sábado, 7 de outubro de 2023

NAS ESTRADAS

 

NAS  ESTRADAS

 

 

- Hoje estaremos dando continuidade ao estudo da obra “Pão Nosso”, psicografada por Francisco Cândido Xavier e ditada pelo espírito Emmanuel.

- O texto está no capítulo 25 do referido livro sob o título: “Nas Estradas”.

- Como podemos ver é um título, que embora sucinto, dá uma gama enorme de interpretações e sabemos que Emmanuel é mestre em suas reflexões de abarcar uma infinidade dos significados contidos no Evangelho de Jesus.

- Texto do livro: 

 

NAS ESTRADAS

 

E os que estão junto do caminho são aqueles em quem a palavra é semeada; mas, tendo-a eles ouvindo, vem logo Satanás e tira a palavra que neles foi semeada.”  - Jesus.

                                        (Marcos, 4:15)

 

Jesus é o nosso caminho permanente para o Divino Amor.

Junto dele seguem, esperançosos, todos os espíritos de boa vontade, aderentes sinceros ao roteiro santificador.

Dessa via bendita e eterna procedem as sementes da Luz Celestial para os homens comuns.

Faz-se imprescindível muita observação das criaturas, para que o tesouro não lhes passe despercebido.

A semente santificante virá sempre, entre as mais variadas circunstâncias.

Qual ocorre ao vento generoso que espalha, entre as plantas, os princípios de vida, espontaneamente, a bondade invisível distribui com todos os corações a oportunidade de acesso à senda do amor.

Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos vulgares e cada dia, num livro, numa particularidade insignificante do trabalho, na prestimosa observação de um amigo.

Se o terreno de teu coração vive ocupado por ervas daninhas e já recebeste o princípio celeste, cultiva-a com devotamento, abrigando-o nas leiras de tua alma. O verbo humano pode falhar, mas a Palavra do Senhor é imperecível. Aceita-a e cumpre-a, porque, se te furtas ao imperativo da vida eterna, cedo ou tarde o anjo da angustia te visitará o espírito, indicando-te novos rumos.

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A citação de Jesus, acima citada e que faz parte do evangelho de Marcos, nos lembra a Parábola do Semeador, do Evangelho de Mateus, cap XIII, vv 1 a 9, e nos fala do semeador que saiu a semear e ao fazê-lo, uma parte caiu ao longo do caminho e os pássaros a comeram; outra parte caiu em lugar pedregoso e ao vingarem o sol as queimou, porque não tinham raízes profundas cravadas em terra; outra entre os espinheiros e estes as abafaram;

Outras, finalmente, caíram em terra fértil e produziram frutos que por sua vez produziram uma infinidade de novas sementes.

Se prestarmos a devida atenção  veremos que o que nos relatam Mateus e Marcos nos seus evangelhos tem o mesmo objetivo, que é nos despertar para os ensinamentos do Cristo.

Logo, aquele que recebe a semente ao longo do caminho e não dá a merecida atenção, vem o espírito maligno e lhe tira o que fora semeado em seu coração;

Aquele que ao escutar a palavra, recebe-a com alegria, no primeiro momento, mas não tendo raízes dura apenas algum tempo. É o que recebe em meio das pedras e que quando vem as perseguições e reveses por causa da palavra, atribui a ela o escândalo e a queda;

Aquele que recebe a palavra entre os espinheiros escuta-a, mas se deixa levar pelo apelo da matéria, a ilusão do poder e das riquezas e a palavra se torna infrutífera;

Já aquele que recebe a palavra em terra boa, escuta a palavra e faz com que produza, sementes, arvores, frutos.

Visto que os evangelhistas nos passam o mesmo ensinamento do Cristo em duas passagens, vamos então refletir o que nos diz Emmanuel das palavras do Mestre, pois ele sempre aprofunda o significado contido nas mensagens.

Neste texto Emmanuel é claro em nos lembrar quem é Jesus: estrada, o caminho, a vida. É também a semente e o semeador.

E nós o que somos neste contexto?

Nós somos aqueles que recebemos a dádiva da vida, de uma vida eterna, imortal, com uma estrada, que nos conduzirá a condição de espíritos puros e felizes, mas que para que isto aconteça teremos que trilhar milhões de outras estradas presentes em inúmeras reencarnações, onde iremos construindo o nosso destino.

Mas, não nos enganemos, a tarefa é árdua, pois ao longo destas estradas, faremos muitos erros no caminho. Vamos tentar atalhos que nos porão a perder, às vezes uma encarnação inteira e teremos que recomeçar novamente a mesma estrada.

Vamos encontrar Satanás, que fique claro que essa é uma figura metafórica, ou espíritos malignos, ou obsessores que criamos pela estrada e se não estivermos imbuídos de escutar e praticar a palavra será levada de nós.

Encontraremos na nossa peregrinação interior, para dentro de nós, o nosso próprio demônio, aquele que viemos cultuando por diversas reencarnações e traz arraigado em si o egoísmo, o orgulho que esmagam todas as virtudes.

Emmanuel, nos fala de prestarmos atenção em tudo que nos rodeia, para que possamos agir como sementes germinadas, frutificadas, no Evangelho do Mestre, uma vez as oportunidades de sermos homens de bem, de estarmos junto do Cristo no caminho, nos são dadas a toda hora, a todo minuto, basta que, para isso tenhamos boa vontade e saibamos amar ao próximo como a si mesmo. A isto damos o nome de fraternidade com exercício da caridade.

Quase sempre a centelha divina aparece nos acontecimentos da vida, nas páginas de um livro, na observação de um amigo, numa particularidade simples no trabalho, pronto, aí está a semente e de posse dela, com amor sejamos também semeadores e no trajeto da nossa estrada terrena espalhemos essas sementes.

Diz o poeta, nessa música:

Penso que cumprir a vida

Seja simplesmente

Compreender a marcha

E ir tocando em frente

 

Como um velho boiadeiro

Levando a boiada

Eu vou tocando os dias

Pela longa estrada, eu vou

Estrada eu sou

 

Conhecer as manhas

E as manhãs

O sabor das massas

E das maçãs

 

É preciso amor

Pra poder pulsar

È preciso paz pra poder sorrir

È preciso a chuva para florir.

 

Emmanuel, termina este texto, nos dizendo que se já recebemos o princípio celeste e mesmo assim temos o terreno de nosso coração ocupado por ervas daninhas, devemos cultivar esse princípio no âmago de nossa alma cultivando-o com devotamento, pois se nos furtarmos ao imperativo da vida eterna, certamente receberemos a visita da mestra chamada Dor, que nos indicará os novos rumos.

Então irmãos, que façamos da nossa estrada, uma estrada de luz, gratos ao Pai pelas oportunidades que nos são dadas a todo momento, gratos a Jesus, nosso divino mestre, pelo exemplo, pelos ensinamentos, por esse evangelho, que é pura expressão do seu amor.

  

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