sexta-feira, 18 de setembro de 2020

BEM AVENTURADOSOS AFLITOS


 

 

 BEM AVENTURADOS OS AFLITOS


 

Vimos que as aflições existem aplicadas a todos os homens, principalmente no que tange ao nosso orbe, afinal somos um planeta de expiações e provas, conforme consta no Evangelho, cap. III, parágrafo 15.

De acordo com os atos e decisões, tomados por nós, orientando nossas escolhas, no uso do nosso livre arbítrio, vamos fazendo males, que irão gerar conseqüências, ou seja, aflições.

Jesus nos diz: Bem Aventurados os aflitos, pois serão consolados. Mas serão todos os aflitos bem aventurados? O espiritismo nos diz que não, pois sabemos que somos a causa dos fatores que geram as aflições.

Estamos nos referindo às aflições obtidas nesta vida presente, uma vez que os males não são somente de outras vidas passadas, mas sim das presentes, onde o dito popular nos diz: o que aqui se faz aqui se paga.

É no dia a dia, nas pequenas coisas, que vamos construindo as aflições, que se não observadas se agigantam e transformam-se em sofrimento. Como exemplo, citamos a indisciplina nos horários, no comer, no beber.

Enfim todos os excessos que extrapolam e assim terminam com nossa saúde física e mental. Temos que cuidar através da vigilância de não gerirmos aflições, que podem ser a inveja, o rancor, os preconceitos, o apego aos bens materiais.

 

E o que dizer das aflições que parecem a princípio um mal estranho, não explicável, ou mesmo uma fatalidade do destino, fatos estes, que aqueles que desconhecem a verdadeira fé, julgam como injustiça divina. Aqui citamos:

Perda de entes queridos e também daqueles que são os provedores da família;

Acidentes que não se podem prever;

Perdas de fortunas, embora estivessem cercadas de todas as precauções possíveis;

Os flagelos naturais (tsunami, tornados, terremotos, etc.)

Enfermidades de nascença, que impossibilitam de se ganhar a vida pelo trabalho;

Deformidades, idiotia, autismo, cretinismo e tantas outras.

Assim os incrédulos, não conseguem entender, nem explicar, porque seres são tão desgraçados, ao lado de outros com tanto, às vezes na mesma família. E o que dizer das crianças que morrem em tenra idade e só puderam conhecer sofrimentos, não tendo nem tempo para cometerem deslizes. Esses infortúnios geram naqueles que não tem conhecimento das leis da espiritualidade, a dúvida na justiça e na bondade do criador.

Mas sabemos que o Pai é infinitamente bom e justo e como nas leis naturais não existe efeito sem causa, a dedução lógica é que nós somos a causa das aflições e que se estas aflições não decorrem desta vida, hão de se ser de outras. Assim é na pluralidade das existências nas infinitas encarnações que encontramos respostas para as aflições aparentemente sem razão de ser.

Os sofrimentos decorridos de causas anteriores a presente, são a conseqüência de faltas cometidas em outras vidas e ninguém escapa de uma rigorosa e coerente justiça, assim aquele que sofre hoje esta também expiando faltas do passado.

Deus, associando bondade e justiça permite que as aflições não se tornem um fardo pesado numa única encarnação e com isso por sermos almas imortais e estarmos em um mundo de provas e expiações, são as faltas divididas em muitas encarnações, até que seja expiado todo o passado.

Então o mau que é próspero o será momentaneamente, pois se não expiar hoje, será amanhã:

Aquele que foi duro e desumano poderá ser tratado com dureza e desumanidade;

Se foi orgulhoso, poderá nascer em humilhante condição;

Se foi avaro, egoísta ou fez mau uso de suas riquezas, poderá vir privado do necessário;

Se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de seus filhos, etc.

Conclui-se então que as aflições, não são castigos, mas lições em formato de expiações e provas, que visam saldarmos os débitos do pretérito e nos fazerem aprender um correto proceder para o futuro.

Visto estes pontos, fica a pergunta: Então quem são os aflitos merecedores da bem aventurança do que Cristo nos fala?

Bem aventurados são aqueles, que em meio às aflições, ou sofrimentos, entendem que é justo o que estão passando, pois são resgates dos erros cometidos e com isso enfrentam as provas e expiações sem queixumes, sem culpar a providência, muito pelo contrário, agradecendo a Deus a oportunidade de se regenerarem. Se não tivermos uma postura de entendermos as aflições como lições para a vida e usarmos esse entendimento para nos regenerarmos, não estaremos inseridos no contexto de bem aventurança, dito pelo Mestre. Ou seja, aqueles que seguem os ensinamentos e o exemplo do Mestre, fazendo dos seus atos uma conduta cristã, serão os aflitos bem aventurados.

 

 

Então cabe unicamente a nós transformarmos nossas aflições em um presente de Deus, que só quer nosso bem e que ao mudar nosso posicionamento, conseguimos ver que nossas existências nas inúmeras reencarnações são fugazes, quando inseridas na eternidade. E com resignação conseguiremos tornar proveitoso o sofrimento e não estragar o fruto com impaciências para não termos que recomeçar.

 

 

                  

           

terça-feira, 21 de julho de 2020

MUNDOS DE PROVASE EXPIAÇÕES


MUNDOS DE PROVAS E EXPIAÇÕES



                       Hoje vamos ver o tema MUNDOS DE EXPIAÇÕES E PROVAS, capítulo III, itens 13, 14 e 15 do EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, DE Allan Kardec.
           

                O que devemos entender, por mundos de provas e expiações?
                       Jesus diz que há várias moradas na casa do Pai, que é o Universo, e que as moradas dos espíritos são os inúmeros planetas habitados que foram criados por Deus para povoar a sua criação.
                A classificação espírita divide os mundos em 5 principais categorias, conforme o grau de evolução material e moral dos habitantes destes planetas.
  • Mundos Primitivos
  • Mundos de Expiação e Provas               
  • Mundos Regeneradores
  • Mundos Felizes
  • Mundos Celestes ou Divinos
             Então Mundos de Expiações e Provas: é a situação atual do nosso planeta, que nos oferece o exemplo de um dos tipos de mundos expiatórios.
              Os espíritos têm que lutar ao mesmo tempo contra a perversidade dos homens e a inclemência da natureza.
              O mal predomina sobre o bem, e conseqüentemente o sofrimento predomina sobre a felicidade.
          Os espíritos aí encarnados têm que expiar, ou seja, consertar erros do passado, de outras encarnações, e ao mesmo tempo passar por provações, cujo objetivo é fazer evoluir as qualidades do coração e da inteligência.
                     Conclui-se então que são dois objetivos que norteiam a destinação da Terra. São eles:
                   EXPIAÇÃO: O Homem não é punido, portanto, sempre, ou completamente na sua existência presente, mas jamais escapa das consequências de suas faltas. Toda dificuldade, problema, doenças provenientes de atos errados que fizemos em uma vida passada. Pois para toda ação existe uma reação, e para uma ação ruim vem uma reação ruim em forma de sofrimentos e dores. Nós nem sempre recebemos estas reações na mesma vida que praticamos o erro, então elas ficarão para o resgate em uma próxima reencarnação. É assim que age a justiça divina, que tem o objetivo maior de ensinar e nunca de castigar.
           PROVAÇÃO: As provas têm por fim exercitar a inteligência, assim como a paciência e a resignação.  São também frutos das atitudes dos outros com quem interagimos. São situações que passamos e que têm a finalidade de exercitar a nossa inteligência, paciência e a nossa resignação. Não têm, necessariamente, nada a ver com atos que fizemos em outras encarnações, mas sim, são frutos de atitudes que tomamos ou deixamos de tomar nesta colocados a conviver nesta vida. Por isso que é necessário compreendermos o que estamos fazendo aqui para aceitarmos melhor as pequenas alfinetadas diárias que a vida nos oferece, e que visam nos educar


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“Ai do mundo por causa dos escândalos, porque é necessário que venham os escândalos, mas ai daquele homem por que os escândalos vêm” (Mateus l8:7).
                 Escândalos: Nesta passagem Jesus afirma que os sofrimentos são necessários no estágio atual do nosso planeta, pois há espíritos atrasados que causam as dores e outros espíritos também atrasados que precisam passar por isto para o seu aprendizado. Mas ai daquele que faz o seu semelhante sofrer, pois ele colherá frutos amargos das sementes ruins que plantou durante a sua vida aqui neste planeta.
“Em verdade vos digo, que tudo o que ligardes na terra, será ligado no céu e tudo o que desligardes na terra, será desligado no céu” (Mateus l8:l8).
                 Esta frase de Jesus confirma que só encarnados é que consertaremos os erros que cometemos. E é na matéria que iremos aplicar os conhecimentos que aprendemos, mudando o nosso espírito e superando os nossos limites morais e intelectuais.
                Que nossa felicidade estará ligada naquilo que mais estimarmos, ou seja, se gostarmos mais das coisas da terra do que das do espírito, nossa paz dependerá de como estiver a situação material por qual estivermos passando.
                E como a vida na matéria é inconstante, nossa felicidade também será assim. Ao passo que se tivermos nosso coração, nossos desejos, principalmente na parte espiritual, nas coisas de Deus, alcançaremos a paz de espírito, pois o que vem do céu é constante. Ou seja, só porque estamos encarnados nesta fantástica escola chamada Terra, não significa que estamos fadados a sermos infelizes. Felicidade é um estado de espírito e se observarmos aquilo que nos foi ensinado pelo Mestre, seremos felizes e as provas, as expiações,  as pandemias serão usadas por nós para crescermos na prática da resignação, da resiliência, da aceitação, da caridade, da misericórdia, da piedade com fé e com esperança.
“A Terra chegou a um de seus períodos de transformação, e vai passar de um mundo expiatório a mundo regenerador. – Então os homens encontrarão nela a felicidade, porque a Lei de Deus a governará” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. III, item 19).
                Usando esta frase do Evangelho Segundo o Espiritismo, temos que, salientar, que a Terra está perto de uma de suas fases de transição e que só ficarão aqui espíritos que tiverem merecimentos para viverem em um mundo mais civilizado, onde o bem predominará sobre o mal. Os indivíduos trabalharão primeiro para o bem coletivo e depois pensando na individualidade. Mas, como a natureza não dá saltos, situações difíceis acontecerão na vida das pessoas, para separar joio do trigo. E quem persistir no bem, não se deixando levar pelas imperfeições, poderá encontrar a paz de espírito que tanto busca.
                Somos espíritos imortais, Deus nos criou para sermos felizes e a nossa meta é a angelitude e a cocriação de sua obra, numa feliz e eterna comunhão. Que para tal é necessário que façamos reformas em  nossos caracteres, pensamentos e ações ao longo de inúmeras reencarnações, para nos livrarmos dos velhos vícios morais, que fomos adquirindo fazendo mau uso do nosso livre arbítrio e optando por péssimas escolhas cegos e surdos a nossa consciência. Enfim para fazermos de nossa encarnação num mundo de expiação e prova basta seguirmos o ensinamento do Cristo, “ama teu próximo como a ti mesmo e faz ao teu próximo tudo que gostaria que te fizessem”. 


quarta-feira, 20 de maio de 2020

FÉ E ESPERANÇA


 FÉ E ESPERANÇA


Hoje  iremos estudar a Fé e a Esperança.
Porém faremos uma breve explicação sobre a terrível pandemia conhecida como Corona Vírus, que se abateu sobre o nosso planeta, atingindo a todos, tornando-se o inimigo nº 1, ceifando vidas aos milhares e obrigando a mudança de hábitos, costumes, posicionamentos, políticos, intelectuais e reflexões.
Já não é mais segredo que o planeta esta passando por transformações extraordinárias tanto na área da ciência como da espiritualidade. Chegamos a um ponto em que não é importante ser e sim ter, acontecendo uma inversão de valores onde os valores materiais são a porta da felicidade. A corrupção, os crimes do colarinho branco são vistos como sinônimos de esperteza e inteligência e esquecemos que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
Se formos pesquisar em todas as religiões, na Bíblia este momento atual esta descrito, ás vezes veladamente. No Livro dos Espíritos, bem como no Evangelho Segundo o Espiritismo, obras de Allan Kardec, lá esta o nosso planeta sob a jurisdição do nosso amado Mestre Jesus, passando pelo processo de planeta de provas e expiações para tornar-se um planeta de regeneração, onde não haverá mais lugar para os egoístas, os orgulhosos e os praticantes do mal, pelo mal. Aqueles espíritos, que continuarem a persistir nos velhos hábitos, cultuando o mal, sob a bandeira do egoísmo e do orgulho, serão retirados do orbe e levados a encarnar em outros mundos de provas e expiações condizentes com sua moralidade.
Somos todos espíritos imortais e a perfeição ainda que relativa, é a meta de todos, ou seja, sermos seres angelicais, em comunhão com Deus e co-criadores de sua obra e assim alcançaremos a tão sonhada felicidade eterna e é só isto que Deus em seu amor infinito quer: nossa felicidade.
Mas para tal, é necessário que façamos reformas em nossos caracteres, pensamentos, ações ao longo de inúmeras reencarnações, para nos livrarmos dos inúmeros vícios, imperfeições morais, que fomos adquirindo fazendo mal uso do nosso livre arbítrio, optando por péssimas escolhas, cegos e surdos a nossa consciência.
Deus, na sua infinita bondade e justiça, nos deu presentes, alguns inatos em nossas almas, como o Livre Arbítrio, onde podemos decidir nossas escolhas como bem entendemos, sem a interferência desse Pai zeloso; A Consciência voltada para o que é certo  e justo e quando por nós consultada é aquele juiz inflexível e correto, que não admite erros; a Certeza de termos um ser superior criador e cuidador de nossas vidas, que esta presente em tudo, inclusive dentro de nós. A todo o momento somos presenteados pelo Criador com a encarnação de espíritos de luz em nosso meio, alavancando o progresso científico, filosófico, intelectual e moral, que nos dão ensinamentos e exemplos para serem seguidos. Permitiu a vinda do ser mais perfeito que pisou na Terra, Jesus, que veio ao Orbe para implantar o Reino do Amor, Amor a Deus, ao próximo, seja ele quem for e a prática da caridade, que é o verbo maior do amor.
Porém temos as duas maiores chagas, origem de todos os males, que são o egoísmo e o orgulho. E perseverando nessas duas imperfeições, estacionamos na estrada da evolução espiritual. No universo tudo obedece a ciclos e nossa jornada é cíclica. Por exemplo, o dia sucede a noite e vice versa continuamente, as quatro estações se sucedem sempre umas as outras, sempre, os movimentos de translação e rotação também. Nós também vivemos em ciclos que vamos chamar encarnações. Então encarnamos e desencarnamos ou vice versa, obedecendo a uma lei natural cíclica. Só que, por diversas vezes, dado nosso estado evolutivo, passamos a adquirir maus hábitos e péssimas escolhas, que fazem com que esse movimento cíclico seja reincidente e persistindo nos velhos erros, iremos reencarnar quantas vezes forem necessárias, até repararmos os erros cometidos. Aí vemos a bondade e a justiça perfeita do Criador, que está sempre nos concedendo novas oportunidades para resgate e caminhar em direção a perfeição.
E o que dizer dessa pandemia? É mais uma forma de agilizar a regeneração do planeta. Os Divinos Arquitetos, sempre estão a realizar as obras necessárias para nossa evolução. Por sermos aferrados ainda matéria, só conseguimos ver o ser humano como mortal e a vida na matéria é o que importa.
Se formos atentos, veremos que ao longo dos tempos sempre houve pandemias, tais como a peste negra, a gripe espanhola e tantas outras e agora temos o Covid19. Assim também as guerras que assolaram o globo a nível mundial cumpriram seu papel com a permissão de Deus. É de se notar que as pandemias, as guerras, os flagelos fazem com que o ser humano melhore seja cientificamente ou espiritualmente. Claro que se o ser humano fosse um ser evoluído jamais usaria a guerra, nem haveria necessidade de pandemias ou flagelos para impulsionar a sermos homens de bem.
Então com essa pandemia estamos vendo o ser humano se voltando ao lar, a cultuar  e conviver com a família, sendo solidário e mais caridoso com o próximo, observando o que Jesus tanto nos pediu, que era AMA TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO ou FAZ A TEU PRÓXIMO AQUILO QUE QUERERIAS QUE TE FIZESSEM e aqui vamos entrar no tema de hoje sobre a Fé e a Esperança usadas como ferramentas nessa pandemia.

Fé, o que entendemos de fé?

Durante muito tempo e também na nossa educação em sua maioria, foi-nos ensinado que ter fé era tão somente acreditar em Deus. Mesmo entre os aprendizes que interpretaram as palavras de Paulo erradamente. Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.
Freqüentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao homem bom.  A essa fé chamamos de fé cega, pois apenas é uma afirmação de que somos crentes em Deus e esse tipo de fé pode ser perigosa uma vez que por ser sem conhecimento tem a tendência de por vezes tornar-se um movimento fanático.
Então se fé não é simplesmente acreditar seria o que? Se formos consultar o dicionário da língua portuguesa está escrito que fé é a crença na existência ou poder de Deus. Porém, tanto em hebraico, como em grego, como em latim a palavra fé tem o mesmo significado. Em latim, a palavra fé dita Fides também significa FIDELIDADE, assim como em grego e hebraico. Portanto, se fé quer dizer fidelidade, conclui-se, que não existe fé ou fidelidade se não existir relacionamento.
Num relacionamento com Deus, não basta acreditar. Para ter fé em Deus, acreditar é o de menos. Na verdadeira fé tem que haver a entrega, tem que haver comprometimento com Deus, tem que se colocar a disposição da Providência.
Fé é estar COMPROMETIDO, Acreditar é estar envolvido.
Diferença entre acreditar e comprometer-se, aqui um exemplo: Num café da manhã com ovos, bacon a galinha esta envolvida. O ovo esta comprometido.
Acreditar é envolver-se. Pode entrar e sair a qualquer tempo. Ex.: Eu acreditava no espiritismo, agora não, ou eu sou católico, mas nunca vou a missa, ou eu sou evangélico, mas não participo de nada na minha igreja. É como a galinha deixa o ovo e vai embora.
Ter fé é entregar-se, sem entender, ás vezes, como fez Maria que se entregou totalmente aos desígnios de Deus, quando lhe apareceu um anjo anunciando a vinda do Messias e lhe pedindo apenas confiança e entrega.
Ou como fez Abraão, quando foi dito á ele, - sai da tua família e vai a terra. A terra, que sem mapas e rotas eu te mostrarei.
Primeiro você se entrega aos desígnios de Deus, depois você vai entender.
E assim no capítulo 11 da epístola aos hebreus, Paulo vai citando um por  um aqueles que deram um exemplo inigualável de fé.
Até o momento em que Jesus fazia os milagres, curas era reverenciado pelos desvalidos, respeitado pelos doutos, os apóstolos estavam apenas envolvidos, nenhum havia se comprometido. Após sua morte e ressurreição a fé desabrochou nos seus corações e aí sim passou a existir a entrega, o relacionamento, o comprometimento.
Ter fé em Deus é se relacionar com fidelidade no relacionamento.
Achamos o casamento difícil? Mas com Deus é bem mais, porque Deus é sempre o Outro e nós temos dificuldade com o outro. Nós como crianças vemos o outro como continuidade de nós mesmos. Assim como a criança, pela experiência intra-uterina vê a mãe como sua continuidade. Por isso é tão sofrido nascer. É que pelo nascimento rompe-se o vínculo simbiótico e a criança embora ainda não a veja, reconhece-a pelo cheiro e aí começa o exercício do reconhecimento do outro.
Então muitos passam a vida inteira com dificuldades de relacionamentos, por não aceitarem que o outro não é uma extensão de si mesmo. Nós temos essa dificuldade. Ás vezes nos perguntamos: - Como é que pode ele não gostar do que eu gosto? De não fazer o que eu faço? É inadmissível alguém não ter a minha opinião. Isso é relacionamento entre seres iguais.
Com Deus essa relação complica, porque Ele é absoluto e nós somos o relativo.
O difícil de se relacionar com Deus é que Ele não é previsível, você não sabe o que ele vai fazer e Deus é o Ser que decide e todo propósito de Deus se concretiza. Conforme Emanuel: - Deus não manifesta propósitos a esmo. E essa fé é o supremo desafio humano, porque chega um momento que é o teste da fé, que é a entrega. Somos capazes de nos entregarmos a esse Outro?
Kardec diz, deposita a fé em Deus. Sabendo que nada acontece sem sua permissão, ou seja, entrega-te. Acreditar ou não acreditar é apenas o início. O desafio da virtude da fé, que segundo o Evangelho, é a mãe de todas as virtudes, não é acreditar. É se entregar, se comprometer com as obras de Deus. É trabalhar pelo próximo e ser um homem de bem.
Certa vez perguntaram para Madre Tereza de Calcutá: - Madre, quando a Senhora está orando, o que a senhora fala para Deus? E ela respondeu: - Eu não falo nada só escuto. Perguntaram-lhe então: - E o que Ele fala para a senhora? Ela respondeu: -Ele não fala nada, só escuta.
Madre Tereza, esse espírito, quase angelical, entendeu que a fé não é acreditar e sim relacionar.
Nesse contexto, a fé, apoiada na esperança, nos faz encontrar forças para suportar pandemias, guerras, flagelos, tornando-se ferramentas poderosas para exercitarmos a aceitação, a resignação, a resiliência, o perdão e o amor.
Todos os dias temos que exercitar a fé divina para que ela faça parte do cotidiano de nossas vidas. Esse exercício cumpre observar o que nos diz Paulo (o apóstolo dos gentios) na Carta aos Coríntios onde ele coroa a fé como a mãe de todas as virtudes e que as virtudes da teologia são a fé, a esperança e a caridade. Sem fé perde-se a esperança e anula-se a caridade ou o amor, posto que caridade é amor.
Para encerrarmos esta exposição vou ler uma mensagem do espírito da Meimei contida no livro Cartas do Coração, psicografado por Francisco Cândido Xavier, endereçada ao seu esposo Arnaldo Rocha.


                           CONFIA SEMPRE


Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.
Ainda que teus pés estejam sangrando, segue para frente, erguendo-a por luz celeste acima de ti mesmo.
Crê e trabalha.
Esforça-te no bem e espera com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos infelizes, os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha, luta e serve.
Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite.
Hoje é possível que a tempestade te amarrote o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

                                        -x-x-x-x-x-x-


Isto,  é fé.
A pessoa de bem está nessa vibe. Na vibe da confiança. O socorro embora não seja instantâneo sempre vem. O que nos salva são as obras não a fé. Temos que refletir ouvimos ou praticamos?
Hoje somos o resultado do ontem, Temos que agir para o resultado do amanhã.





domingo, 23 de fevereiro de 2020

OPINIÕES












OPINIÕES

         
           Vimos estudando o livro CAMINHO, VERDADE  E VIDA, psicografado por Francisco Candido Xavier e ditado pelo espírito Emanuel. Este livro foi um marco na extensa obra de Emanuel, pois a partir dele, Emanuel para com os livros espirítas romanceados e passa a ditar obras pedagógicas, abrangendo o divino mestre Jesus, esmiuçando seus ensinamentos e exemplos.
            O tema  encontra-se no capítulo 80, com o título OPINIÕES.
            Cumpre informar que esta exposição foi baseada:
No livro VINHAS DE LUZ, de Francisco Xavier e Emanuel – Nos textos Falatórios e Porque Desdenhamos;
No livro CALMA, também de Francisco Xavier e Emanuel; 
 No LIVRO DOS ESPÍRITOS – No capítuloVII, Da Lei Sociedade,  questões 766, 767, 768;
E também em palestras de Divaldo Pereira Franco, citando Joana De Angelis.
            Afim de nos inteirarmos melhor sobre o que iremos ver, será lido o que está no livro.







OPINIÕES

“Ai de vós, quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.” — Jesus. (LUCAS, capítulo 6, versículo 26.)

Indubitavelmente, muitas pessoas existem de parecer estimável, às quais podemos recorrer nos momentos oportunos, mas que ninguém despreze a opinião da própria consciência, porqüanto a voz de Deus, comumente, nos esclarecerá nesse santuário divino.
Rematada loucura é o propósito de contar com a aprovação geral ao nosso esforço.
Quando Jesus pronunciou a sublime exortação desta passagem de Lucas, agiu com absoluto conhecimento das criaturas. Sabia o Mestre que, num plano de contrastes chocantes como a Terra, não será possível agradar a todos simultaneamente.
O homem da verdade será compreendido apenas, em tempo adequado, pelos espíritos que se fizerem verdadeiros. O prudente não receberá aplauso dos imprudentes.
O Mestre, em sua época, não reuniu as simpatias comuns. Se foi amado por criaturas sinceras e simples, sofreu impiedoso ataque dos convencionalistas. Para Maria de Magdala era Ele o Salvador; para Caifás, todavia, era o revolucionário perigoso.
O tempo foi a única força de esclarecimento geral.
Se te encontras em serviço edificante, se tua consciência te aprova, que te importam as opiniões levianas ou insinceras?
Cumpre o teu dever e caminha.
Examina o material dos ignorantes e caluniadores como proveitosa advertência e recorda-te de que não é possível conciliar o dever com a leviandade, nem a verdade com a mentira.


        Ao longo de nossa existência fazemos nossas escolhas, muitas vezes baseados em opiniões diversas. Não raro nos vemos indagando aos outros opiniões para o que vestir, o que comer, como proceder em eventos sociais, o que falar, o que pensar de fulano e cicrano, sem nos apercebermos que essa dependência de opiniões vai se tornando um vício e ficamos preguiçosos em agir por nós mesmos, como se os outros fossem os detentores da verdade e eles é quem sabem a forma certa de ser e fazer.
        Assim vamos nos anulando e nos transformando em personalidades carbono, não vivendo nossas vidas, não vencendo nossos obstáculos conforme nos propusemos, quando da nossa reencarnação. Enfim fazemos o que nos disseram em suas opiniões.
        Com isto não queremos dizer que opiniões não são válidas, ao contrário, quando ditas por bons amigos ou pelos doutos, quando o assunto é científico, têem seu valor e muitas vezes nos mostram a solução de dúvidas que temos.
        Somos criados como seres sociais, para evoluirmos interagindo uns com os outros, logo as opiniões fazem parte do nosso cotidiano. Na música Epitáfio da banda Titans, tem uma frase que diz “Queria ter aceitado as pessoas como elas são, cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração” isto nos fala da importância de aceitar, compreender e respeitar a opinião do próximo.
         Então se torna prudente que ao tecermos opiniões aos outros façamos um exame criterioso do que vamos falar para não induzirmos o próximo ao erro.
         Também devemos fazer um exame criterioso daquilo que ouvimos para que não sejamos induzidos ao erro.
          Somos seres diferenciados uns dos outros, seja pela criação que tivemos no nosso âmbito familiar, seja pelas nossas experiências vividas nessa ou em outras vidas e sendo espíritos em processo de evolução temos opiniões divergentes uns dos outros.
          Aquilo que é verdade para alguns, pode não ser para nós, uma vez que estamos sob influência do que vivemos, dos nossos costumes, religiões e aqui temos como exemplo os povos do Islã, os Indus e tantos outros com cultura e costumes totalmente diferentes dos nossos.
           Então o que fazer para solucionar as dúvidas que se abatem sobre nosso proceder?
           Simples. O Pai celestial, quando da nossa criação nos forneceu ferramentas para nossa evolução e elas estão lá guardadas na caixa de ferramentas que existe dentro de nós, só esperando serem usadas.
            Duas dessas ferramentas são fundamentais no uso das opiniões. São elas: a CONSCIÊNCIA e o LIVRE ARBÍTRIO.
             E porque são tão importantes?
             Porque em nossas consciências estão as Leis de Deus, o código moral do Evangelho de Jesus. E na consciência não tem erro, pois ela, quando indagada usa a justiça sem ser tendenciosa, ditando o certo e o que devemos fazer.
              E o Livre Arbítrio, porque ao usarmos fazemos com liberdade nossas escolhas, sejam elas erradas ou não. Porém não devemos esquecer, que a tudo iremos responder seja nesta ou noutras existências, até que se pague o último centio. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
               Joanna de Angelis nos recomenda estar atentos as opiniões dos bajuladores, assim como daqueles que nos insultam e aqui vão máximas deste espirito de Luz.
-        as opiniões são na maioria das vezes adornos;
-        sem comprovação científica a opinião não é ciência, é apenas senso comum;
-        ponto de vista é só a vista de ponto.
           Joana de Angelis ainda nos aconselha, que na convivência com opiniões contrárias devemos proceder, co paciência, aceitação e compreensão. Sorrir e deixar passar, mesmo quando houver zombaria, sem rancor ou irritação. Nestes  casos o silêncio é a melhor resposta.
           Quanto as opiniões que emitimos devemos ter mais cuidado ainda, pois Jesus dizia vemos os defeitos alheios e somos complacentes com os nossos.
           Com o advento da internet e as redes sociais o globo tornou-se uma aldeia e nesse território livre de leis coatoras opinamos sobre tudo e todos. Tecemos comentários sobre a vida alheia, guiados apenas pelo achismo e opiniões dos outros, sem tomar o cuidado de saber a verdade, sem o conhecimento de causa.
            Joana de Angelis ainda nos diz que temos que evitar o julgamento das multidões, pois existe um ditado que diz que a turba tem uma só cabeça inflamada, mas embotada de discernimento.
             Para concluirmos, no que diz respeito a opiniões, vamos fazer  como o Mestre Jesus, que quando opinou era para aconselhar; atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecados, ou faz ao teu próximo aquilo que queres que te façam, ou a párabola do argueiro no olho. Enfim o mestre é a resposta para tudo e com nossa consciência orientada pelos seus ensinamentos, nossas opiniões serão de valor.



quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

TRANSITORIEDADE





TRANSITORIEDADE


Baseado no livro “Caminho, Verdade e Vida” escrito por Francisco Candido Xavier e ditado pelo espírito Emanuel. 
A título de curiosidade, este livro é um divisor de águas na extensa obra de Emanuel, uma vez que ele havia ditado a Francisco Cândido Xavier, livros espíritas romanceados, abrangendo todos assuntos que aplicassem o Espiritismo no cotidiano da vida ao longo do tempos. Eis que, com o livro Caminho, Verdade e vida e todos outros que se fizeram, Emanuel passa de forma profunda e quase didática  a explicar a visão do Cristo nos seus ensinamentos e exemplos.
Hoje o tema proposto para esta tarde se chama TRANSITORIEDADE e esta no capítulo 72 do referido livro.


Sabemos que a palavra, transitório, significa fugaz, provisório, passageiro e assim podemos dizer que somos produto da transitoriedade de idas e vindas em nossas diversas reencarnações.
Essa transitoriedade se faz necessária para nossa evolução espiritual, uma vez que só reencarnando poremos á prova aquilo que aprendemos e que nos propusemos, quando na erraticidade a fazer quando encarnados, a fim de buscar a perfeição.
Porém quando aqui chegamos como almas encarnadas, nós sofremos o esquecimento, que Deus nos impõe, por amor infinito, para que não tenhamos recordações do que fizemos, ou de quem fomos, pois seria um caos se não fosse assim, ódios, mágoas, orgulho e egoísmos despertos só iriam nos fazer mal.
Então chegados como espíritos reencarnados, trazemos o desejo de reforma íntima e o entendimento de resgate no processo rencarnatório, mas, conosco vem aquilo que fomos em outras vidas, a bagagem dos velhos vícios, as imperfeições para serem buriladas e eliminadas na vida presente.
É nessa hora que se descobre aquele que quer se reformar, pois hipnotizados pelas armadilhas do mundo material, distorcemos os valores espirituais e ficamos a mercê das paixões vulgares, que também são transitórias, e nada nos acrescentam e corremos em busca do dinheiro fácil, do sexo sem amor, das vaidades, do egoísmo.
Aí quando desencarnamos, nos damos conta dos desvarios e vamos amargar o sofrimento da culpa e do remorso, do que havíamos nos comprometido fazer e não fizemos.
Embora estejamos, quando encarnados, esquecidos de quem fomos, Deus nos dá ferramentas para não incidirmos no mal. Como exemplo, temos a nossa incorruptível consciência, nos apontando o que é certo e o que é errado, basta somente perguntar. Os ensinamentos dos espíritos de luz que povoam no orbe terrestre e o maior de todos, Jesus Cristo, que nos deu a vida por amor, nos deu um evangelho que é a bússola para nos guiar para perfeição e mais, nos deu exemplos servindo como modelo do que devemos ser.  E Deus além de tudo nos dá sempre infinitas oportunidades para praticar o bem, exercer o amor, seguir os passos do Mestre. E com o proceder correto nos transformamos em homens de bem a caminho da perfeição.
Temos que nos conscientizar que tudo na vida material é transitório, tudo que nasce, morre obedecendo as Leis do Criador, só não morre o espírito, pois somos eternos, portanto, imortais. Nossa carne é apenas uma roupagem, que nos é emprestada a cada reencarnação para usarmos no mundo material e evoluir.
Tudo na natureza esta interligado. Todos os reinos, mineral, vegetal, animal e espiritual obedecem a ciclos transitórios e esses ciclos é a engrenagem laboriosamente organizada pelos arquitetos divinos para a constante evolução. Assim vemos a transitoriedade como uma lei natural aplicada em tudo no universo.
Nosso planeta esta ascendendo para planeta de regeneração e assim como ele quantos mais estarão elevando-se ou mesmo desaparecendo para dar lugar a outros neste universo infinito cheio de incontáveis planetas, sois, estrelas, satélites, galáxias tudo cheio de vida, muitos mundos de matéria quintessênciada, invisíveis, imperceptíveis, inteligentes ou não; evoluídas ou em processo de evolução, mas todas pulsantes de vida, também seguindo o curso de suas transitoriedades na busca da perfeição.
Na questão 626 do Livro dos Espíritos diz que devemos estudar a natureza, pois ela é o livro que Deus escreveu e que mostra a transitoriedade de tudo. Ficamos cientes da efemeridade das coisas da matéria. Aportamos aqui trazendo apenas impressões do certo e errado nos atos praticados em vidas passadas e nos aprendizados da erraticidade.
Temos ainda como ferramenta maior a liberdade que nos deu o Criador ao nos conceder o livre arbítrio, que iremos usar conforme nossas escolhas. Se direcionarmos nossas escolhas para coisas efêmeras iremos apenas colher frustrações e enganos.
Criamos conflitos quando nos apegamos a objetos, títulos, a fama, ao poder e ao dinheiro uma vez que são tesouros do mundo material, portanto, passageiros não constituindo tesouro de valor no mundo espiritual.
Resumindo, para evitar as reincidências na transitoriedade de nossas reencarnações cumpre que façamos a reforma íntima.
E como fazer a reforma íntima?
- primeiro temos que ter serenidade e não ficarmos nos cobrando dos erros em encarnações passadas ou na presente. Seguir em frente objetivando reforma;
- segundo eliminar o sentimento de rancor e ódio seja ele direcionado a qualquer um ou a situações, pois o rancor gera mágoas, que por sua vez geram depressões e doenças físicas e espirituais;
- terceiro é imprescindível saber quem somos. Perguntarmos-nos porque agimos e reagimos dessa ou daquela maneira. Questionarmos-nos sobre os nossos atos durante o dia, fazendo como Santo Agostinho;
- e quarto seguir as orientações de Jesus, usá-lo como modelo para nossa reforma, observando o que Ele dizia: “Onde esta teu coração, ali estará o teu tesouro”.
Esses passos são a resposta que precisamos para seguir o caminho do bem, fazendo o bem para que nossas transitoriedades sejam sempre em uma linha de evolução constante em rumo a evolução.