BEM AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICO
Dando continuidade ao estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo iremos tratar do tema, ” bem aventurados os que são brandos e pacíficos” que é uma máxima do nosso amado Mestre Jesus, e está presente no referido livro no Capítulo IX, Itens 1, 2, 3, 4 e 5.
Muito embora racionais,
trazemos em nós, os instintos, a exemplo dos animais, como bagagem necessária a
sobrevivência em vidas passadas, mais primitivas, quando tínhamos embotados os
sentidos para os sentimentos e nossos atos, seguiam nossos instintos.
Somos seres em constante evolução, tanto
física como espiritualmente e nesse item nos tornamos seres sociais morando em
cidades e mesmo na zona rural. Tendo em vista o globo tornar-se uma grande
aldeia em função da globalização, do advento da internet, vimo-nos a coabitar
com outras pessoas e criarmos leis que cerceiam e punem o excesso de liberdade
dos que não respeitam o direito do próximo. Porém essa lei teria que ser uma
atitude natural, com base nos ensinamentos de Jesus. Na doutrina do Mestre, a
base do seu evangelho está nas afirmações: “Amar a Deus sobre todas as coisas e
ao próximo como a si mesmo” e ” Fazer ao próximo aquilo que gostaria que nos
fizessem”. Assim Jesus condena a violência, o ódio, à cólera e as ofensas,
fazendo da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência
uma lei.
É muito comum confundirmos, levados
pelo nosso orgulho e egoísmo, Passividade com ser Pacífico, duas palavras com
significados, muito diferentes.
O passivo é aquele que se deixa
levar, não tendo consciência, nem vontade própria para manifestar suas opiniões
e pensamentos, fazendo suas verdades as verdades dos outros.
Já o brando e o pacífico agem com
inteligência e elevação moral, não se deixando levar por baixos instintos, onde
se bate primeiro e pergunta-se depois.
Nosso amado mestre há dois mil anos
atrás prometia o reino dos céus aos brandos e pacíficos, por saber que essas
virtudes são totalmente antagônicas ao Orgulho e ao Egoísmo.
Ao sermos pacíficos e brandos estamos
exercendo também a caridade, por permitirmos que todos se expressem, para
podermos, racionalmente, chegarmos a um consenso comum. Assim fica claro que
ser pacífico não é ser covarde, mas bem ao contrário.
Nas artes marciais japonesas existe
um ditado que diz: “O melhor uso que se faz de uma espada é mantê-la na
bainha”. O grande Mahatma Ghandi é prova disso ao promover a revolução pacífica,
que culminou com a independência da Índia do jugo inglês.
Segundo Joana de Angelis, no livro
“Jesus e o Evangelho, a Luz da Psicologia Profunda, psicografado por Divaldo
Franco, no item “A Paciência”, página 70, nos diz que a paciência pode ser
considerada como a ciência da paz. Por isso são bem aventurados os pacíficos,
aqueles que trabalham com método e confiança tranqüila em favor da renovação do
mundo e das suas criaturas conseguindo ser chamados de filhos de Deus, que
representam toda paz.
A paz deve constituir a meta do ser
pensante que luta em contínuas tentativas de adquirir a plenitude.
A paz é tesouro que não pode ser
afetado em circunstância alguma que a leve desaparecer. E a paciência é sua
exteriorização, porque é o mecanismo não violento que se utiliza, a fim de
alcançar os objetivos a que se propõe.
A paciência conquista individual
através do esforço pela auto-iluminação, pelo autoconhecimento e descoberta dos
objetivos da existência, transforma-se em caridade essencial, quando
direcionada aos que sofrem, ajudando-os com benignidade, trabalhando a
resignação que dela também se deriva.
A paciência encoraja o ser porque o
ajuda a enfrentar quaisquer situações tomadas pela ciência da paz.
Então ser brando e pacífico é para
ser exercitado a todo o momento de nossa vida mantendo sempre adormecido aquele
leão que mora dentro de nós e que age movido geralmente por impulsividade, cego
na sua ferocidade, produzindo danos ao próximo e a nós mesmos. Não devemos
esquecer que as palavras ferem mais que os atos.
Então além dos ensinamentos do Mestre
Jesus, também tem sua conduta, seu procedimento, ante as situações que
provocariam atos violentos como resposta e que Ele tirava de letra mantendo a
calma, a paciência e a mansuetude.
Deus nos enviou e envia a todo o
momento bons espíritos, que encarnados entre nós promovem a paz, a resignação a
resiliência colocando-os no seio de famílias com membros belicosos, bem como no
meio de favelas com alto índice de criminalidade ou em países onde governos
semeiam ódio e guerras, a fim de que se abdique o uso da força em detrimento da
brandura e do pacifismo, que vai gerar o amor fraterno e universal e só assim
poderemos nos elevar num padrão evolutivo e conseqüentemente sermos mais
felizes.
Convido a todos mantermos nossas consciências despertas para
evitarmos a tempo reações, atos, palavras intempestivas que venham incentivar a
quebra da paz, da brandura, do ser pacífico. Vamos usar Jesus, que com certeza
ficará feliz quando frente a uma adversidade, antes de tomarmos qualquer
atitude nos perguntarmos:
- “O que faria Jesus no meu lugar?”
