Dando continuidade ao estudo do
livro “Pão Nosso”, psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo
espírito Emmanuel, hoje vamos ver o texto do item 19 sob o título “Falsas
Alegações”.
Este texto tem inúmeros
assuntos inseridos dentro dele que poderíamos abordar, tais como reencarnação,
obsessão, espíritos inferiores, mas hoje vamos nos ater nos assuntos sobre a
verdade, as falsas alegações, que é o tema central e o autoconhecimento.
Afim de fazermos uma reflexão
mais abrangente, vamos fazer a leitura do texto e no decorrer, refletiremos as
passagens lidas:
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FALSAS
ALEGAÇÕES
“Que tenho eu
contigo, Jesus, filho do Deus Altíssimo? Peço-te que não me atormentes.”
(Lucas,
8:28)
O caso do Espírito
perturbado que sentiu a aproximação de Jesus, recebendo-lhe a presença com furiosas
indagações, apresenta muitos aspectos dignos de estudo.
A circunstância de
suplicar ao Divino Mestre que não o atormentasse requer muita atenção por parte
dos discípulos sinceros.
Quem poderá supor o
Cristo capaz de infligir tormentos a quer que seja?
E, no caso, trata-se de
uma entidade ignorante e perversa que, nos íntimos desvarios, muito já padecia
por si mesma. A vizinhança do Mestre, contudo, trazia-lhe claridade suficiente
para contemplar o martírio da própria consciência, atolada num pântano de
crimes e defecções tenebrosas. A luz castigava-lhe as trevas interiores e
revelava-lhe a nudez dolorosa e digna de comiseração.
O quadro é muito
significativo para quantos fogem das verdades religiosas da vida,
categorizando-lhe o conteúdo à conta do amargo elixir de angústia e sofrimento.
Esses espíritos
indiferentes e gozadores costumam afirmar que os serviços da fé alagam o
caminho de lágrima, enevoando o coração.
Tais afirmativas, no
entanto, denunciam-nos.
Em maior ou menor escala,
são companheiros do irmão infeliz que acusava Jesus por ministro de tormentos.
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Para dar inicio as nossas reflexões
nos perguntamos, qual o significado de falsas alegações?
Vamos entender que sejam as famosas
“desculpinhas” que comumente usamos para justificarmos nossos atos, tornando
verossímil nossa atitude, portanto isenta de qualquer repreensão. Nesse
proceder, omitimos e até mesmo mentimos o real acontecimento afim de termos
credibilidade frente aos outros e pasmem a nós também.
E assim vamos fazendo um mundo
ilusório, no qual achamos que sempre estamos certos e com razão.
Construímos e vivemos ilusões e com
o tempo vem a descoberta de que a ilusão só cria a desilusão e o descredito de
todos que nos cercam, pois as falsas alegações são despidas de credibilidade e
sabemos que a mentira como diz o ditado: “tem pernas curtas” e mais hora ou
menos hora aparece.
Este texto, começa com uma
lamentação de um espírito obsessor, que sendo uma entidade imersa no mal,
perversa já de longa data, estava envolvida em trevas, e ao sentir a presença
do Mestre, com sua luminosidade, sentiu-se incomodado.
É porque a verdade ofusca e
dissipa as trevas e aqueles que se escondem nas mentiras e nas falsas alegações
sentem-se confortados em não serem reconhecidos como de fato o são.
E a verdade vem como a luz
desnudando tudo que estava escondido, obscuro e então aqueles pobres espíritos
vivenciando o mal, têm um choque ao serem vistos como de fato são.
A vergonha, o reconhecimento da
culpa, produz ainda uma dor psíquica maior ainda, pois têm a própria
consciência julgando-os e condenando-os, por suas práticas.
Emmanuel nos diz ainda, que usamos
falsas alegações em cumprimento de práticas frente a religiosidade, isto quer
dizer, criamos empecilhos para a prática do bem, da caridade, da fraternidade,
usando frases feitas de “não tenho tempo”, “estou muito ocupado”,
“não tenho dinheiro”, “me sinto doente” e por aí vai. Não entendemos que ao
exercemos o bem sem falsas alegações e lamentações estamos despertando e
exercitando em nós virtudes, que nos encaminham ao Reino dos Céus.
A pergunta que agora surge é o
que fazer para evitar essa tendência de usarmos de falsas alegações para
justificarmos nossos erros?
Primeiramente temos que seguir
uma máxima escrita no portal do Oraculo de Delfos, na Grécia Antiga e também
proferido por Sócrates, que diz: “conhece a ti mesmo”. Sem o
autoconhecimento fica difícil aplicarmos o correto proceder.
Conhecermo-nos no intuito de
buscarmos nossa reforma moral, significa buscarmos dentro de nós, sem falsas
alegações o real porquê dos nossos atos.
Descobrir o que queremos para
nossas vidas, o que realmente somos, o quanto somos invejosos, vaidosos,
orgulhosos, egoístas, insensíveis. Para tanto podemos fazer como Santo
Agostinho que ao deitar-se á noite repassava mentalmente todas as ações do dia,
afim de poder reconhecer alguma prática infeliz e tentar consertar no dia
seguinte.
Não importa o sistema, o
importante é sondarmos nossa alma e na descoberta de nossos vícios, más
tendências, imperfeições morais, buscarmos forças, dentro de nós, para
substituirmos o homem velhos, que há muito habita dentro de nós por um homem
novo, um homem de bem em conformidade com o que nos ensina o Mestre, no seu
Evangelho, quando nos diz: sede perfeitos.
É difícil? Claro que é. Mas o
Pai em sua bondade infinita nos deu o presente da vida, cheia do outros tantos
presentes, tais como livre arbítrio, consciência, mentores espirituais,
oportunidades infinitas de aprendermos nas múltiplas reencarnações e para tanto
basta boa vontade.
Com certeza iremos reincidir em
velhas falsas alegações, em velhos erros, uma vez que somos um somatório de
muitas personalidades ao longo dos tempos e muito embora, agora esta seja a
melhor versão de nós mesmos, temos um longo caminho pela frente. Mas se
adotarmos a verdade como nossa espada e nosso escudo conseguiremos vencer as
falsas alegações e começaremos o trabalho da nossa reforma intima. Reforma esta
que vai se dar aos poucos, mas com certeza a cada novo dia, uma nova vitória,
afinal sabemos quem somos e o que precisa ser feito, para sermos melhores, para
termos paz na consciência, para sermos felizes.
E para sermos verdadeiramente
felizes temos que ser fraternos uns com os outros, usando a luz da verdade para
descobrirmos as reais necessidades nossas e do próximo.
Jesus nos disse: - ‘conhecereis
a verdade e a verdade vos libertará”.
Podemos empregar esse ditado
a todas as situações de nossas vidas e aqui no texto, a verdade sobre nossas
falsas alegações nos libertará e poderemos sob a luz do Cristo, caminharmos de
cabeça erguida em direção ao Pai.

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