Vimos que as
aflições existem aplicadas a todos os homens, principalmente no que tange ao
nosso orbe, afinal somos um planeta de expiações e provas, conforme consta no
Evangelho, cap. III, parágrafo 15.
De acordo com os atos e decisões, tomados por nós,
orientando nossas escolhas, no uso do nosso livre arbítrio, vamos fazendo
males, que irão gerar conseqüências, ou seja, aflições.
Jesus nos diz: Bem Aventurados os aflitos, pois serão
consolados. Mas serão todos os aflitos bem aventurados? O espiritismo nos diz
que não, pois sabemos que somos a causa dos fatores que geram as aflições.
Estamos nos referindo às aflições obtidas nesta vida
presente, uma vez que os males não são somente de outras vidas passadas, mas
sim das presentes, onde o dito popular nos diz: o que aqui se faz aqui se paga.
É no dia a dia, nas pequenas coisas, que vamos
construindo as aflições, que se não observadas se agigantam e transformam-se em
sofrimento. Como exemplo, citamos a indisciplina nos horários, no comer, no
beber.
Enfim todos os excessos que extrapolam e assim
terminam com nossa saúde física e mental. Temos que cuidar através da vigilância
de não gerirmos aflições, que podem ser a inveja, o rancor, os preconceitos, o
apego aos bens materiais.
E o que dizer das aflições que parecem a princípio um mal
estranho, não explicável, ou mesmo uma fatalidade do destino, fatos estes, que
aqueles que desconhecem a verdadeira fé, julgam como injustiça divina. Aqui citamos:
Perda de entes queridos e também daqueles que são os
provedores da família;
Acidentes que não se podem prever;
Perdas de fortunas, embora estivessem cercadas de
todas as precauções possíveis;
Os flagelos naturais (tsunami, tornados, terremotos,
etc.)
Enfermidades de nascença, que impossibilitam de se
ganhar a vida pelo trabalho;
Deformidades, idiotia, autismo, cretinismo e tantas
outras.
Assim os incrédulos, não conseguem entender, nem
explicar, porque seres são tão desgraçados, ao lado de outros com tanto, às
vezes na mesma família. E o que dizer das crianças que morrem em tenra idade e
só puderam conhecer sofrimentos, não tendo nem tempo para cometerem deslizes.
Esses infortúnios geram naqueles que não tem conhecimento das leis da
espiritualidade, a dúvida na justiça e na bondade do criador.
Mas sabemos que o Pai é infinitamente bom e justo e
como nas leis naturais não existe efeito sem causa, a dedução lógica é que nós
somos a causa das aflições e que se estas aflições não decorrem desta vida, hão
de se ser de outras. Assim é na pluralidade das existências nas infinitas
encarnações que encontramos respostas para as aflições aparentemente sem razão
de ser.
Os sofrimentos decorridos de causas anteriores a
presente, são a conseqüência de faltas cometidas em outras vidas e ninguém
escapa de uma rigorosa e coerente justiça, assim aquele que sofre hoje esta
também expiando faltas do passado.
Deus, associando bondade e justiça permite que as
aflições não se tornem um fardo pesado numa única encarnação e com isso por
sermos almas imortais e estarmos em um mundo de provas e expiações, são as
faltas divididas em muitas encarnações, até que seja expiado todo o passado.
Então o mau que é próspero o será momentaneamente,
pois se não expiar hoje, será amanhã:
Aquele que foi duro e desumano poderá ser tratado com
dureza e desumanidade;
Se foi orgulhoso, poderá nascer em humilhante condição;
Se foi avaro, egoísta ou fez mau uso de suas riquezas,
poderá vir privado do necessário;
Se foi mau filho, poderá sofrer pelo procedimento de
seus filhos, etc.
Conclui-se então que as aflições, não são castigos,
mas lições em formato de expiações e provas, que visam saldarmos os débitos do
pretérito e nos fazerem aprender um correto proceder para o futuro.
Visto estes pontos, fica a pergunta: Então quem são os
aflitos merecedores da bem aventurança do que Cristo nos fala?
Bem aventurados são aqueles, que em meio às aflições,
ou sofrimentos, entendem que é justo o que estão passando, pois são resgates
dos erros cometidos e com isso enfrentam as provas e expiações sem queixumes,
sem culpar a providência, muito pelo contrário, agradecendo a Deus a oportunidade
de se regenerarem. Se não tivermos uma postura de entendermos as aflições como
lições para a vida e usarmos esse entendimento para nos regenerarmos, não
estaremos inseridos no contexto de bem aventurança, dito pelo Mestre. Ou seja,
aqueles que seguem os ensinamentos e o exemplo do Mestre, fazendo dos seus atos
uma conduta cristã, serão os aflitos bem aventurados.
Então cabe unicamente a nós transformarmos nossas
aflições em um presente de Deus, que só quer nosso bem e que ao mudar nosso
posicionamento, conseguimos ver que nossas existências nas inúmeras
reencarnações são fugazes, quando inseridas na eternidade. E com resignação
conseguiremos tornar proveitoso o sofrimento e não estragar o fruto com
impaciências para não termos que recomeçar.

Nenhum comentário:
Postar um comentário