso livre arbítrio, desde que estejamos imbuídos do desejo de praticar a caridade, sejamos pobres ou ricos.
Vamos nos conscientizar que assim como a pobreza a riqueza não são obstáculos a salvação. Tudo depende das nossas escolhas, que levamos a efeito com nosso livre arbítrio. Se nos deixarmos orientar pelo exemplo e os ensinamentos do Cristo, daremos o bom uso que se deve dar ao dinheiro e agradeceremos a condição da pobreza ou da riqueza. Com amor e fé no coração faremos a caridade ao próximo, sendo rico ou pobre, mas com a certeza de que aos olhos de Deus seremos milionários de virtudes que é a verdadeira moeda dos céus.



sexta-feira, 25 de outubro de 2019


A PRESENÇA DA FAMÍLIA



                  
- Etimologicamente a palavra família vem do latim e significa o conjunto de propriedades de alguém incluindo escravos e parentes. Família vem de famulus que significa escravo doméstico.
- Pelo dicionário já atualizado para nosso tempo, família são o conjunto de pessoas relacionadas por criação ou geneticamente a alguém, linhagem e grau, pai, mãe, filhos, avós, etc..
                  Quis Deus, sempre objetivando o nosso bem, e nossa busca pela perfeição, que fôssemos criados como seres sociais, dependentes desde o nascimento uns dos outros, pois se deixarmos um recém nascido abandonado a sua própria sorte com certeza ele não sobreviveria. E nesse contexto, para se viver em sociedade surge a família, que como vem sendo dito e repetido: “família é a célula mater da sociedade”. E porque se diz esse chavão? Simplesmente porque na família, é que iremos formar caráter, despertar amor, princípios morais, limites.
                   O próprio Cristo fez de sua família, sua escola, uma vez que foi levado por Maria aos 12 anos, para os doutos judeus, para ser instruído na religião judaica, conforme os costumes da época. Segundo o espírito de Humberto de Campos, no livro “Boa Nova”, psicografado pelo médium Chico Xavier, Jesus disse já ter sido aconselhado por Deus a continuar no seio de sua família e ali teria seus estudos. Assim o fez e ficou até a idade de 30 anos aprendendo o ofício de carpinteiro, ajudando seu pai José na lida. Com esta atitude deixa-nos mais um ensinamento acerca da importância da presença da família na vida de todos nós.
                   Mas o que temos visto atualmente, com o advento de um mundo tecnológico, com as facilidades mais corriqueiras da vida, com o apelo publicitário de quem vale mais é aquele que mais tem, fazem que o materialismo surja forte entre os jovens. Aqui um parêntese, ser jovem no mundo de hoje está cada vez mais difícil, pois não se pergunta o que ele quer ser, pergunta-se o quanto ele irá ganhar. Se ele vai ganhar o bastante para consumir bastante. Com isso abdicam-se os sonhos e as vocações. E então passamos a cultuar o individualismo.
                   As famílias que antes formavam um grupo debaixo de um mesmo teto se apoiando, almoçando jantando, participando dos nascimentos, mortes, criando os filhos dos tios, cuidando dos avôs, não se vêem mais porque os valores estão se perdendo.  Falta hierarquia no seio familiar com a correta distinção de que é ser pai, mãe, avô, tio.                 Concluímos que existe uma inversão de valores e no intuito de conquistar o afeto dos filhos, levado pelo consumismo exagerado, procura realizar todos os pedidos dos filhos, proclamando-se como o melhor amigo. Aí está o erro, é lógico que os pais são amigos dos filhos, mas essa supervalorização do filho faz com que se perca algo fundamental na relação pais e filhos, O RESPEITO. Em épocas passadas, nossos pais nos batiam quando o respeito era quebrado, só nos davam presentes, roupas, brinquedos em datas específicas e nem por isso ficamos traumatizados ou deixamos de amá-los. Existia o respeito hierárquico, e gostávamos disso. Hoje em dia os pais fazem a figura central da família os filhos, não se batem porque a lei humana proíbe, não se grita porque pode traumatizar e assim vamos criando  déspotas egoístas. Seguidamente vemos pais perguntando melosamente “você me ama?”. É lógico que sim, mas a pergunta deveria ser: “você me respeita?”, “Você me obedece?”. Dessa maneira morre o respeito e vemos cada um cuidando do seu mundinho, vivendo o mundo falso e fantasioso das redes sociais e aqui a culpa é dos pais ao permitir que o tempo que deveria ser de convívio seja usado para teclar no telefone celular, no notebook ou no PC, simplesmente para se ver livre de ter que se ocupar dos problemas, pois é mais fácil deixá-los mergulhados na internet.
                   Assim caem homens, mulheres, jovens e crianças nas armadilhas que eles próprios criaram nesse individualismo e materialismo.
                   Com isso, vemos crescer assustadoramente os divórcios e os suicídios, pois as famílias se fragmentando e as pessoas descrentes na vida, mesmo alguns possuindo os bens que julgavam trazer a felicidade praticam contra si mesmos esse odioso ato.
                   E a pergunta que se faz: será que sendo um individualista, estará feliz nessa condição? Não diríamos que são felizes, mas sim que estão contentes como pessoas individualistas, porque ao refletirmos sobre família, chegamos a conclusão como nos diz o nobre espírita Haroldo Dutra, que família é um incomodo.  Explicando cito alguns exemplos:
- Você esta sentado na sala curtindo uma penumbra, no silêncio, chega um filho, acende a luz, coloca um funk bem alto, pronto já veio o incomodo.
- Ou, você está prestes a comer aquela torta de morango, que você comprou na doce ilusão de devorar. Então percebe que vai ter que dividir com a família e torcer para que sobre o último pedaço. Se for a mãe então, nem o ultimo pedaço sobra, ou seja, incomodo.
- Ou, você chega esbaforido, corre para o banheiro, e ao sentar não tem papel. O último a usar o vaso sanitário não repôs e você fica gritando, papelll! Incomodo.
                     E isso é que é bom. Incomodar e ser incomodado. Pois estaremos fazendo um exercício para uma boa convivência.
                    Claro que reforçando a idéia, incomodo para os individualistas. Só que, somente vivenciando esta experiência de família é que iremos crescer e amadurecer, pois o individualista é uma eterna criança egoísta onde o mundo gira ao redor do seu umbigo, onde crê que tudo é dele, tudo é ele e que quando descortina a verdade, e não obtém aquilo que almejou, vem a depressão que por vezes culmina no suicido.
Se formos definir família, sob a ótica do espiritismo, vamos ver que família é um contrato feito por um grupo para se ajudarem mutuamente. Neste grupo os participantes vão trabalhar com os desajustes das vidas passadas, tentando terminar com as pendências pretéritas, usando para isto a aceitação, a resignação, o perdão, a caridade e o amor.
                   Família é isso, é cooperação, onde um socorre o outro, quando se fizer necessário. A cooperação desenvolve um sentimento de gratidão que evolui para amor.
                    Muitas vezes ficamos em dúvida se estamos inseridos no lugar certo. Se a família a que pertencemos é aquela que condiz com nossos anseios, pois às vezes estamos descontentes e brigando continuamente com os pais, ou com os irmãos, ou com os outros membros da família. Podemos ficar certos de que Deus nunca erra. Estamos exatamente onde devemos estar uma vez que não existe acaso. Porém somos dotados de livre arbítrio e nossas escolhas é que vão direcionar os acontecimentos em nossas vidas. Suponhamos que nos afastemos totalmente da família em que viemos, certamente se houverem débitos de outras encarnações passadas tornaremos a nos encontrar até que o amor vença as diferenças.
                     Estamos passando por uma época “sui generis”. É sabido que o nosso planeta está passando pela fase de transição de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração, onde não existirá mais a prática do mal pelo mal. E nesse processo acontece uma revolução com uma derrubada de preconceitos e mudança de comportamentos:
 - Os negros tanto tempo sufocados pelo racismo seja ele velado ou descoberto, agora gritam por igualdade;
- As mulheres há tanto tempo espezinhadas pelo machismo gritam por liberdade e igualdade;
- Os pobres, os sem teto, os sem terra gritam por igualdade e fraternidade.
                     Aqueles que dizem que este mundo está perdido se enganam, pois nunca se viu tanta fraternidade, tanta derrubada de preconceitos, entre os povos, povos porque o globo agora é uma aldeia e ficamos cientes de tudo que acontece às vezes quase no mesmo instante do fato.
                     Surgem variados gêneros de sexo, que antes estavam calados e ocultos, no dito popular ”guardados nos armários”, que agora gritam por direitos iguais à todos. Com isto, a sociedade se vê obrigada a mudar conceitos e valores, pois surgem novos modelos de famílias, onde encontraremos casamentos multirraciais e casamentos gays.  E isso é certo?
                      Não fazemos apologia a gêneros ou política, ou religião, uma vez que numa casa espírita nossa única apologia é sermos cristãos, mas o fato é que estão aí diferentes dos conceitos que tínhamos, interagindo na sociedade, formando famílias.
                      É um assunto delicado, pois julgamos que não é o normal.
                      E o que é o normal? Serão as normas, as regras e os conceitos do passado? Estarão eles errados? Será pecado uma família com pais ou mães gays? Com pais ou mães de raças diferentes, ou credos ou divergentes em opiniões?
                     Quando falamos em família, seja ela do jeito que for o mais importante de tudo é o presente que Jesus nos deu, com seus ensinamentos e exemplos, que é a prática do amor. Amor a Deus, a si próprio e ao próximo. Aos olhos do Cristo, somos todos irmãos. Aos olhos de Deus somos todos seus filhos, isto nos faz entender que somos partes de uma grande família universal.
                       Discute-se muito sobre um casal gay adotar uma criança, formar uma família, mas será que não é bem pior deixar uma criança abandonada nas mãos das casas de adoção ou em casas de menores aguardando, numa esperança mórbida o aparecimento de uma família, dentro dos parâmetros preconceituosos do século passado?
                       O importante, o fundamental em todo assunto inerente a família é a prática do amor, da doação, porque se existe o amor unindo os membros de uma família, esse amor é disseminado em outras famílias. Aqueles que aprenderam a amar sua família, quando forem constituir sua nova família levam essa semente de amor para seus lares e assim sucessivamente. Logo todos estarão se amando, livres do egoísmo, do orgulho e praticando caridade com amor fazendo assim o planeta regeneração.
                      Para finalizar, a resposta para tudo é o amor. É se colocar no lugar do próximo antes de qualquer ação, palavra ou pensamento, afim de não provocarmos tormentas em nossos relacionamentos familiares.
                       Então quando nos recolhermos no recôndito de nosso quarto, hoje e todas as noites, agradeçamos a oportunidade que o Pai nos dá ao nos conceder uma família, para que possamos amar e ser amados e juntos caminharmos em sua direção, para a felicidade eterna.       
                      

terça-feira, 10 de setembro de 2019

CONSULTAS


 CONSULTAS


 “E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?” — (JOÃO, capítulo 8, versículo 5.),

 Várias vezes o espírito de má fé cercou o Mestre, com interrogações, aguardando determinadas respostas pelas quais o ridicularizasse. A palavra d'Ele, porém, era sempre firme, incontestável, cheia de sabor divino. Referimo-nos ao fato para considerar que semelhantes anotações convidam o discípulo a consultar sempre a sabedoria, o gesto e o exemplo do Mestre. Os ensinamentos e atos de Jesus constituem lições espontâneas para todas as questões da vida. O homem costuma gastar grandes patrimônios financeiros nos inquéritos da inteligência. O parecer dos profissionais do direito custa, por vezes, o preço de angustioso sacrifício. Jesus, porém, fornece opiniões ´´decisivas e profundas, gratuitamente. Basta que a alma procure a oração, o equilíbrio e a quietude. O Mestre falar-lhe-á na Boa Nova da Redenção. Freqüentemente, surgem casos inesperados, problemas de solução difícil. Não ignora o homem o que os costumes e as tradições mandam resolver, de certo modo; no entanto, é indispensável que o aprendiz do Evangelho pergunte, no santuário do coração: — Tu, porém, Mestre, que me dizes a isto? E a resposta não se fará esperar como divina luz no grande silêncio. 


 Estamos passando por uma época historicamente “sui generis , onde nosso orbe sofre com as convulsões do que vem por aí. Temos orientação nesse sentido nas obras básicas do Espiritismo, “A Gênese”, nas pag. 396, 397, 398, 399 e 400, capts. de 59 a 67, onde é explicado a transformação pelo qual irá passar o Planeta Terra evoluindo de planeta de Provas e Expiações para planeta de Regeneração, onde haverá a inexistência da prática do mal pelo mau. Ora, aqueles quiserem continuar incidindo no mal serão convidados a irem povoar outros sistemas planetários, condizentes com suas inclinações onde poderão continuar resgatando seus pretéritos e quiçá , talvez, contribuam para o adiantamento daquele planeta. 
Não devemos esquecer nunca, que este ato de amor do Criador, alicerçado na bondade e justiça infinitas, só objetiva a felicidade na perfeição a qual estamos destinados. Em todas obras básicas fica provada a transformação do planeta e também dos novos moradores desta nave, pois toda a criação objetiva a evolução, tanto na matéria como no mundo espiritual. Em função destas transformações, mudam-se valores, caem preconceitos, velhas leis não encontram eco na nova civilização. Novos modelos de família, e gêneros fazem com que a ações tenham que ser repensadas afim de que não se fuja da Lei Áurea do Cristo, que prega: faz ao teu próximo aquilo que queres que te faça. 
Ou seja, não importam as leis humanas que são fugazes e se perdem na poeira dos tempos. Importa sim, o código de amor ensinado por Jesus e aplicado eternamente a todos os povos encarnados ou desencarnados do universo. Aí então nos vemos num dilema, quando temos que tomar uma decisão sobre um assunto qualquer, muitas das vezes com decisões paradoxais totalmente antagônicas uma a outra, embora pareçam ambas corretas. Qual decisão tomar? Qual a correta? Qual aquela que não vai ferir o próximo ou que vá acarretar quirelas para as próximas reencarnações? É simples se, tivermos o cuidado da calma, e não ser arbitrário de mantermos a mansuetude, de não sermos tendenciosos, ou seja estes são os ensinamentos de Jesus para tomarmos decisões ou melhor este comportamento é Jesus. Então a pergunta que devemos fazer a nossa consciência é : O que faria Jesus em meu lugar? Como se comportaria o mestre se fosse aplicado a ele a decisão que tomamos? E mais colocamo-nos no lugar daqueles a quem vamos aplicar nossa decisão, pois, fazer ao próximo aquilo que quereríamos que nos fizessem. Resumindo é nos ensinamentos e nos exemplos por ele deixado, que estão todas respostas, porque além do discernimento, da justiça, sempre em tudo o amor, na mais pura atitude com o semelhante. 
Devemos então, orarmos para a clareza de nossas decisões e a ajuda de nossos anjos de guarda e com a certeza e a fé em Jesus, estaremos sendo em nossa atitude verdadeiros homens de bem e mais estaremos com certeza confeccionando o nosso passaporte para a Nova Era, para a nova Terra, agora um planeta de regeneração cheio de amor entre seus habitantes.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

RECAPITULAÇÕES

                                                           RECAPITULAÇÕES




O tema RECAPITULAÇÕES, foi retirado do livro CAMINHO, VERDADE E VIDA, psicografado por Francisco Candido Xavier e escrito pelo espírito Emanuel, pag. 40 cap.33.
A palavra recapitular, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa significa repetir sumariamente e para nós encarnados conforme nossos conhecimentos pode ser algo  ruim ou algo muito bom.
Como pode ser isso?
Ora, Deus, conforme “O Livro dos Espíritos” de Allan Kardec, nos diz que ao nos criar nos fez espíritos simples e ignorantes, mas nos foram dados além da vida, o Livre Arbítrio e a Consciência. O Livre Arbítrio para sermos senhores de nossas ações e a Consciência para determinar se essas ações são certas ou erradas. No entanto, nunca devemos esquecer que, as Leis Naturais regem nossas vidas e segundo A Gênese e também o Livro dos Espíritos, essas Leis são eternas, justas, imutáveis, inquebrantáveis. Nem mesmo Deus, que as criou transgride-as ou entra em desarmonia com elas, pois são perfeitas e regem todo o universo em perfeito equilíbrio. Faz parte, então dessas leis aquela que diz: “É livre o plantio, mas a colheita é obrigatória”. Ou seja, usamos nosso livre arbítrio nas nossas escolhas, mas teremos que responder e até pagar por essas escolhas, só assim nossa consciência não nos cobra pelos atos praticados.
Deus nos criou por um ato de amoré o objetivo de nossas almas eé de sermos felizes, cultivando o verbo amar em toda plenitude, encarando a tudo e a todos como nossos irmãos a exemplo de São Francisco de Assis, que até mesmo ao sol e a lua, dizia Irmão Sol e Irmã Lua como reconhecimento e gratidão a divina criação. Assim, temos que entender que somos espíritos eternos em processo de evolução, a caminho da felicidade e da perfeição de espíritos puros e que para seguir essa caminhada em direção ao criador temos que seguir o exemplo e as lições do mestre Jesus.
No desenrolar desse tema Emanuel faz uma citação de  João, cap.12,versículo 43, que diz: “-Porque amavam mais a glória dos homens do que a Glória de Deus”, e passa a dizer-nos que os tempos se alternam entre resplendores e decadências, com cenas que se repetem seguidamente e os homens embora já tenham bom conhecimento repetem as más experiências e no curso dos milênios parecem amar mais a glória terrena, que a glória de Deus.
Com isto vimos repetirem-se as reincidências reencarnatórias, pois Deus na sua bondade e amor infinito nos concede a oportunidade de múltiplas reencarnações. Quantas forem necessárias, para aprendermos o bem viver como um aluno que não aprendendo a lição dada, tem que repetir o ano para aprender.
Isso podemos então dizer que são recapitulações.
Encarnamos trazendo em nossa bagagem espiritual nossas boas qualidades adquiridas ao longo das reencarnações, mas também nossas imperfeições, vícios, más tendências e vamos à escola da vida como encarnados trabalhar nessas imperfeições, que serão de boas escolhas se conduzidas pela consciência, caso contrário estamos fadados a recapitular outras existências, até ter sanado o mal.
E são muitas as oportunidades e armas que temos para vencermos nossos maus pendores. Vejamos algumas:
- Anjo Guardião: um ser evoluído de moral, que protege-nos até de nós mesmos, intuindo conselhos que vão influenciar nossas escolhas sempre para o bem;
- Jesus: O modelo perfeito a ser seguido, onde o exemplo deixado por ele, e seus ensinamentos levam aqueles que o cumprem, a transformarem-se em homens de bem;
- Apóstolos e Almas Santas: Que também por seus exemplos e ensinamentos indicam o caminho a seguir;
- Religiões: Que mesmo divergentes em rituais, tem a mesma crença em Deus e pregam o amor fraternal;
- O Consolador: Que nada mais é que o Espiritismo, que é uma doutrina que em si reúne, ciência, filosofia e religião e com isso descortinou o mundo espíritos, nosso verdadeiro lar, dando conhecimento a reencarnação, que vem explicar o porquê de nossa existência,  o porquê das inúmeras disparidades entre as pessoas, as desigualdades sociais, bem como o porquê de nossas venturas e também do nosso sofrer e com isso adquirimos a verdadeira fé, embasada em conhecimento, fazendo com que saibamos mais sobre o criador e sua obra. Esse conhecimento acaba com dúvidas de onde viemos, porque aqui estamos e para onde iremos. Em nossas reencarnações, aprendemos que em um planeta como o nosso de provas e expiações, a felicidade se resume em momentos, o que nos leva com mudanças de comportamento visando o bem do próximo com a prática da caridade aumentar em muito esses momentos. A dor é nossa companheira constante, sofremos numa doença, na perda de um ente querida, na miséria, na pobreza, também na riqueza. Mas se tivermos fé e a fé aqui falada não é a simples crença no Ser Superior e sim a entrega e a prática de atos cristãos, e essa fé vai nos ensinar que o importante é aceitar e aprender com a dor, mas nunca sofrer com a dor.
Assim vimos que temos motivos de sobra para em nossa reencarnação presente e futura, evitar que nosso proceder recaia em recapitulações e assim ficamos nesse vai e vem, estacionados em evolução.
O Espiritismo embasado no Evangelho de Jesus nos convida a seguir a estrada, buscando sempre aprender e ajudar com a mais verdadeira e pura caridade o próximo, seja ele um amigo ou um inimigo, pois assim estaremos agindo como o Cristo, evitando as recapitulações e indo conjugar em comunhão com Deus o verbo amar. 

sexta-feira, 12 de julho de 2019

VIVER PELA FÉ


 VIVER PELA FÉ
1





Durante muito tempo e também na nossa educação em sua maioria, foi-nos ensinado que ter fé era tão somente acreditar em Deus. Mesmo entre os aprendizes que interpretaram as palavras de Paulo erradamente. Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.
Freqüentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao homem bom.
Então se fé não é simplesmente acreditar seria o que? Se formos consultar o dicionário da língua portuguesa está escrito que fé é a crença na existência ou poder de Deus. Porém, tanto em hebraico, como em grego, como em latim a palavra fé tem o mesmo significado. Em latim, a palavra fé dita Fides também significa FIDELIDADE, assim como em grego e hebraico. Portanto, se fé quer dizer fidelidade, conclui-se, que não existe fé ou fidelidade se não existir relacionamento.
Num relacionamento com Deus, não basta acreditar. Para ter fé em Deus, acreditar é o de menos. Na verdadeira fé tem que haver a entrega, tem que haver comprometimento com Deus, tem que se colocar a disposição da Providência.
Fé é estar COMPROMETIDO, Acreditar é estar envolvido.
Diferença entre acreditar e comprometer-se, aqui um exemplo: Num café da manhã com ovos, bacon a galinha esta envolvida. O ovo esta comprometido.
Acreditar é envolver-se. Pode entrar e sair a qualquer tempo. Ex.: Eu acreditava no espiritismo, agora não, ou eu sou católico, mas nunca vou a missa, ou eu sou evangélico, mas não participo de nada na minha igreja. É como a galinha deixa o ovo e vai embora.
Ter fé é entregar-se, sem entender, ás vezes, como fez Maria que se entregou totalmente aos desígnios de Deus, quando lhe apareceu um anjo anunciando a vinda do Messias e lhe pedindo apenas confiança e entrega.
Ou como fez Abraão, quando foi dito á ele, - sai da tua família e vai a terra. A terra, que sem mapas e rotas eu te mostrarei.
Primeiro você se entrega aos desígnios de Deus, depois você vai entender.
E assim no capítulo 11 da epístola aos hebreus, Paulo vai citando um por  um aqueles que deram um exemplo inigualável de fé.
Até o momento em que Jesus fazia os milagres, curas era reverenciado pelos desvalidos, respeitado pelos doutos, os apóstolos estavam apenas envolvidos, nenhum havia se comprometido. Após sua morte e ressurreição a fé desabrochou nos seus corações e aí sim passou a existir a entrega, o relacionamento, o comprometimento.
Ter fé em Deus é se relacionar com fidelidade no relacionamento.
Achamos o casamento difícil? Mas com Deus é bem mais, porque Deus é sempre o Outro e nós temos dificuldade com o outro. Nós como crianças vemos o outro como continuidade de nós mesmos. Assim como a criança, pela experiência intra-uterina vê a mãe como sua continuidade. Por isso é tão sofrido nascer. É que pelo nascimento rompe-se o vínculo simbiótico e a criança embora ainda não a veja, reconhece-a pelo cheiro e aí começa o exercício do reconhecimento do outro.
Então muitos passam a vida inteira com dificuldades de relacionamentos, por não aceitarem que o outro não é uma extensão de si mesmo. Nós temos essa dificuldade. Ás vezes nos perguntamos: - Como é que pode ele não gostar do que eu gosto? De não fazer o que eu faço? É inadmissível alguém não ter a minha opinião. Isso é relacionamento entre seres iguais.
Com Deus essa relação complica, porque Ele é absoluto e nós somos o relativo.
O difícil de se relacionar com Deus é que Ele não é previsível, você não sabe o que ele vai fazer e Deus é o Ser que decide e todo propósito de Deus se concretiza. Conforme Emanuel: - Deus não manifesta propósitos a esmo. E essa fé é o supremo desafio humano, porque chega um momento que é o teste da fé, que é a entrega. Somos capazes de nos entregarmos a esse Outro?
Kardec diz, deposita a fé em Deus. Sabendo que nada acontece sem sua permissão, ou seja, entrega-te. Acreditar ou não acreditar é apenas o início. O desafio da virtude da fé, que segundo o Evangelho, é a mãe de todas as virtudes, não é acreditar. É se entregar, se comprometer com as obras de Deus. É trabalhar pelo próximo e ser um homem de bem.
Certa vez perguntaram para Madre Tereza de Calcutá: - Madre, quando a Senhora está orando, o que a senhora fala para Deus? E ela respondeu: - Eu não falo nada só escuto. Perguntaram-lhe então: - E o que Ele fala para a senhora? Ela respondeu: -Ele não fala nada, só escuta.
Madre Tereza, esse espírito, quase angelical,entendeu que a fé não é acreditar e sim relacionar.
A grosso modo namorar é o que? Maior parte do tempo nem se conversa, até porque, às vezes, atrapalha.
Emanuel nos diz: Deus se manifesta através das circunstâncias e das pessoas que cruzam o nosso destino.
Temos de estar atentos aos acontecimentos de nossa vida, ou melhor, o que não nos acontece, o que não nos é permitido, é manifestação.

ENCERRAMENTO:

Para encerrarmos esta exposição vou ler uma mensagem do espírito da Meimei contida no livro Cartas do Coração, psicografado por Francisco Cândido Xavier, endereçada ao seu esposo Arnaldo Rocha.
Antes, porém cumpre dizer, que Meimei era uma linda jovem, que com 22 anos casou-se com Arnaldo Rocha, um materialista e ateu convicto. E viveram uma linda história de amor após um ano ela desencarnou. Ele sofreu muito e em um dia em que caminhava desatento e apressado chocou-se com alguém que levava livros e folhas que se esparramaram pelo chão. Arnaldo correu em juntar os papéis e pastas, quando percebeu que a pessoa caída era Chico Xavier. Interessante era que Meimei era o apelido que Arnaldo chamava Irma de Castro que por sua vez o chamava de Naldinho, apelidos estes, que eles tiraram de um filme sobre uma história de amor.
Francisco Cândido o pega pelo rosto e sem saber nada daquilo diz a Arnaldo: - Naldinho, nossa Meimei está aqui dizendo que hoje é o aniversário de casamento de vocês.
Chico então levou Arnaldo para uma reunião espírita e através da psicofônia falou a Arnaldo essa mensagem de amor  e um convite a vida.


                                      CONFIA SEMPRE


Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.
Ainda que teus pés estejam sangrando, segue para frente, erguendo-a por luz celeste acima de ti mesmo.
Crê e trabalha.
Esforça-te no bem e espera com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos infelizes, os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha, luta e serve.
Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite.
Hoje é possível que a tempestade te amarrote o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

                                        -x-x-x-x-x-x-


Isto, meus irmãos, isto é fé.


A pessoa de bem esta nessa vibe. Na vibe da confiança. O socorro embora não seja instantâneo sempre vem. O que nos salva são as obras não a fé. Temos que refletir ouvimos ou praticamos?
Hoje somos o resultado do ontem, Temos que agir para o resultado do amanhã.




quinta-feira, 21 de março de 2019

O IMPERATIVO DA AÇÃO


O IMPERATIVO DA AÇÃO



Tema retirado do livro “JESUS NO LAR” de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito de Neio Lucio, capítulo 45 e nos fala sobre o imperativo da ação e para tal passamos a leitura do referido capítulo:



O imperativo da ação


Explanavam os aprendizes, acaloradamente, sobre as necessidades de preparação para o Reino Divino. Filipe, circunspecto, salientava o impositivo da meditação. Tiago, o mais velho, opinava pelo retiro espiritual; os discípulos do movimento renovador, a seu ver, deviam isolar-se em zona inacessível ao pecado. João optava pela adoração constante, chegando ao extremo de sugerir o abandono das atividades profissionais, por parte de cada um, a fim de poderem entoar hosanas contínuos ao Pai Amantíssimo. Bartolomeu destacava a necessidade do jejum incessante, com abstenção de todo contacto com as pessoas impuras.
Chamado à manifestação direta pela palavra indagadora de Simão, Jesus perguntou, nominalmente:
— Pedro, qual é a água que desprende miasmas pestilenciais?
— Sem dúvida — respondeu o apóstolo, intrigado —, é a água estagnada, sem proveito.
Sorridente, dirigiu-se ao filho de Alfeu, indagando:
— Tiago, qual é o peixe que flutua inerte na onda?
— É o peixe morto, Senhor — redarguiu o discípulo, desapontado.
— Bartolomeu, qual é a terra que se enche de matagais daninhos à plantação útil?
O interpelado pensou, pensou e esclareceu:
— Indiscutivelmente, é a terra boa desprezada, porque o solo empedrado e áspero é quase sempre estéril.
O Mestre, evidenciando sincera satisfação, concentrou a atenção em Tadeu e inquiriu:
— Tadeu, qual é a túnica que se converte em ninho da traça destruidora?
— É a túnica não usada.
Endereçando expressivo gesto a Judas, interrogou:
— Que acontece ao talento sepultado?
— Perde-se por inútil, Senhor.
Logo após, assinalou com o olhar um dos filhos de Zebedeu e falou, mais incisivo:
— Tiago, onde se acoitam as serpentes e os lobos?
— Nos lugares em ruína ou votados ao abandono.
— André — disse o Cristo, fixando o irmão de Pedro —, qual é, em verdade, a função do fermento?
— Mestre, a missão do fermento é dar vida ao pão.
Em seguida, pousando nos companheiros o olhar penetrante e doce, acrescentou, bem humorado:
— O tempo está repleto de adoradores e a miséria rodeia Jerusalém. Se a luz não serve para expulsar as trevas, se o pão deve fugir ao faminto e se o remédio precisa distanciar-se do enfermo, onde encontraremos proveito no trabalho a que nos propomos? O Reino Divino guarda o imperativo da ação por ordem fundamental. Sigamos para diante e propaguemos a verdade salvadora, através dos pensamentos, das palavras, das obras e de nossas próprias vidas. O Todo Sábio criou a semente para produzir com o infinito. Desce do alto a claridade do Sol cada dia para extinguir as sombras da Terra. Não é outro o ministério da Boa Nova. Amar, servindo, é venerar o Pai, acima de todas as coisas; e servir, amando, é amparar o próximo como a nós mesmos. Pautar-se por estas normas, em nosso movimento de redenção, é praticar toda a Lei.


Nesta história, Jesus nos fala do imperativo da ação para o advento do Reino Divino, que se fazia urgente, na prática e propagação da verdade salvadora, através de pensamentos, palavras, atos, das obras e de nossas vidas.
Jesus, nosso amado mestre, sendo um espírito puro, possui todo conhecimento, que faz com que sua palavra, ensinamentos e exemplos sejam para todos os tempos, para qualquer época, ou seja, uma doutrina totalmente atemporal, podendo ser aplicada por qualquer credo, gênero e diversidades na nossa época atual.
Estamos, a todo o momento, e muito mais agora, vivenciando grandes catástrofes, a nível global, com tsunamis, furacões, ciclones, incêndios, enchentes, mexendo o globo e ocasionando imensa quantidade de desencarnes, parecendo que a natureza e o planeta estão contra nós. Sem contar com desatinos de atos, que estão tomando conta da mídia tais como, feminicídio, genocídio em escolas, e sabedores que somos, através do espiritismo, do momento que estamos passando, estamos conscientes do mais que há de vir.
 
Cabe o estudo da Gênese, livro que compõe as obras básicas de Kardec, capítulo XVIII, em seu item 9 : Sim, decerto, a Humanidade
se transforma, como já se transformou noutras épocas, e cada
transformação se assinala por uma crise que é, para o gênero humano, o que são para os o indivíduos, a crise do
crescimento. Aquelas se tornam, muitas vezes, penosas,
dolorosas, e arrebatam consigo as gerações e as instituições, mas,
são sempre seguidas de uma fase de progresso material e moral. …

Vera Meira Bestene, em artigo no Portal do Espírito, com o Título NACIMENTO DE UM NOVO MUNDO, explica-nos, como segue, de forma sucinta o presente momento: 

Estamos neste período de crescimento.
Um período que não iniciou hoje, agora. Estamos já há praticamente ou mais de um século neste tempo de transformação.
Neste período de crescimento, que estamos passando, o espiritismo
florescerá e seus frutos serão visíveis. A transformação das sociedades
poderão até ser penosas, dolorosas, que refletirão, também, no mundo dos
espíritos pois, reencarnáveis que são, estão diretamente ligados com as
comoções que passamos, entretanto serão passageiras como nos esclarece a Gênese.
O Universo, como um todo, nos projeta que as perturbações que sentimos
e que percebemos, são apenas projeções parciais, isoladas, que se nos
afiguram grandiosas, entretanto, se olhadas no conjunto, podemos perceber que tais comoções são apenas aparentes e que se harmonizam como o todo.
O progresso da humanidade é inconteste. Os resultados que o homem vem chegando sob o ponto de vista das ciências e artes, são evidentes. Resta-nos realizar ainda um imenso progresso que é o de realizar,
promover a harmonia entre si, a fraternidade e o amor ao próximo, a
caridade efetiva, a solidariedade desinteressada, estando assim se
revestindo das características necessárias ao progresso e bem estar moral.
O espiritismo não cria a renovação social. O amadurecimento da
humanidade é que fará esta renovação. Ë o Espiritismo, entretanto, o mais
apto a secundar o movimento de regeneração porque tem um grande poder moralizador,  e com suas tendências progressistas surgiu na hora em que
teria utilidade e também no tempo certo da compreensão dele.
Para que na Terra sejam felizes os homens, necessário se faz que a povoem
espíritos bons, sejam eles encarnados ou desencarnados. Havendo chegado
o tempo, grande emigração se verifica e os que continuem praticando o
mal pelo mal, verificada a transformação da terra, serão excluídos, para
que não ocasionem mais outras e novas comoções. Irão expiar o
endurecimento de seus corações, uns em mundos inferiores, outros em
raças terrestres ainda atrasadas, equivalentes a mundos daquela ordem, às
quais levariam os conhecimentos adquiridos com o objetivo de fazê-las avançar.
Tudo se processará exteriormente com a capital diferença de que um
aparte dos Espíritos que estavam encarnados na Terra, não mais
reencarnarão neste planeta. Cada criança que nascer, em vez de um
espírito atrasado e inclinado ao mal, que antes nela reencarnaria, virá um espírito mais adiantado e propenso ao bem.
A regeneração da humanidade, portanto, não exige absolutamente a
renovação integral dos Espíritos, basta a modificação de suas disposições morais.
Opera-se, neste instante, um desses movimentos destinados a fazer a
remodelação da humanidade. A multiplicidade das causas de destruição
é um sinal característico de que os tempos são chegados. São as folhas
novas da primavera que ressurgem e fazem desabrochar um NOVO MUNDO.
Prezados irmãos, de posse desses conhecimentos embasados pelos acontecimentos e também já descritos pela doutrina espírita, cabe aqui usarmos os ensinamentos de Mestre na história que nos convida ao imperativo da ação. E que ação é esta? Simplesmente modificarmos nossos pensamentos, atitudes e atos. Se quisermos pleitear um reencarne na Terra, já como planeta de regeneração, com a ausência do mal e a presença do bem, do amor, da caridade, da piedade, necessário se faz uma ação imediata em busca de desenvolvermos dentro de nós o homem de bem e para nós espíritas, o espírita de bem. Comecemos hoje, já ao sairmos daqui, com nossos familiares, vizinhos, conhecidos, desconhecidos e necessitados. Jesus nos convida a abrirmos nossos corações e abraçarmos a todos como irmãos amando, mas amando de verdade, sendo úteis materialmente e espiritualmente, com aquela palavra amiga, com aquele ombro solidário para saber ouvir as queixas de quem sofre, com a palavra que anima e incentiva a  seguir a estrada, com a doação não apenas do que é supérfluo, mas sim também do que nos é necessário, quando o outro se ache mais necessitado que nós. Que nossas críticas sejam para criticarmos nossos atos, nossas más tendências, nossos vícios, nosso orgulho e nosso egoísmo e assim ficarmos vigilantes para não incidirmos nem nos reincidirmos, nos mesmos erros e assim fazendo conseguiremos talvez carimbar o passaporte para esse novo mundo que se descortina e no qual iremos a passos largos em direção ao Pai.