quinta-feira, 2 de novembro de 2023

A VINHA

 

A  VINHA



Dando continuidade ao nosso estudo do livro “Pão Nosso”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ditado pelo espírito Emmanuel o tema de hoje se encontra no capítulo 29, sob o título de “A vinha”.

 

Para termos um melhor entendimento das reflexões de Emmanuel, vamos lembrar que a parábola dos Trabalhadores da Vinha, que serviu de base para o nosso estudo de hoje, possui conceitos profundos, nos fala em sentido figurado da vinha, da jornada de trabalho, do pagamento justo, do últimos serem os primeiros, mas em essência, designa o local dos serviços humanos e refere-se ao volume de obrigações que os aprendizes receberam do Mestre Divino.

 

Emmanuel, no texto do nosso estudo de hoje, começa suas reflexões, pinçando desta parábola a sentença:

E disse-lhes; ide vós também para a vinha e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram.”

                           (Mateus,20:4)

 

Emmanuel, traz a baila a figura da vinha, muito usada metaforicamente no Velho e Novo Testamento bem como nos ensinamentos do Cristo, por ser muito comum o plantio de videiras e o uso do vinho por aqueles povos. A importância desta simbologia é tão forte que quando da codificação do espiritismo, mais precisamente na publicação do Livro dos Espíritos, os espíritos solicitaram a Kardec, que inserisse no cabeçário dos Prolegômenos, o desenho que eles fizeram, de uma cepa, um ramo de videira, contendo o galho, as folhas e frutos, porque ela é um emblema do Criador, dirão eles.

Todos os princípios materiais e espirituais podem se representar nela.

Resumindo:

A VINHA é a terra, nosso planeta, morada de almas e também de espíritos em processo de construção buscando a perfeição;

A  CEPA é o nosso corpo material;

O  LÍCOR é o espírito e

O  FRUTO é a alma, sintetizando a união do corpo com o espírito.

A conclusão que se chega é que a vinha por ser a nossa Terra, tem como o senhor dessa vinha Jesus, o governante do nosso planeta que vem como comandante dessa nave, organizando, estruturando e conduzindo o Orbe, com maestria e perfeição desde sua formação a bilhões de anos, onde essa vinha já passou pelos estágios de mundo primitivo, e atualmente mundo de provas e expiações. Fomos e somos todos convidados a trabalhar nessa vinha visando nosso aperfeiçoamento para de espírito simples e ignorante chegarmos a espíritos puros e nesse processo se desenrolam inúmeras reencarnações.

Já poderíamos ter galgado uma posição melhor na escala evolutiva. Mas a evolução não se dá de um dia para o outro, demanda tempo, aprendizado, resgates, regeneração, reparação e como somos presos aos interesses do mundo material e ainda não termos entendido que somos espíritos imortais usando corpos carnais, nos prendemos a desejos idéias e conceitos inerentes a matéria, que nada somam a nossa espiritualidade e assim cultuamos o egoísmo e o orgulho, desenvolvendo as antivirtudes da vaidade, dos preconceitos, da usura, dos desmandos no poder e tantos outras que fazem dissabores e permitem a presença da famosa mestra Dra., Dor em nossas vidas. Estas consequências aparecem nas reencarnações, aí se caracterizando como expiações e provas.

Deus, em sua bondade infinita, permite que reencarnemos nessa vinha do Mestre tantas vezes quanto forem precisas, até que se conclua o total resgate e reparação dos erros cometidos. Assim somos sempre convidados a trabalhar nos tornando trabalhadores cocriadores de Jesus na sua vinha. Todos serão pagos igualmente com justiça, do primeiro ao último trabalhador.

Porém ao nos desviarmos da prática do bem seremos como a videira que tem ramos que secam ou frutos que apodrecem, aí sendo necessária a poda, combatendo os fungos, cortando os galhos ressequidos, extirpando os maus frutos e isto representando nossos vícios, más tendências ao serem eliminados, fará que a videira volte a florescer cheia de vida e gerar sementes.

Esse reflorescer significa nossas diversas reencarnações, que vão nos capacitar para trabalhar na vinha de Jesus.

Atualmente nos encontramos ainda, acreditando que o Orbe é o palco de todos nossos desvarios e fazemos dele o tablado de hegemonias raciais e politicas promovendo a guerra em todas as suas nuances, velada ou mostrada, incluindo aí a guerra armada.

 Segundo a ONU, somos no planeta 193 países e mais de 50 se encontram em guerra uns com os outros e também em guerras civis, promovendo, mortes, fome, iniquidades, doenças, ódios, despertando o pior nos homens.

Mas ao mesmo tempo, este processo faz parte de separar o joio do trigo, de fazer a poda necessária para a transição do orbe para planeta de regeneração.

Emmanuel nos diz que embora ainda vivamos na bestialidade do uso da força, da falta de brandura da ausência de mansuetude vamos despertar para nosso imenso engano, pois junto a crosta terrestre estão os filhos da razão, que como uma enxertia exitosa, irão trazer consigo, quando de suas encarnações, a tarefa de contribuir para que tenhamos no orbe um padrão de vida mais elevado.

Para encerrar, lembremo-nos que sendo a vinha do Cristo, ele nos abraça a todos como irmãos e trabalhadores. Então sabedores que somos os trabalhadores da última hora num planeta que está em pleno processo de transição façamos a nossa parte o mais que pudermos, sendo fraternos com todos sem distinção ou preconceitos, praticando o bem, praticando a caridade com piedade e beneficência para que a nossa vinha, não seja apenas nossa, mas que seja de todos, para que a de todos também seja nossa e assim cobriremos todo o planeta traduzindo a vinha em amor fraterno incondicional e lembrando quando desanimarmos, que o Senhor nos concedeu a cada um, material justo e bom, bastando apenas boa vontade alicerçada no amor.


 

 Um pai de família, saiu de madrugada, ou seja, na primeira hora do dia, para aliciar trabalhadores para trabalhar na sua vinha. Acertou com eles o pagamento de um denário (moeda), por sua jornada e os enviou a vinha.

Saiu também na terceira hora e tendo visto na praça outros sem nada fazer mandou-os também para a vinha prometendo pagamento razoável e eles para lá se foram.

Saiu ainda na sexta e na nona hora do dia e fez a mesma coisa.

Tendo saído na décima primeira hora ao encontrar outros que estavam sem fazer nada perguntou-lhes: Porque permaneceis aí durante todo dia sem trabalhar? Eles responderam: Porque ninguém nos aliciou; e ele lhes disse: Ide vós também para a minha vinha.

Ao término da jornada chamou-os e começou a paga-los começando desde os últimos até os primeiros e a todos foram dados os mesmos valores de um denário a cada um.

Os trabalhadores da primeira hora, acreditando que deveriam receber mais que os da última hora argumentavam a injustiça de haverem trabalhado todo dia enquanto eles trabalharam somente uma hora.

Ele então lhes disse: Eu não vos fiz injustiça, pois paguei-lhes o que foi acertado, por mim, dou a estes últimos o mesmo valor. Não me é permitido fazer o que quero? E o vosso olho é mau porque sou bom?