LUCROS
“E o
que tens ajuntado para quem será?” — Jesus. (LUCAS, capítulo 12, versículo 20.)
Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação de ganhar. O
espírito de lucro alcança os setores mais singelos. Meninos, mal saídos da
primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma
coisa. A atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a
desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de experimentarem a mina
lucrativa. Nesse sentido, a maioria das criaturas converte a marcha evolutiva
em corrida inquietante.
Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço,
a verdade aguarda o homem e interroga:
— Que trouxeste?
O infeliz responderá que reuniu vantagens materiais, que se esforçou por
assegurar a posição tranqüila de si mesmo e dos seus.
Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre, que as vitórias
são derrotas fragorosas. Não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos
bens eternos.
Atingida semelhante equação, o viajor olha para
trás e sente frio. Prende-se, de maneira inexplicável, aos resultados de tudo o
que amontoou na Crosta da Terra. A consciência inquieta enche-se de nuvens e a
voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos: Pobre de ti, porque teus lucros foram
perdas desastrosas! “E o que tens ajuntado para quem será?”
O que será que nos diz Jesus acerca de
juros? Temos que considerar que os ensinamentos do Mestre, têm que ser
estudados com a profundidade que merecem. Suas lições servem pra todas as
épocas, para todas as almas, sejam elas encarnadas ou não e são eternas.
Emanuel, neste texto alarga nossa visão,
para o que Jesus quis dizer.
Vamos então analisar a palavra:
LUCROS: benefício conquistado de alguma
situação ou tarefa;
(economia) diferença
positiva em um investimento ou operação de compra e venda.
Essas são as definições da palavra
lucros no dicionário da língua portuguesa. Mas será que é somente isso o que
significa a palavra lucros? Será que nós sabemos o significado dessa palavra,
sob a ótica do espiritismo? Será que sabemos o significado em toda sua
abrangência?
Jesus ao lançar essa indagação, que
Lucas nos traz no seu evangelho, nos pergunta o real motivo de usar e buscar
esses lucros.
É importante observar que Jesus não nos
indaga sobre o uso desses lucros no mundo material como ricos e poderosos. E
Ele assim o faz, porque Jesus é um conselheiro, um médico de almas, a Ele
interessa o espírito não a matéria. Seu objetivo é disseminar o amor e instruir
o que fazer para ficarmos ricos sim de valores morais, para lucrarmos com o uso
do amor.
Os lucros que o Mestre nos indaga, são
aqueles que são as virtudes do espírito, aqueles que levamos conosco quando
desencarnamos e voltamos para a nossa verdadeira pátria, que sabemos ser o
mundo espiritual. Quando Ele nos indaga para quem estamos amealhando refere-se
às virtudes que tem valor no mundo espiritual e que podem nos fazer
verdadeiramente felizes.
Emanuel nos fala que ainda hoje a
humanidade gasta suas energias em busca constante de tesouros que tornem ricos
os homens na vida material. Busca-se o ter e não o ser. Vive-se o ditado “não
interessa o meio para chegar ao fim”.
Nessa conquista o Ego infla-se e na
maioria das vezes a pessoa torna-se egoísta, avaro, obsecado pelo dinheiro,
pelos lucros materiais.
Será que é isso que Jesus espera de nós?
Será que vale a pena perder noites no
afã de obter mais?
Esses lucros feitos na matéria em prol
de nós mesmos e dos nossos familiares vai nos engrandecer espiritualmente?
Estamos vendo que atualmente os valores
deturpados já surgem na infância, com as crianças e jovens querendo sempre
mais. Querendo o melhor celular, o melhor PC, o melhor notebook, games de
última geração e é muito triste ver que a nova geração traz o egoísmo em si. A vontade do ter e não
do ser.
Julgamos o jovem e as crianças e não
levamos em conta que cabe a nós como pais, como, família, como professores
darmos as lições e exemplos de conduta moral e ética
Ao jovem fica cada vez mais difícil a
tomada da decisão do que ele quer ser, pois não se pergunta qual seu sonho
profissional. Não, o que se faz é perguntar se sua escolha profissional vai gerar
grandes lucros materiais.
Cabe a nós espíritas, ensinarmos as
nossas crianças e jovens qual é o real tesouro no mundo espiritual, Sabemos que
somente as virtudes e o uso que fizermos delas com o próximo nas diversas
encarnações que passamos é que tem valor.
Devemos usar os ensinamentos e exemplos
do Mestre. Não esqueçamos que Jesus nos ensinou para que aplicássemos suas
lições em nossa vida e que replicássemos esses conhecimentos para todas as
gerações vindouras. É o mínimo que podemos fazer, por quem se doou, por
completo, para que fossemos felizes, para que nossa estrada em busca da
perfeição fosse menos árida.
Deus não nos proíbe de termos sucesso,
de sermos ricos, mas devemos usar o nosso crescimento para ajudarmos o próximo,
para fazer uma humanidade melhor. A verdadeira caridade consiste em
compartilhar os lucros e assim fazendo ficamos felizes, pois não podemos ser
felizes quando nosso próximo sofre com pobreza, com fome, com frio.
Somos instruídos a progredirmos
profissionalmente, afim de que possamos prover a nós e a nossa família dos
itens que julgamos ser necessária a nossa providência e nesse pacote incluímos
o necessário e o supérfluo como se necessário fosse. Temos que entender que com
diz a palavra, supérfluo é aquilo que não nos falta para viver e, portanto deve
ser doado ou para ajudar a ciência, para diminuir o sofrimento dos que
necessitam.
Todos nós iremos retornar ao mundo
espiritual, pois sabemos que lá é nossa verdadeira morada e quando lá
chegarmos, sendo quem somos, uma vez que lá não existem máscaras nos
defrontaremos com a verdade inqusitora, que perguntará :
- Que fizestes meu filho, que riquezas,
que tesouros, que lucros trouxestes?
Será que diremos que somente juntei
tesouros para mim e para minha família? Ou direi, trabalhei em prol do próximo.
Temos que observar que nem sempre aquilo
que é um tesouro na terra é uma riqueza no céu.
A pobreza, a miséria, quando vivida com
resignação, aceitação, humildade, gratidão pela vontade de Deus é na
espiritualidade, uma jóia de rara beleza, pois serve de ferramenta para
evolução nossa e daqueles que nos rodeiam. Assim fazendo, seguimos o exemplo do
Mestre que nada tinha de tesouros materiais, mas era um milionário de espírito
e essa riqueza repartiu conosco.
A pobreza, a dor, a doença é aquela que
nos faz repensar e aquilatar os valores da vida e assim concluímos que estamos
aqui para crescer e evoluir como espírito imortal.
Muitas vezes aquela pobreza, aquela
miséria, aquela lágrima é o tesouro, que vai nos fazer crescer nos céus.
Ainda temos um posicionamento invertido
daquilo que vai nos trazer felicidade. Causa espanto quando vimos espíritas que
tecem um lençol de lamúrias, se posicionando como sofredores ao ser acometidos
de uma doença, um mal, um revés na vida, ignorando totalmente como proceder
como cristão e como espírita em frente às provas.
Essas provas, somos nós mesmos que
escolhemos, quando reencarnamos, ou seja, esses revezes são para nós o remédio
âmago que nossa alma precisa para evoluir.
Já sabemos que Jesus com seus exemplos e
lições, não nos mostrou, nem disse que viemos para cá para amealhar tesouros,
dinheiro, poder somente para nós e nosso circulo familiar. Isto é apequenar a
missão de Jesus, em
verdade Ele nos diz que estamos aqui para distribuirmos
valores aos que necessitam, para distribuirmos amor a todos, sem preconceitos,
amor fraternal, puro, com prática da verdadeira caridade, seja ela para o
físico ou para o espírito, compartilhando o abraço, o afago, o ombro amigo.
Esses sim são valores que geram lucros.
Se assim procedermos, quando da
reentrada na pátria espiritual, poderemos mostrar os lucros, quando formos
inquiridos: - Filho querido que tesouros amealhastes e que lucros trazes contigo?
No Evangelho Segundo o Espiritismo,
capítulo V – Bem Aventurados os Aflitos, lá está O MAL É O REMÉDIO, que nos
diz, que não apenas devemos reconhecer a mão de Deus, quando nos cobre de
vitórias, de poder, de dinheiro, pois as vezes o que vai curar as imperfeições
de nossa alma é aquela pobreza, aquela miséria, aquela doença, aquele demorado
desemprego que bate em nossa porta ofertadas, pela mão divina, para curarmos o
mal do egoísmo, do orgulho, da inveja, da soberba.
Para encerrarmos a exposição de hoje,
devemos refletir e nos conscientizarmos que somos espíritos viajantes, eternos,
que reencarnamos por diversas vezes e que vivenciamos pobreza e riqueza e, no
entanto, ainda estamos num planeta de provas e expiações, pois cultuamos o
Orgulho e o Egoísmo. Usamos nossos lucros somente em prol de nós mesmos e do
nosso núcleo familiar, sendo que já está na hora de nudarmos, pois temos
conhecimento para isso.
É hora de abraçar o Evangelho de Jesus,
se não por nós, que façamos por Ele, que não cansa de estar sempre conosco nos
cuidando, seja com riqueza, pobreza,
doença ou revezes, para que possamos crescer e evoluir e caminhar em direção a
perfeição.
O caminho para que não façamos de nossos
lucros, perdas desastrosas é seguir os passos do Mestre, usando nossos lucros
para amparar o próximo e fazer evoluir a humanidade.
Então quando desencarnarmos e
conscientes dos bons usos que aplicamos aos nossos tesouros e lucros, poderemos
responder de cabeça erguida:
“E o que tens ajuntado, para quem
será.

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