quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A VINHA

 

A  VINHA



Dando continuidade ao nosso estudo do livro “Pão Nosso”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ditado pelo espírito Emmanuel o tema de hoje se encontra no capítulo 29, sob o título de “A vinha”.

 

Para termos um melhor entendimento das reflexões de Emmanuel, vamos lembrar que a parábola dos Trabalhadores da Vinha, que serviu de base para o nosso estudo de hoje, possui conceitos profundos, nos fala em sentido figurado da vinha, da jornada de trabalho, do pagamento justo, do últimos serem os primeiros, mas em essência, designa o local dos serviços humanos e refere-se ao volume de obrigações que os aprendizes receberam do Mestre Divino.

 

Emmanuel, no texto do nosso estudo de hoje, começa suas reflexões, pinçando desta parábola a sentença:

E disse-lhes; ide vós também para a vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.”

                           (Mateus,20:4)

 

Emmanuel, traz a baila a figura da vinha, muito usada metaforicamente no Velho e Novo Testamento bem como nos ensinamentos do Cristo, por ser muito comum o plantio de videiras e o uso do vinho por aqueles povos. A importância desta simbologia é tão forte que quando da codificação do espiritismo, mais precisamente na publicação do Livro dos Espíritos, os espíritos solicitaram a Kardec, que inserisse no cabeçário dos Prolegômenos, o desenho que eles fizeram, de uma cepa, um ramo de videira, contendo o galho, as folhas e frutos, porque ela é um emblema do Criador, dirão eles.

Todos os princípios materiais e espirituais podem se representar nela.

Resumindo:

A VINHA é a terra, nosso planeta, morada de almas e também de espíritos em processo de construção buscando a perfeição;

A  CEPA é o nosso corpo material;

O  LÍCOR é o espírito e

O  FRUTO é a alma, sintetizando a união do corpo com o espírito.

A conclusão que se chega é que a vinha por ser a nossa Terra, tem como o senhor dessa vinha Jesus, o governante do nosso planeta que vem como comandante dessa nave, organizando, estruturando e conduzindo o Orbe, com maestria e perfeição desde sua formação a bilhões de anos, onde essa vinha já passou pelos estágios de mundo primitivo, e atualmente mundo de provas e expiações. Fomos e somos todos convidados a trabalhar nessa vinha visando nosso aperfeiçoamento para de espírito simples e ignorante chegarmos a espíritos puros e nesse processo se desenrolam inúmeras reencarnações.

Já poderíamos ter galgado uma posição melhor na escala evolutiva. Mas a evolução não se dá de um dia para o outro, demanda tempo, aprendizado, resgates, regeneração, reparação e como somos presos aos interesses do mundo material e ainda não termos entendido que somos espíritos imortais usando corpos carnais, nos prendemos a desejos idéias e conceitos inerentes a matéria, que nada somam a nossa espiritualidade e assim cultuamos o egoísmo e o orgulho, desenvolvendo as antivirtudes da vaidade, dos preconceitos, da usura, dos desmandos no poder e tantos outras que fazem dissabores e permitem a presença da famosa mestra Dra., Dor em nossas vidas. Estas consequências aparecem nas reencarnações, aí se caracterizando como expiações e provas.

Deus, em sua bondade infinita, permite que reencarnemos nessa vinha do Mestre tantas vezes quanto forem precisas, até que se conclua o total resgate e reparação dos erros cometidos. Assim somos sempre convidados a trabalhar nos tornando trabalhadores cocriadores de Jesus na sua vinha. Todos serão pagos igualmente com justiça, do primeiro ao último trabalhador.

Porém ao nos desviarmos da prática do bem seremos como a videira que tem ramos que secam ou frutos que apodrecem, aí sendo necessária a poda, combatendo os fungos, cortando os galhos ressequidos, extirpando os maus frutos e isto representando nossos vícios, más tendências ao serem eliminados, fará que a videira volte a florescer cheia de vida e gerar sementes.

Esse reflorescer significa nossas diversas reencarnações, que vão nos capacitar para trabalhar na vinha de Jesus.

Atualmente nos encontramos ainda, acreditando que o Orbe é o palco de todos nossos desvarios e fazemos dele o tablado de hegemonias raciais e politicas promovendo a guerra em todas as suas nuances, velada ou mostrada, incluindo aí a guerra armada.

 Segundo a ONU, somos no planeta 193 países e mais de 50 se encontram em guerra uns com os outros e também em guerras civis, promovendo, mortes, fome, iniquidades, doenças, ódios, despertando o pior nos homens.

Mas ao mesmo tempo, este processo faz parte de separar o joio do trigo, de fazer a poda necessária para a transição do orbe para planeta de regeneração.

Emmanuel nos diz que embora ainda vivamos na bestialidade do uso da força, da falta de brandura da ausência de mansuetude vamos despertar para nosso imenso engano, pois junto a crosta terrestre estão os filhos da razão, que como uma enxertia exitosa, irão trazer consigo, quando de suas encarnações, a tarefa de contribuir para que tenhamos no orbe um padrão de vida mais elevado.

Para encerrar, lembremo-nos que sendo a vinha do Cristo, ele nos abraça a todos como irmãos e trabalhadores. Então sabedores que somos os trabalhadores da última hora num planeta que está em pleno processo de transição façamos a nossa parte o mais que pudermos, sendo fraternos com todos sem distinção ou preconceitos, praticando o bem, praticando a caridade com piedade e beneficência para que a nossa vinha, não seja apenas nossa, mas que seja de todos, para que a de todos também seja nossa e assim cobriremos todo o planeta traduzindo a vinha em amor fraterno incondicional e lembrando quando desanimarmos, que o Senhor nos concedeu a cada um, material justo e bom, bastando apenas boa vontade alicerçada no amor.


 

 Um pai de família, saiu de madrugada, ou seja, na primeira hora do dia, para aliciar trabalhadores para trabalhar na sua vinha. Acertou com eles o pagamento de um denário (moeda), por sua jornada e os enviou a vinha.

Saiu também na terceira hora e tendo visto na praça outros sem nada fazer mandou-os também para a vinha prometendo pagamento razoável e eles para lá se foram.

Saiu ainda na sexta e na nona hora do dia e fez a mesma coisa.

Tendo saído na décima primeira hora ao encontrar outros que estavam sem fazer nada perguntou-lhes: Porque permaneceis aí durante todo dia sem trabalhar? Eles responderam: Porque ninguém nos aliciou; e ele lhes disse: Ide vós também para a minha vinha.

Ao término da jornada chamou-os e começou a paga-los começando desde os últimos até os primeiros e a todos foram dados os mesmos valores de um denário a cada um.

Os trabalhadores da primeira hora, acreditando que deveriam receber mais que os da última hora argumentavam a injustiça de haverem trabalhado todo dia enquanto eles trabalharam somente uma hora.

Ele então lhes disse: Eu não vos fiz injustiça, pois paguei-lhes o que foi acertado, por mim, dou a estes últimos o mesmo valor. Não me é permitido fazer o que quero? E o vosso olho é mau porque sou bom?

 

 

 

 

 

sábado, 7 de outubro de 2023

NAS ESTRADAS

 

NAS  ESTRADAS

 

 

- Hoje estaremos dando continuidade ao estudo da obra “Pão Nosso”, psicografada por Francisco Cândido Xavier e ditada pelo espírito Emmanuel.

- O texto está no capítulo 25 do referido livro sob o título: “Nas Estradas”.

- Como podemos ver é um título, que embora sucinto, dá uma gama enorme de interpretações e sabemos que Emmanuel é mestre em suas reflexões de abarcar uma infinidade dos significados contidos no Evangelho de Jesus.

- Texto do livro: 

 

NAS ESTRADAS

 

E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvindo, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada.”  - Jesus.

                                        (Marcos, 4:15)

 

Jesus é o nosso caminho permanente para o Divino Amor.

Junto dele seguem, esperançosos, todos os espíritos de boa vontade, aderentes sinceros ao roteiro santificador.

Dessa via bendita e eterna procedem as sementes da Luz Celestial para os homens comuns.

Faz-se imprescindível muita observação das criaturas, para que o tesouro não lhes passe despercebido.

A semente santificante virá sempre, entre as mais variadas circunstâncias.

Qual ocorre ao vento generoso que espalha, entre as plantas, os princípios de vida, espontaneamente, a bondade invisível distribui com todos os corações a oportunidade de acesso à senda do amor.

Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos vulgares e cada dia, num livro, numa particularidade insignificante do trabalho, na prestimosa observação de um amigo.

Se o terreno de teu coração vive ocupado por ervas daninhas e já recebeste o princípio celeste, cultiva-a com devotamento, abrigando-o nas leiras de tua alma. O verbo humano pode falhar, mas a Palavra do Senhor é imperecível. Aceita-a e cumpre-a, porque, se te furtas ao imperativo da vida eterna, cedo ou tarde o anjo da angustia te visitará o espírito, indicando-te novos rumos.

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A citação de Jesus, acima citada e que faz parte do evangelho de Marcos, nos lembra a Parábola do Semeador, do Evangelho de Mateus, cap XIII, vv 1 a 9, e nos fala do semeador que saiu a semear e ao fazê-lo, uma parte caiu ao longo do caminho e os pássaros a comeram; outra parte caiu em lugar pedregoso e ao vingarem o sol as queimou, porque não tinham raízes profundas cravadas em terra; outra entre os espinheiros e estes as abafaram;

Outras, finalmente, caíram em terra fértil e produziram frutos que por sua vez produziram uma infinidade de novas sementes.

Se prestarmos a devida atenção  veremos que o que nos relatam Mateus e Marcos nos seus evangelhos tem o mesmo objetivo, que é nos despertar para os ensinamentos do Cristo.

Logo, aquele que recebe a semente ao longo do caminho e não dá a merecida atenção, vem o espírito maligno e lhe tira o que fora semeado em seu coração;

Aquele que ao escutar a palavra, recebe-a com alegria, no primeiro momento, mas não tendo raízes dura apenas algum tempo. É o que recebe em meio das pedras e que quando vem as perseguições e reveses por causa da palavra, atribui a ela o escândalo e a queda;

Aquele que recebe a palavra entre os espinheiros escuta-a, mas se deixa levar pelo apelo da matéria, a ilusão do poder e das riquezas e a palavra se torna infrutífera;

Já aquele que recebe a palavra em terra boa, escuta a palavra e faz com que produza, sementes, arvores, frutos.

Visto que os evangelhistas nos passam o mesmo ensinamento do Cristo em duas passagens, vamos então refletir o que nos diz Emmanuel das palavras do Mestre, pois ele sempre aprofunda o significado contido nas mensagens.

Neste texto Emmanuel é claro em nos lembrar quem é Jesus: estrada, o caminho, a vida. É também a semente e o semeador.

E nós o que somos neste contexto?

Nós somos aqueles que recebemos a dádiva da vida, de uma vida eterna, imortal, com uma estrada, que nos conduzirá a condição de espíritos puros e felizes, mas que para que isto aconteça teremos que trilhar milhões de outras estradas presentes em inúmeras reencarnações, onde iremos construindo o nosso destino.

Mas, não nos enganemos, a tarefa é árdua, pois ao longo destas estradas, faremos muitos erros no caminho. Vamos tentar atalhos que nos porão a perder, às vezes uma encarnação inteira e teremos que recomeçar novamente a mesma estrada.

Vamos encontrar Satanás, que fique claro que essa é uma figura metafórica, ou espíritos malignos, ou obsessores que criamos pela estrada e se não estivermos imbuídos de escutar e praticar a palavra será levada de nós.

Encontraremos na nossa peregrinação interior, para dentro de nós, o nosso próprio demônio, aquele que viemos cultuando por diversas reencarnações e traz arraigado em si o egoísmo, o orgulho que esmagam todas as virtudes.

Emmanuel, nos fala de prestarmos atenção em tudo que nos rodeia, para que possamos agir como sementes germinadas, frutificadas, no Evangelho do Mestre, uma vez as oportunidades de sermos homens de bem, de estarmos junto do Cristo no caminho, nos são dadas a toda hora, a todo minuto, basta que, para isso tenhamos boa vontade e saibamos amar ao próximo como a si mesmo. A isto damos o nome de fraternidade com exercício da caridade.

Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos da vida, nas páginas de um livro, na observação de um amigo, numa particularidade simples no trabalho, pronto, aí está a semente e de posse dela, com amor sejamos também semeadores e no trajeto da nossa estrada terrena espalhemos essas sementes.

Diz o poeta, nessa música:

Penso que cumprir a vida

Seja simplesmente

Compreender a marcha

E ir tocando em frente

 

Como um velho boiadeiro

Levando a boiada

Eu vou tocando os dias

Pela longa estrada, eu vou

Estrada eu sou

 

Conhecer as manhas

E as manhãs

O sabor das massas

E das maçãs

 

É preciso amor

Pra poder pulsar

È preciso paz pra poder sorrir

È preciso a chuva para florir.

 

Emmanuel, termina este texto, nos dizendo que se já recebemos o princípio celeste e mesmo assim temos o terreno de nosso coração ocupado por ervas daninhas, devemos cultivar esse princípio no âmago de nossa alma cultivando-o com devotamento, pois se nos furtarmos ao imperativo da vida eterna, certamente receberemos a visita da mestra chamada Dor, que nos indicará os novos rumos.

Então irmãos, que façamos da nossa estrada, uma estrada de luz, gratos ao Pai pelas oportunidades que nos são dadas a todo momento, gratos a Jesus, nosso divino mestre, pelo exemplo, pelos ensinamentos, por esse evangelho, que é pura expressão do seu amor.

  

sábado, 5 de agosto de 2023

FALSAS ALEGAÇÕES

 

 

 


 

                Dando continuidade ao estudo do livro “Pão Nosso”, psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito Emmanuel, hoje vamos ver o texto do item 19 sob o título “Falsas Alegações”.

                Este texto tem inúmeros assuntos inseridos dentro dele que poderíamos abordar, tais como reencarnação, obsessão, espíritos inferiores, mas hoje vamos nos ater nos assuntos sobre a verdade, as falsas alegações, que é o tema central e o autoconhecimento.

                Afim de fazermos uma reflexão mais abrangente, vamos fazer a leitura do texto e no decorrer, refletiremos as passagens lidas:

 

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FALSAS ALEGAÇÕES

 

Que tenho eu contigo, Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.”

                                      (Lucas, 8:28)

 

O caso do Espírito perturbado que sentiu a aproximação de Jesus, recebendo-lhe a presença com furiosas indagações, apresenta muitos aspectos dignos de estudo.

A circunstância de suplicar ao Divino Mestre que não o atormentasse requer muita atenção por parte dos discípulos sinceros.

Quem poderá supor o Cristo capaz de infligir tormentos a quer que seja?

E, no caso, trata-se de uma entidade ignorante e perversa que, nos íntimos desvarios, muito já padecia por si mesma. A vizinhança do Mestre, contudo, trazia-lhe claridade suficiente para contemplar o martírio da própria consciência, atolada num pântano de crimes e defecções tenebrosas. A luz castigava-lhe as trevas interiores e revelava-lhe a nudez dolorosa e digna de comiseração.  

O quadro é muito significativo para quantos fogem das verdades religiosas da vida, categorizando-lhe o conteúdo à conta do amargo elixir de angústia e sofrimento.

Esses espíritos indiferentes e gozadores costumam afirmar que os serviços da fé alagam o caminho de lágrima, enevoando o coração.

Tais afirmativas, no entanto, denunciam-nos.

 

Em maior ou menor escala, são companheiros do irmão infeliz que acusava Jesus por ministro de tormentos.

 

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           Para dar inicio as nossas reflexões nos perguntamos, qual o significado de falsas alegações?

          Vamos entender que sejam as famosas “desculpinhas” que comumente usamos para justificarmos nossos atos, tornando verossímil nossa atitude, portanto isenta de qualquer repreensão. Nesse proceder, omitimos e até mesmo mentimos o real acontecimento afim de termos credibilidade frente aos outros e pasmem a nós também.

            E assim vamos fazendo um mundo ilusório, no qual achamos que sempre estamos certos e com razão.

           Construímos e vivemos ilusões e com o tempo vem a descoberta de que a ilusão só cria a desilusão e o descredito de todos que nos cercam, pois as falsas alegações são despidas de credibilidade e sabemos que a mentira como diz o ditado: “tem pernas curtas” e mais hora ou menos hora aparece.

             Este texto, começa com uma lamentação de um espírito obsessor, que sendo uma entidade imersa no mal, perversa já de longa data, estava envolvida em trevas, e ao sentir a presença do Mestre, com sua luminosidade, sentiu-se incomodado.         

             É porque a verdade ofusca e dissipa as trevas e aqueles que se escondem nas mentiras e nas falsas alegações sentem-se confortados em não serem reconhecidos como de fato o são.

               E a verdade vem como a luz desnudando tudo que estava escondido, obscuro e então aqueles pobres espíritos vivenciando o mal, têm um choque ao serem vistos como de fato são.

               A vergonha, o reconhecimento da culpa, produz ainda uma dor psíquica maior ainda, pois têm a própria consciência julgando-os e condenando-os, por suas práticas.

                Emmanuel nos diz ainda, que usamos falsas alegações em cumprimento de práticas frente a religiosidade, isto quer dizer, criamos empecilhos para a prática do bem, da caridade, da fraternidade, usando frases feitas de “não tenho tempo”, “estou muito    ocupado”, “não tenho dinheiro”, “me sinto doente” e por aí vai. Não entendemos que ao exercemos o bem sem falsas alegações e lamentações estamos despertando e exercitando em nós virtudes, que nos encaminham ao Reino dos Céus.

               A pergunta que agora surge é o que fazer para evitar essa tendência de usarmos de falsas alegações para justificarmos nossos erros?

               Primeiramente temos que seguir uma máxima escrita no portal do Oraculo de Delfos, na Grécia Antiga e também proferido por Sócrates, que diz: “conhece a ti mesmo”. Sem o autoconhecimento fica difícil aplicarmos o correto proceder.

               Conhecermo-nos no intuito de buscarmos nossa reforma moral, significa buscarmos dentro de nós, sem falsas alegações o real porquê dos nossos atos.

               Descobrir o que queremos para nossas vidas, o que realmente somos, o quanto somos invejosos, vaidosos, orgulhosos, egoístas, insensíveis. Para tanto podemos fazer como Santo Agostinho que ao deitar-se á noite repassava mentalmente todas as ações do dia, afim de poder reconhecer alguma prática infeliz e tentar consertar no dia seguinte.

                Não importa o sistema, o importante é sondarmos nossa alma e na descoberta de nossos vícios, más tendências, imperfeições morais, buscarmos forças, dentro de nós, para substituirmos o homem velhos, que há muito habita dentro de nós por um homem novo, um homem de bem em conformidade com o que nos ensina o Mestre, no seu Evangelho, quando nos diz: sede perfeitos.

               É difícil? Claro que é. Mas o Pai em sua bondade infinita nos deu o presente da vida, cheia do outros tantos presentes, tais como livre arbítrio, consciência, mentores espirituais, oportunidades infinitas de aprendermos nas múltiplas reencarnações e para tanto basta boa vontade.

                Com certeza iremos reincidir em velhas falsas alegações, em velhos erros, uma vez que somos um somatório de muitas personalidades ao longo dos tempos e muito embora, agora esta seja a melhor versão de nós mesmos, temos um longo caminho pela frente. Mas se adotarmos a verdade como nossa espada e nosso escudo conseguiremos vencer as falsas alegações e começaremos o trabalho da nossa reforma intima. Reforma esta que vai se dar aos poucos, mas com certeza a cada novo dia, uma nova vitória, afinal sabemos quem somos e o que precisa ser feito, para sermos melhores, para termos paz na consciência, para sermos felizes.

                E para sermos verdadeiramente felizes temos que ser fraternos uns com os outros, usando a luz da verdade para descobrirmos as reais necessidades nossas e do próximo.

                  Jesus nos disse: - ‘conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

                  Podemos empregar esse ditado a todas as situações de nossas vidas e aqui no texto, a verdade sobre nossas falsas alegações nos libertará e poderemos sob a luz do Cristo, caminharmos de cabeça erguida em direção ao Pai.

                 

 

quinta-feira, 18 de maio de 2023

O BEM É INCANSÁVEL

 

O BEM É INCANSÁVEL

 Hoje vamos refletir os ensinamentos contidos no capítulo 11, do livro intitulado “Pão Nosso”, psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito Emanuel. O tema nos diz: O Bem é Incansável e começa com uma exortação de Paulo numa carta aos Tessalonicenses II, 3:13, onde ele manda a mensagem aquela Igreja dizendo: “e vós, irmãos, não vos canseis de fazer o bem”.

Em cima desta sentença Emanuel vai desenvolver o que está explícito na mensagem e vai desdobrá-la em inúmeras reflexões, como vamos ver.

O que é a prática do bem?

A prática do bem é o exercício do amor. É o uso da caridade no trato com o próximo e também conosco mesmo.

Mas esse Bem que Paulo pede é o bem verdadeiro e aqui Emanuel nos diz que a prática do bem verdadeiro é aquela que vem carregada de sentimentos, ou melhor, de virtudes, como a benevolência, a misericórdia, a doação, pois só assim estará o amor sendo usado nesta prática, isento de outros interesses, que venham nos promover ou tornar nosso ato indigno aos olhos de Deus.

Ouvimos muitas pessoas dizerem que estão cansadas com a prática do bem, ou se sentem melindradas por não serem reconhecidas como benfeitoras, ou esperam gratidão daqueles a quem atenderam. Com certeza essa prática do bem , não vem de fonte pura, pois está recheada de motivação egoísta e orgulhosa.

A prática do bem tem que vir orientada pelos ensinamentos do Mestre Jesus, que nos diz “ama teu próximo, como a ti mesmo”.

Se assim for feita o trabalho de semear o bem é incansável, pois nos vestiremos de armadura contra a ingratidão e seguiremos o exemplo do nosso modelo e guia Jesus.

E mais, podemos nos sentir cansados no corpo físico, mas a alma não. Nossa alma vai se sentir cada vez mais envolvida por uma força inquebrantável, pois o amor fraterno assim exercido refrigera, acalma e revigora as energias e nos sentimos cada vez mais fortes, serenos, conscientes do propósito de servir de sermos luz e bálsamo aqueles que sofrem.

Emanuel também nos fala sobre termos prudência em refletirmos sobre os males que nos assaltam depois do bem que julgamos haver semeado ou nutrido, ou seja se praticarmos o bem conforme o Cristo faria se estivesse em nosso lugar, não haverão dúvidas ou avaliações tendenciosas para o que foi feito. Bem simples assim, o bem foi feito e pronto. Agora seguir para novos projetos.

Muitas vezes, criamos empecilhos fantasiosos para não praticarmos o bem, tais como: não tenho tempo, sou muito ocupado, me falta dinheiro etc., e muito pior quando nos colocamos como juízes julgando se aquele que necessita merece nossa prática, nosso atendimento.

Para prática do bem, Jesus nos diz que basta apenas boa vontade.

Rossandro Klinjey, ilustre palestrante espírita, nos fala sobre a prática do bem e ao fazer a pergunta “porque vivemos praticando o mal”, nos esclarece primeiramente que somos um planeta de provas e expiações, portanto o mal habita aqui e que o bem não gera ibope.

Quando lemos, ouvimos e vemos as notícias, se prestarmos atenção, vamos concluir que o mal, a desgraça, o infortúnio coletivo ou não, é que chamam atenção da mídia. Os crimes de toda e qualquer natureza encontram aceitação em nossas conversas e lá vamos nós nos togarmos como juízes, julgando e condenando aqueles que os praticaram.

Com o advento da internet e a criação das redes sociais a prática do mal ficou hight tech, pois agora fica mais amplo a ação de caluniar, julgar, condenar um desafeto, ou qualquer um que nem sabemos o porquê nos desagrada.

O bem é muito pouco proclamado e sabem qual o motivo?

Falta-nos audácia. O mal é audacioso e o bem é tímido. Já passou da hora de revertermos essa condição, até porque estamos em pleno processo de transição planetária, de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração.

Cristo quando precisou de alguém que fosse capaz de superar todas dificuldades com fé e semear o evangelho não foi entre seus apóstolos que procurou aquele que faria a diferença. Foi buscar Saulo, que embora acreditando estar praticando o que era certo, determinado pelo Sinédrio, perseguia e matava os cristãos, reconheceu estar errado no encontro em Damasco e convertido agora como Paulo, continuou audacioso e determinado em divulgar o cristianismo.

O Cristo viu em Saulo a audácia que era necessária para semear em todos a boa nova e assim foi feito.

Emanuel nos diz ainda que para que a prática do bem seja realizada existe a necessidade de nos conhecermos o mais profundamente possível, pois ao nos conhecermos poderemos aquilatar nossas fraquezas, vícios, más tendências, nosso orgulho, nosso egoísmo e trabalhando isto em nós seremos resilientes e vamos nos habilitar para compreender e aceitar os desequílibrios alheios.

A prática do bem é feita no dia-a-dia, a todo momento, com palavras, atos, com silêncio, com respeito a todos.

Temos que ficar cientes que quem mais ganha somos nós, pois não existe felicidade maior do que ser útil, de enxugar lágrimas, de salvar vidas, de sermos faternos.

Para encerrarmos, nosso estudo de hoje lembremo-nos que fomos criados para sermos espíritos puros, co-criadores da obra do Pai e que para alcançarmos esse estágio, só através do bem feito com amor, com empatia, com sentimento, porque se houver uma pontinha de tédio ou algo que contrarie a caridade é porque o bem ainda não emergiu de nós mesmos.


quinta-feira, 13 de abril de 2023

A SEMENTE


 

 

A SEMENTE


Hoje vamos dar continuidade ao estudo da obra intitulada “Pão Nosso”, psicografada por Francisco Candido Xavier, ditada pelo espírito Emanuel, o mentor do Chico Xavier. E o tema é o texto do capítulo 7, denominado a: A SEMENTE.

 

 

  Então vejamos.

  O que é uma semente?

Conforme o dicionário da língua portuguesa, existem alguns significados interessantes:

No sentido literal: “Qualquer substância ou grão que se deita à terra para germinar.”

No sentido figurado: Coisa que, com o tempo, há de produzir certos efeitos; germe; origem. Ex.: semente do ódio, semente do amor.

 

Assim como o Mestre Jesus, Emanuel usa a palavra semente para nos falar de vida, de construção, de resiliência, de amor.

Concluímos então, que a semente é o elemento mais simbólico, que representa uso mais comum nas parábolas de Jesus, ex.: a “parábola do joio e do trigo”, a “parábola do semeador”, “fé e grão de mostarda” e tantos outros ensinamentos.

Neste texto Emanuel nos diz que a palavra do Mestre, pode ser comparada a uma semente, que no terreno de nossos corações gera um potencial multiplicador, porque cada um pode contar as sementes de um fruto, mas impossível contar os frutos gerados, pelas sementes, que é um atributo da multiplicação.

Temos no inicio deste texto a citação de Paulo, na 1ª Epístola aos Coríntios,15:37,

E, quando, não semeias o corpo, que há de nascer, mas o simples grão de trigo ou de outra qualquer semente”.

Paulo nos fala, que não semeamos o corpo físico, pois que já nasce pronto, mas ilustra o desenvolvimento do nosso corpo espiritual, também usando o exemplo das sementes, lançadas pelo mestre em nossa alma.

Temos que cuidar o plantio dessa semente, para que ela possa germinar, crescer, frutificar, gerando frutos e mais árvores. Todo ensinamento está em sentido figurado, falando de nossa construção moral.

Fazendo uma comparação com a semente, Emanuel nos diz que temos que ser como a semente, ou melhor, temos que ser semente, pois somos vida tanto física como espiritual, atuando como administradores dessa vida e que no uso de nosso livre arbitrio, temos que ser além de sementes, os semeadores, levando a semente do Evangelho do Cristo, plantando amor, em todo lugar onde formos, onde estivermos, sendo espiritas pró ativos na caridade, semeando a doutrina cristã em princípio com nossas atitudes, palavras, nos nossos lares, seguindo para nossas ruas, nossos amigos, colegas de trabalho, na nossa comunidade, cidade, país.

Imaginemos, a semente posta na terra escura e úmida, enfrenta milhões de revezes para germinar, com as turbulências impostas pela natureza, em determinado dia ela cresce, rasga o solo e sai em busca da luz, do sol, cresce e se plantada em terra fértil, se torna frondosa carregada de frutos e estes por sua vez cheios de novas sementes, algumas talvez não vinguem ou apodreçam, mas a maioria se bem cuidada, fertilizada, irão gerar novas árvores, que com suas sementes irão gerar mais e mais árvores, num processo infinito de multiplicação.

Assim temos que ser. Nascemos, enfrentando os revezes da vida, que nada mais são do que as decorrências dos nossos atos praticados em vidas passadas, junto com nossas escolhas para a reencarnação.

Pois bem, crescemos e nesse processo temos como a semente germinada, que procurar o sol, para aquecer nossa alma, esse sol que é o Evangelho do Cristo, nos conduzindo a Deus.

Importante que se diga que esse sol tem que refletir em, nós primeiramente, para que nossa transformação em homens de bem, em árvores fortes, sirva de exemplo e guia para os demais.

Feito o plantio desse Evangelho, que é todo moral, ética e amor, o convite é que nos tornemos semeadores de nossa própria semente, disseminando esse aprendizado a todos ao nosso redor.

  Temos que ser sabedores, que encontraremos uma centena de percalços em nossa estrada, em busca da nossa regeneração e virão de todos os lados, até mesmo de nós mesmos presos em nosso egoísmo e orgulho, mas o Mestre dizia, para vencer a si mesmo e para a prática do bem só se precisa de boa vontade

Não esperemos que as árvores se tornem um bosque com um pomar gigantesco da noite para o dia. Não, esse processo demanda tempo, para que as transformações se consolidem em nossa alma como virtudes atuantes e que não sejam transitórias embaladas por uma animação infantil e passageira. Assim também é a evolução no planeta, quantos mihões de anos demorou para chegarmos onde estamos?

O importante é começar e como diz a música: ” Como um velho boiadeiro levando a boiada, eu vou tocando os dias, pela longa estrada, eu vou, estrada eu sou”.

 COMEÇAR, porque quando nos propomos conscientes e firmes no propósito da semeadura, alicerçados pelo Evangelho do Cristo existe a certeza do êxito no plantio germinado.

Então irmãos, cientes que somos os trabalhadores da última hora, o convite explicito neste texto de Emanuel é enchermos o coração de amor e espalharmos as sementes pelo universo, cultivando a fraternidade e amando o próximo como a nós mesmos, fazendo aquilo que gostaríamos que nos fizessem, fazendo do mundo uma terra fértil, germinando milhões de sementes.


 

domingo, 5 de fevereiro de 2023

Exposição MÃOS A OBRA

 Mãos a obra 


 Iniciamos o mês de Fevereiro com o estudo de uma nova obra psicografada por Francisco Candido Xavier, ditada pelo espirito de seu mentor Emanuel. 
 Esta obra, faz parte de quatro volumes denominado “Coleção Fonte Viva”, e é cada obra composta de 180 cápítulos com comentários e reflexões dos ensinamentos do Evangelho. E o nosso tema de hoje está no capítulo I, com o título “MÃOS À OBRA”. 
Este texto começa com uma interpelação de Paulo contida na 1ª Epístola aos Coríntios, 14:26 e diz: 
“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se para edificação”. 
Quando Paulo escreveu esta carta a Igreja de Corinto lutava com certas dificuldades onde eram apreciados diversos problemas espirituais dos companheiros, mas sabemos que os ensinamentos contidos nos evangelhos, são atemporais e não devem ser interpretados na forma da letra, mas pelo sentido da mensagem, que se aplica a todos e todos os tempos. 
Então mãos à obra, é um chamamento, para sacudirmos a condição de inercia e nos tornarmos peças atuantes na edificação de um mundo melhor, pois nos alerta Paulo, tens doutrina, tens revelação, tens língua, tens interpretação. É importante obsevar que esse convite de edificar não se resume apenas em levarmos o conhecimento de todos a nossa e transformarmos o mundo , mas também aplicarmos essas transformações regeneradora a cada um de nós, uma vez que estamos cientes do momento porque estamos passando, de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração e que fique bem claro que o processo de regeneração não é aplicado ao orbe, mas aos habitantes deles, ou seja, a nós. Esse processo vem afunilando as oportunidades, pois existem uma gama imensa de irmãos desencarnados esperando uma oportunidade para aqui encarnar e tentar como trabalhadores da última hora a sua regeneração, Com isso não podemos perder essa encarnação presente, para tentarmos nos livrar dos vícios e imperfeições que carregamos de vidas pretéritas, praticando, vivendo no dia-a-dia o evangelho do Cristo, praticando a verdadeira caridade, que só tem compromisso com o bem ao próximo, pois o Mestre deixa claro que a caridade é a estrada que conduz ao Pai. 
Portanto nesse comportamento regenerador estaremos carimbando o passaporte para o mundo de regeneração. Estamos sempre achando desculpas para justificar nossos erros, nossa inercia na prática do bem. E porque agimos assim, se já temos consciência do certo e do errado? A resposta diz respeito a nossa incidência e reincidência ao mal. Ou seja por estarmos presos a materialidade da carne vimos tão somente o mundo material e os valores tomam a forma errônea, porque passamos a viver achando que o importante é o ter e não o ser. Esquecemos que na encarnação nosso corpo material, vai do berço ao túmulo e que ao desencarnarmos temos que prestar conta de tudo que nos foi confiado nesta vida, como: filhos, amores, trabalhos, comportamentos e prática da caridade. Aqueles que reincidem no mal, não terão a pena da danação eterna, pois Des em sua infinita bondade e justiça, concede sempre uma nova chance de repararmos e transformarmos os erros em acertos através de novas reencarnações. Mas não se enganem, pois nada atrasa a Lei Natural do progresso e aqueles que continuarem a se deleitar no mal, serão convidados a deixar o orbe e irem reencarnar em outros mundos de provas e expiações e até mesmo em mundos primitivos. Deus em sua infinita misericórdia nos permitiu a vinda do Messias esse espirito de luz, que veio para nos servir de modelo e guia, através dos seus exemplos e ensinamentos contidos no evangelho. Mas, muitas pessoas e também seguimentos religiosos colocam a imagem de Jesus num patamar inalcansável, por vezes atribuindo a ele a condição de Deus. Esquecem que Jesus é o governante do nosso orbe e que também esteve na formação e concepção do nosso planeta sempre deixa claro que somos filhos do mesmo pai, portanto somos irmãos em Cristo e criação de Deus. Foi Jesus que disse: “Sois deuses e se tivesses a fé do tamanho de um grão de mostarda, serieis capaz de mover montanhas”, e aqui entendemos montanhas não com o sentido literal da palavra, mas com a interpretação dos nossos problemas de foro intimo, de nossas imperfeições, do nosso egoísmo, de nosso orgulho. Também deixou claro no livro Jesus no Lar, psicografado por Francisco Candido Xavier e ditado pelo espírito Néio Lucio, “que para a prática do bem nos falta somente boa vontade”. Então, mãos à obra também se aplica a nós espiritas, no sentido de espalharmos o evangelho do cristo e entendermos de vez, que praticar a caridade não é tão somente doar alimentos, ou bens materiais, ou vir ao centro espírita dar passes, participar de reuniões mediúnicas ou fazer exposições. 
Não, ao espírita cabe o dever de praticar a caridade em toda sua abrangência, no cotidiano, nas pequenas e corriqueiras situações também, e assim fazendo o mãos à obra. Emanuel nos chama a atenção em não nos prendermos a fenomenologia do espiritismo e sim ao estudo e a pratica do evangelho com a finalidade de nos tornarmos homens de bem e caminharmos em direção ao Pai. Então feito o convite: MÃOS À OBRA.