quinta-feira, 28 de novembro de 2019

LUCROS






LUCROS

“E o que tens ajuntado para quem será?” — Jesus. (LUCAS, capítulo 12, versículo 20.)

Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação de ganhar. O espírito de lucro alcança os setores mais singelos. Meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. A atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de experimentarem a mina lucrativa. Nesse sentido, a maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante.
Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e interroga:
— Que trouxeste?
O infeliz responderá que reuniu vantagens materiais, que se esforçou por assegurar a posição tranqüila de si mesmo e dos seus.
Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre, que as vitórias são derrotas fragorosas. Não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos.
Atingida semelhante equação, o viajor olha para trás e sente frio. Prende-se, de maneira inexplicável, aos resultados de tudo o que amontoou na Crosta da Terra. A consciência inquieta enche-se de nuvens e a voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos: Pobre de ti, porque teus lucros foram perdas desastrosas! “E o que tens ajuntado para quem será?”


O que será que nos diz Jesus acerca de juros? Temos que considerar que os ensinamentos do Mestre, têm que ser estudados com a profundidade que merecem. Suas lições servem pra todas as épocas, para todas as almas, sejam elas encarnadas ou não e são eternas.
Emanuel, neste texto alarga nossa visão, para o que Jesus quis dizer.

Vamos então analisar a palavra:
LUCROS: benefício conquistado de alguma situação ou tarefa;
                     (economia) diferença positiva em um investimento ou operação de compra e venda.

Essas são as definições da palavra lucros no dicionário da língua portuguesa. Mas será que é somente isso o que significa a palavra lucros? Será que nós sabemos o significado dessa palavra, sob a ótica do espiritismo? Será que sabemos o significado em toda sua abrangência?
Jesus ao lançar essa indagação, que Lucas nos traz no seu evangelho, nos pergunta o real motivo de usar e buscar esses lucros.
É importante observar que Jesus não nos indaga sobre o uso desses lucros no mundo material como ricos e poderosos. E Ele assim o faz, porque Jesus é um conselheiro, um médico de almas, a Ele interessa o espírito não a matéria. Seu objetivo é disseminar o amor e instruir o que fazer para ficarmos ricos sim de valores morais, para lucrarmos com o uso do amor.
Os lucros que o Mestre nos indaga, são aqueles que são as virtudes do espírito, aqueles que levamos conosco quando desencarnamos e voltamos para a nossa verdadeira pátria, que sabemos ser o mundo espiritual. Quando Ele nos indaga para quem estamos amealhando refere-se às virtudes que tem valor no mundo espiritual e que podem nos fazer verdadeiramente felizes.
Emanuel nos fala que ainda hoje a humanidade gasta suas energias em busca constante de tesouros que tornem ricos os homens na vida material. Busca-se o ter e não o ser. Vive-se o ditado “não interessa o meio para chegar ao fim”.
Nessa conquista o Ego infla-se e na maioria das vezes a pessoa torna-se egoísta, avaro, obsecado pelo dinheiro, pelos lucros materiais.
Será que é isso que Jesus espera de nós?
Será que vale a pena perder noites no afã de obter mais?
Esses lucros feitos na matéria em prol de nós mesmos e dos nossos familiares vai nos engrandecer espiritualmente?
Estamos vendo que atualmente os valores deturpados já surgem na infância, com as crianças e jovens querendo sempre mais. Querendo o melhor celular, o melhor PC, o melhor notebook, games de última geração e é muito triste ver que a nova geração traz o egoísmo em si. A vontade do ter e não do ser.
Julgamos o jovem e as crianças e não levamos em conta que cabe a nós como pais, como, família, como professores darmos as lições e exemplos de conduta moral e ética
Ao jovem fica cada vez mais difícil a tomada da decisão do que ele quer ser, pois não se pergunta qual seu sonho profissional. Não, o que se faz é perguntar se sua escolha profissional vai gerar grandes lucros materiais.
Cabe a nós espíritas, ensinarmos as nossas crianças e jovens qual é o real tesouro no mundo espiritual, Sabemos que somente as virtudes e o uso que fizermos delas com o próximo nas diversas encarnações que passamos é que tem valor.
Devemos usar os ensinamentos e exemplos do Mestre. Não esqueçamos que Jesus nos ensinou para que aplicássemos suas lições em nossa vida e que replicássemos esses conhecimentos para todas as gerações vindouras. É o mínimo que podemos fazer, por quem se doou, por completo, para que fossemos felizes, para que nossa estrada em busca da perfeição fosse menos árida.
Deus não nos proíbe de termos sucesso, de sermos ricos, mas devemos usar o nosso crescimento para ajudarmos o próximo, para fazer uma humanidade melhor. A verdadeira caridade consiste em compartilhar os lucros e assim fazendo ficamos felizes, pois não podemos ser felizes quando nosso próximo sofre com pobreza, com fome, com frio.
Somos instruídos a progredirmos profissionalmente, afim de que possamos prover a nós e a nossa família dos itens que julgamos ser necessária a nossa providência e nesse pacote incluímos o necessário e o supérfluo como se necessário fosse. Temos que entender que com diz a palavra, supérfluo é aquilo que não nos falta para viver e, portanto deve ser doado ou para ajudar a ciência, para diminuir o sofrimento dos que necessitam.
Todos nós iremos retornar ao mundo espiritual, pois sabemos que lá é nossa verdadeira morada e quando lá chegarmos, sendo quem somos, uma vez que lá não existem máscaras nos defrontaremos com a verdade inqusitora, que perguntará :
- Que fizestes meu filho, que riquezas, que tesouros, que lucros trouxestes?
Será que diremos que somente juntei tesouros para mim e para minha família? Ou direi, trabalhei em prol do próximo.
Temos que observar que nem sempre aquilo que é um tesouro na terra é uma riqueza no céu.
A pobreza, a miséria, quando vivida com resignação, aceitação, humildade, gratidão pela vontade de Deus é na espiritualidade, uma jóia de rara beleza, pois serve de ferramenta para evolução nossa e daqueles que nos rodeiam. Assim fazendo, seguimos o exemplo do Mestre que nada tinha de tesouros materiais, mas era um milionário de espírito e essa riqueza repartiu conosco.
A pobreza, a dor, a doença é aquela que nos faz repensar e aquilatar os valores da vida e assim concluímos que estamos aqui para crescer e evoluir como espírito imortal.
Muitas vezes aquela pobreza, aquela miséria, aquela lágrima é o tesouro, que vai nos fazer crescer nos céus.
Ainda temos um posicionamento invertido daquilo que vai nos trazer felicidade. Causa espanto quando vimos espíritas que tecem um lençol de lamúrias, se posicionando como sofredores ao ser acometidos de uma doença, um mal, um revés na vida, ignorando totalmente como proceder como cristão e como espírita em frente às provas.
Essas provas, somos nós mesmos que escolhemos, quando reencarnamos, ou seja, esses revezes são para nós o remédio âmago que nossa alma precisa para evoluir.
Já sabemos que Jesus com seus exemplos e lições, não nos mostrou, nem disse que viemos para cá para amealhar tesouros, dinheiro, poder somente para nós e nosso circulo familiar. Isto é apequenar a missão de Jesus, em verdade Ele nos diz que estamos aqui para distribuirmos valores aos que necessitam, para distribuirmos amor a todos, sem preconceitos, amor fraternal, puro, com prática da verdadeira caridade, seja ela para o físico ou para o espírito, compartilhando o abraço, o afago, o ombro amigo. Esses sim são valores que geram lucros.
Se assim procedermos, quando da reentrada na pátria espiritual, poderemos mostrar os lucros, quando formos inquiridos: - Filho querido que tesouros amealhastes e que lucros trazes  contigo?  
No Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V – Bem Aventurados os Aflitos, lá está O MAL É O REMÉDIO, que nos diz, que não apenas devemos reconhecer a mão de Deus, quando nos cobre de vitórias, de poder, de dinheiro, pois as vezes o que vai curar as imperfeições de nossa alma é aquela pobreza, aquela miséria, aquela doença, aquele demorado desemprego que bate em nossa porta ofertadas, pela mão divina, para curarmos o mal do egoísmo, do orgulho, da inveja, da soberba.
Para encerrarmos a exposição de hoje, devemos refletir e nos conscientizarmos que somos espíritos viajantes, eternos, que reencarnamos por diversas vezes e que vivenciamos pobreza e riqueza e, no entanto, ainda estamos num planeta de provas e expiações, pois cultuamos o Orgulho e o Egoísmo. Usamos nossos lucros somente em prol de nós mesmos e do nosso núcleo familiar, sendo que já está na hora de nudarmos, pois temos conhecimento para isso.
É hora de abraçar o Evangelho de Jesus, se não por nós, que façamos por Ele, que não cansa de estar sempre conosco nos cuidando, seja com  riqueza, pobreza, doença ou revezes, para que possamos crescer e evoluir e caminhar em direção a perfeição.
O caminho para que não façamos de nossos lucros, perdas desastrosas é seguir os passos do Mestre, usando nossos lucros para amparar o próximo e fazer evoluir a humanidade.
Então quando desencarnarmos e conscientes dos bons usos que aplicamos aos nossos tesouros e lucros, poderemos responder de cabeça erguida:
“E o que tens ajuntado, para quem será. 

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