quarta-feira, 17 de novembro de 2021

CARREGA A CRUZ

 

 

 

Dando continuidade ao estudo do Evangelho veremos os itens 17, 18 e 19 inseridos no capítulo XXIV, com o título CARREGAR SUA CRUZ - QUEM QUISER SALVAR A VIDA, PERDÊ-LA-Á.

Vamos então ver o que nos dizem os referidos itens:

 

Item 17 - Bem ditosos sereis, quando os homens vos odiarem e separarem, quando vos tratarem injuruiosamente, quando repelirem como mau o vosso nome, por causa do Filho do Homem.

  - Rejubilai nesse dia e ficai em transportes de alegria, porque grande recompensa vos está reservada no céu, visto que era assim que os pais deles tratavam os profetas. (S.Lucas, cap. VI. vv 22 e 23.).

 

Item 18 - Chamando para perto de si o povo e os discípulos, disse-lhes: - Se alguém quiser vir nas minhas pegadas, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me; - porquanto aquele que se quiser salvar a si mesmo, perder-se-á; e aquele que se perder por amorde mim e do Evangelho se salvará. - Com efeito, de que serviria a um homem ganhar o mundo todo e perder-se a si mesmo? (S. Marcos, cap VIII, vv. 34 a 36).

 

Os ensinamentos, as parábolas, os exemplos dados por Jesus tem uma amplitude moral que abrange infinitos pontos de vista, não ficando preso ao sentido literal, mas instruindo com maestria e docilidade aquele povo ignorante, nos caminhos do evangelho.

Nestas duas citações presentes nos itens acima citado, também acontece, isso que falamos, pois o Mestre nos convida a difundirmos sua palavra por todos os lugares e em todas ocasiões, fazendo-nos cristãos de fato e mais, fazendo-nos cocriadores de sua obra. Quando o Mestre assim o faz, sabe que nessa difusão de moral e amor, aqueles que passam o ideal adiante, ficam tocados com a beleza dos sentimentos bons, que a boa nova estimula e ensina e assim vai se formando uma cadeia, que vai chegando a todos e provocando profundas transformações, despertando nossa consciência para a prática do bem.

Quanto a espalhar a boa nova, encontraremos todo tipo de negacionismo, de entraves, por vezes perseguições sutis, que tornam o caminho espinhoso. Mas o trabalho tem que ser feito e para isso surgem novas ferramentas, que também podem ser usadas para fazer o mal, mas que tem maior valor se usadas para promover o bem. São as redes sociais onde o mndo inteiro tem acesso e se conecta. Vamos fazer uso dessa ferramenta para espalhar o evangelho. Existem vários modos de levar a boa nova, só em não compartilhar fakes, em não criticar e julgar o próximo em não estimular preconceitos ou falar desse ou daquele político.

 

Nesse convite, está implícita a prática da fé, pois Jesus não nos pede somente passarmos a palavra, mas mais que isso, nos pede para vivermos, o que espalhamos. Ele próprio deixou dito: eu sou o caminho, a verdade e a vida. Então somente internalizando e praticando esse conhecimento chegaremos a Deus.

 

Sabemos que Jesus por ser o ser mais perfeito que pisou na terra, tem uma visão totalmente diferenciada de tudo. Essa visão é compreenção, entendimento e cumprimento das leis de Deus.

Então a palavra vida no conceito do Mestre é muito mais ampla no significado. Quando Ele diz “quem quiser salvar a vida, perdê-la-á, se refere a vida espiritual, a vida com vivência moral para uso na espiritualidade na imortalidade do espiríto.

Em vista disso, reencanamos para crescer moralmente e para tanto é feita na erraticidade uma programação. Programação esta, que na maioria das vezes tomamos parte. Porém se ao reencarnarmos nos focarmos somente na vida material, provavelmente teremos que voltar para resgatarmos aquilo que desperdiçamos e com certeza faremos uma nova programação, agora mais cientes e arrependidos dos erros, essa programação assistida pelos bons espíritos e aprovação de Deus, será voltada para a busca dessa espiritualidade, com crecimento moral, praticando a caridade, seguindo os ensinamentos e exemplos do Mestre.

Mas não esqueçamos que somos, resultado de muitas reencarnações, crivadas de erros e vícios, alguns até reincidentes, num mundo de expiações e provas e reencarnamos sob o véu do esquecimento, para provarmos se de fato, nossa intenção de reforma feita na erraticidade e pedida na programação reencarnatória é verdadeira.

Ou seja, cumprindo a lei natural de ação e reação, aquele que só valoriza a vida material, sem busca nenhuma de uma vida com espirtualidade, tem uma encarnção nula e na próxima terá que arcar com as conseqüências dos seus erros. Porém nosso Pai Celestial, que só quer nosso bem e tem por nós um amor infinito, nos concede sempre uma nova oportunidade para consertarmos o que fizemos, na caminhada em busca da felicidade como espíritos puros.

  E a cruz? O que é a cruz?

Vivemos numa sociedade onde o mundo material está super valorizado, onde o mais importante é ter e não ser. Isto cria uma incompatibilidade para vivenciarmos a espiritualidade, com moral, com caridade, com humildade.

E se quisermos ser firmes na intenção de mudar temos que no dia a dia, a todo momento, dar provas da nossa intenção a respeito do evangelho do Cristo, seja ao transmitir ao próximo os ensinamentos e os exemplos por Ele deixado, seja em aplicar em nós mesmos, em nossas vidas essas lições de vivência moral, assim trabalhando para a regeneração planetária, começando primeiramente em nós mesmos.

Para tanto, temos que lidar com as cruzes de nossas vidas pretéritas somadas as cruzes de nossa vida presente fazendo assim o pacote de nossas expiações e provas.

Jesus nos convida a pegarmos nossa cruz, que será aquela que teremos que suportar com a verdadeira fé e seguirmos com ele sabedores, que iremos enfrentar todo tipo de tribulações para nossa reforma íntima e também ao disseminarmos seu evangelho.

 Tudo isso também é carregar a cruz é aliviar do peso dos outros a cruz deles. Cruz é renúncia. Renúncia de orgulho, de egoísmo. Vamos lembrar sempre, que Jesus renunciou a vida pela cruz, para nos mostrar o caminho. Aqueles que tiveram a oportunidade de conhecer a verdade tem o dever de passar adiante, nunca esquecendo que ser espírita e cristão é saber carregar a cruz com contentamento na esperança, que a fé raciocinada vai nos faz realizar com sucesso e conseguiremos então nos livrar do fardo que vimos adquirindo nas vidas passadas e consequentemente nos livrando do homem velho, que em nós ainda habita.


 

 

quinta-feira, 2 de setembro de 2021

A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS

 

“A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS”

Evangelho Segundo Espiritismo

Capítulo XIX, ITENS DO 08 AO 12

 

 

Item 08, 09 e 10 - “A FIGUEIRA QUE SECOU”

 

 

A parábola da figueira que secou, nos relata que quando Jesus e os apóstolos, saiam da cidade de Betânia, sentiu fome e ao avistar uma figueira, dirigiu-se a ela no intuito de achar um fruto para comer, mas como não era tempo de figos, só achou folhas.

- Disse Jesus à figueira: Que ninguém coma de ti fruto algum. E a figueira secou até a raiz. No outro dia ao passarem pela figueira Pedro lembrou e falou ao Mestre da maldição onde - Jesus lhes disse: Tende fé em Deus. Digo-vos, em verdade, que aquele que disser a esta montanha: tira-te daí e lança-te ao mar, mas sem hesitar no seu coração, crendo firmemente, de que tudo o que houver dito acontecerá. (S. MARCOS, cap. XI, vv. 12 a 14 e 20 a 23).

 

Para bem compreendermos a mensagem do Mestre, contida em suas parábolas não podemos levá-las ao pé da letra, pois em todas vamos encontrar ensinamentos no sentido figurado e até mesmo ocultos, porque dada a época os homens não compreenderiam e a mensagem iria se perder ao longo do tempo. Nesta parábola o Mestre fala da falta de fé ou melhor da fé vazia. A figueira que secou representa aqueles que se mostram aos outros como praticantes do bem, mas que na verdade nada produzem, representa todos os que podem ser úteis, seja com meios materiais ou não, mas se abstém de fazer qualquer coisa, daqueles que falam ensinamentos com palavras cobertas de um brilho de superficial verniz, mas que se analisadas a fundo nada levam de substancial ao coração.

A figueira que secou também representa todas utopias, sistemas ocos, doutrinas sem uma base sólida. Em verdade sem a verdadeira fé, aquela fé que mexe com todo ser, que nos faz a conexão com Deus, a fé que transporta as montanhas. A todos e tudo, que são figueiras improdutivas cobertas apenas de folhas é que Jesus condena, pois chegará o dia em que secarão até a raiz, ou seja, todos sistemas, sejam políticos ou sociais, sejam os homens deliberadamente inúteis, aqueles que vieram com recursos, que podiam promover o bem, a caridade e não o fizeram serão tratados como a figueira que secou.

A isto não devemos entender como castigo, haja visto que Deus não castiga ninguém. Nós sim nos castigamos, uma vez que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. O juiz implacável que habita em nós, chamado consciência, nesta vida, ou na erraticidade ou em outra vida vai nos cobrar e viremos quantas vezes forem necessárias para sermos figueiras produtivas.

 

Esta cobrança, não escapa à ninguém e também os médiuns, que vem dotados de faculdades afim de serem os interpretes dos espíritos. Aqui cabe lembrar que todos somos médiuns, alguns mais ostensivos que outros. Mas, já passamos todos, por avisos intuitivos, sonhos, sons e uma inúmera gama de manifestação espiritual, ainda mais agora, que está principíando a regeneração do nosso Orbe, que vai ascender para categoria de mundo de regeneração deixando de ser de provas e expiações. Nesse tempo de renovação social cabe, portanto a presença deles em todas classes sociais, em todos países, em todas as partes em todos movimentos sociais e religiosos para que fique demostrado que todos são chamados. Porém se eles se desviam do objetivo de servir com amor e caridade, se usarem a faculdade concedida para coisas fúteis ou prejudiciais, se não usarem em benefício gratuito ao próximo, se nenhum proveito tiram dela, para si mesmo, melhorando-se moralmente, então também serão como figueiras secas e Deus lhes retirará o dom que ficou inútil neles e consentirá que se tornem presas dos maus espíritos.

 

 

Item 11- instruções dos espíritos - A FÉ: MÃE DA ESPERANÇA E DA CARIDADE

 

 

O que é fé? Segundo o dicionário da língua portuguesa, fé é a crença na existência de Deus.

Mas segundo o Espiritismo fé é muito mais que apenas crer em Deus. Em latim a palavra fé também é dita FIDES, que significa Fidelidade e esse entendimento também se estende ao grego e ao hebraico. Então se fé quer dizer fidelidade, concluímos que deve existir um relacionamento.

Só que para se relacionar com Deus, não basta acreditar. Para ter fé acreditar em Deus é o de menos. Na verdadeira fé tem que haver a entrega. Tem que se colocar a disposição da Providência. Tem que haver comprometimento.

Fé é estar COMPROMETIDO! Acreditar é estar ENVOLVIDO.

O renomado palestrante espírita Haroldo Dias Dutra, cita um exemplo entre a diferença de estar comprometido e estar envolvido.

Numa refeição com ovo a galinha esta apenas envolvida, mas o ovo esta comprometido.

Acreditar é envolver-se. Pode entrar e sair a qualquer hora. São aqueles que hoje acreditam, amanhã não. Espiritas que apenas tomam conhecimento da doutrina, mas não a praticam, ou católicos que nunca vão a missa, ou evangélicos que não participam em nada na sua igreja. São como a galinha que põe o ovo e vai embora.

Ter fé, além de crer é praticar a fé, é viver a fé, com entrega com confiança e a fé para ser intensa não pode ser cega, tem que ser questionada, estudada, tem que ter conhecimento, para saber praticar e usar a fé. A fé com conhecimento é aquela que não tem máscaras, não tem dogmas, nem é supersticiosa e encontra na razão a certeza da verdade.

A fé é a mãe de todas as virtudes, que conduzem a Deus. A chegada de dias melhores, a esperança de que as tempestades deem lugar a bonança, de que tudo de ruim vai passar é alicerçada na fé e essa fé vista assim, nos conduz ao amor, á prática da caridade, pois se observarmos as promessas do nosso Mestre Jesus e seguirmos seus ensinamentos e conduta, a fé na regeneração dos homens, do planeta e de nós mesmos só aumenta e nos fortalece.

Essa fé assim internalizada em nossas almas faz com que não caiamos nas armadilhas do materialismo, pois temos a certeza de um Deus, melhor de um Pai, que nos abriga, conforta, abraça, protege e que só quer nossa felicidade, nos dando a imortalidade e essa centelha inata em nós, a fé, para trilharmos a estrada que leva a perfeição.

 

Item 12 - A FÉ HUMANA E A DIVINA

A fé é humana e divina.

Humana porque nos leva a superar obstáculos na vida de encarnados, nos possibilitando alcançarmos objetivos considerado por muitos como impossíveis.

Divina porque nos faz sermos melhores, cultuando o bem, fazendo ações nobres, praticando a caridade, na certeza de que estamos no caminho certo. O caminho que conduz a Deus.

 

Então, para finalizar façamos o que nos diz o poeta cancioneiro “ANDAR COM FÉ EU VOU, QUE A FÉ NÃO COSTUMA FAIÁ”.

Muito obrigado.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

HONRAI VOSSO PAI E VOSSA MÃE

 

 

HONRAI O VOSSO PAI E A VOSSA MÃE

 

 O amor filial é mais que um direito. Na verdade é um dever, por vezes além de um dever ético, também uma obrigação moral.

Nossa dívida começa na concepção, quando nossa mãe a despeito de todas dificuldades que possam surgir, sejam elas: de falta de tempo, de condições financeiras, da ausência de um pai, de uma saúde precária, leva a criança no ventre, por nove meses suportando o necessário para esse filho nascer, e mais, sempre dando amor. Também quando da ausência da mãe, faz o pai o papel de pai e mãe na criação dos filhos.

Nosso débito com nossos pais só aumentam a medida que crescemos e temos nas figuras deles o modelo, os ensinamentos e exemplos, para nos tornarmos cidadãos de bem, inseridos na sociedade.

Afora todos esses argumentos, sabemos que a paternidade e a maternidade não são coincidências feitas pelo acaso. Não. Na espiritualidade a reencarnação é um assunto seríssimo que demanda organização, deteminada pela espiritualidade maior e conhecimento e aceitação das condições reencarnatórias, por aqueles que vão reencarnar. São assim levadas em conta, pais, família, amigos, conjuges, afetos e desafetos, afinal estamos numa escola, num planeta de provas e expiações, onde viemos por muitas encarnações, para expiar, aprender e provar, então aí vemos como é crucial a presença dos pais em nossas vidas.

Aqui cumpre-nos comentar sobre aqueles pais e mães que são péssimos pais, omissos, maus, déspotas, torturadores, ausentes gerando uma infindável gama de problemas de foro intimo nos pobres filhos que estão sob sua guarda.

Também com essas criaturas os filhos devem amor filial. Como foi dito nada é obra do acaso e tudo passa na apreciação e permissão do Nosso Pai Celestial que só quer nosso bem, nos colocando sempre na estrada que leva a perfeição. Então esses pais, são débitos passados de vidas pretéritas, que agora reencarnados conosco nos servem ou de prova, ou de ensinamento, ou de expiação onde, se cumprirmos aquilo que foi acertado, passaremos na prova e consequentemente seremos mais felizes na próxima encarnação, ou talvez, até mesmo nessa. Sem contar que os ódios aplacados e perdoados, se transformam em afeto e é isto que o Mestre Jesus nos pede: - “Amai-vos uns aos outros”. Isto nada mais é do disseminar o amor pela ferramenta\ da caridade.

Esses conhecimentos tão bem explicitados pelo Espiritismo, nos mostram que fazemos parte de duas espécies de família: aquelas dos laços corporais, dos laços de sangue, e aquela dos laços espirituais.

A espécie da família dos laços corporais tem a unir a bagagem das coisas inerentes do corpo, ou seja o corpo daquele que reencarna procede do corpo de seus pais, familiares. Muito embora, por ocasião da encarnação, a espiritualidade designada para tanto, coloca esse ser na familia que ele quer, ou aquela que vai possibilitar maior ganho moral e evolutivo. Esse laço no entanto é frágil como a matéria, se extingue com o tempo e a tendência, se não for exercitado o verbo amar nessa familia é se fragmentar, se dissolver moralmente e cada um seguir seu rumo sem acrescentar nenhum valor a si mesmo.

Sabemos que os espíritos, assim como nós, interagem com afins, mas isso não quer dizer que reencarnar em uma família sem afins, ou também com desafetos de encarnações pretéritas não tenha seu valor. Muito pelo contrário, pois aquele que reencarna numa familia nessas condições está tendo a oportunidade de resgatar débitos, de extinguir velhos ódios, de exercer o perdão e também se perdoar e consequentemente exercer o amor .

A outra espécie de familia, a dos laços espirituais faz-se eterna, pois já existia e continua existindo, simpatia, afeto, comunhão de idéias, afinidade, desejo de se ajudarem mutuamente e isto persiste sempre durante as muitas reencarnaões e esses laços não se rompem na erraticidade. Esses espiritos familiares uns aos outros se purificam e perpetuam no mundo dos espíritos e a palavra família passa a ter uma conotação diferente, diria mais, universal, pois se compreende que familia somos todos, encarnados e desencarnados, filhos de um mesmo Pai.

Para elucidar algumas dúvidas, quanto a narrativa contida na Bíblia, (S. MARCOS 3:20-21 e 31 a 35; – S. MATEUS 12:46 a 50.), onde nessa passagem sua mãe e irmãos, estando fora da residência onde se fazia a prédica, mandaram chamá-lo, ao que Jesus assim disse a todos: - “Eis aqui minha mãe e meus irmãos; pois todo aquele que faz a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.” Causa estranheza essa atitude, pois é sabido que o Mestre sempre foi dono de uma mansetude, amor infinito e benevolência com todos, ainda mais com sua familia, onde morou e trabalhou com o pai até a idade de 30 anos. Também se sabe que seus irmãos, espiritos pouco adiantados não partilhavam de suas idéias, julgando-o excêntrico e não lhe dando crédito as suas palavras.

Sua mãe também não compreendia ao certo sua missão pois nunca lhe seguiu os ensinos, nem lhe deu testemunho como fez João Batista, mas era muito amorosa, dando ao mestre o amor maternal, que sempre lhe foi correspondido, donde se conclui que Jesus aproveitou o ensejo para reforçar o ensinamento da parentela corporal e da parentela espiritual, ou suas palavras foram mal compreendidas, ou mal reproduzidas, ou não são suas, pois tudo foi feito oralmente, sendo só bem mais tarde, escrito.

  Caridade com nossos pais, pois eles foram caridosos conosco, quando nos deram vida, quando nos geraram, nos sustentaram, suportaram nossos desvarios adolescentes, perderam noites de sono organizando nosso futuro, sofreram com nossos revezes e sempre nos apoiaram, muito embora, as vezes nossas escolhas eram as erradas. Quanto aos pais, que não foram o que os filhos queriam, a eles a obrigação é ainda maior e deve ser paga com perdão e esquecimento das ofensas, dos desmandos dos sofrimentos que infringiram. Com eles, além do amor será exercida a piedade filial, que consiste em atender com desvelo, carinho a necessidade dos velhos pais, que por muitas vezes ficam doentes, com enfermidades sofridas, totalmente dependentes, tais como alzeimer, AVC, demência e tantas outras que fazem do corpo uma prisão.

Somos todos pais e filhos frutos de inúmeras encarnações, por vezes na mesma família, como pais, irmãos, tios, avos, primos e assim vamos exercendo o perdão, eliminando ódios e rancores, até que entendamos que somos todos encarnados e desencarnados uma imensa familia universal, até que nos vejamos todos como irmãos, filhos do mesmo Deus amoroso que nos criou, até que incorporemos o conselho do Mestre em nossas vidas amando o próximo como a nós mesmos enfim até que a caridade seja a bandeira de todos, pois ser bom filho, bom pai, perdoando, amando, servindo, isto é caridade e como diz o lema do Espiritismo “fora da caridade não há salvação”.

Então vamos honrar, mas acima de tudo amar nossos pais.


 

quarta-feira, 24 de março de 2021

AMAI VOSSOS INIMIGOS

 

AMAI OS VOSSOS INIMIGOS

 

O tema de hoje, dando continuidade ao estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, diz respeito ao Cap.XII, que faz parte do Sermão da Montanha e é Atens 09, 10, 11 e 12 e tratam da vingança, do ódio e do duelo,

O dicionário da língua portuguesa nos diz que a palavra inimigo é quem odeia alguém e cita como sinônimos as palavras oponente, adversário, competidor, rival, etc.

E o que leva-nos a termos, a fazermos inimigos?

O orgulho, justificado pela falsa honra ferida, que vai fazer com que, surja a vingança também injustificada e carregada de ódio e rancor, impedindo qualquer pensamento de boa ação ao adversário e de qualquer ação de perdão, porque o ódio aprisiona aquele que odeia e somente o amor liberta.

Aquele que inimiza, sofre mais do que é inimizado. Porque aquele que inimiza, fica cada vez mais preso aos sentimentos negativos, cercando-se de um baixo padrão vibracional, que só atrai a baixa espiritualidade, doenças físicas e psicomaticas. Esse ódio, essa inimizade ele carrega por muitas reencarnações. Obsedando aquele que ele julga inimigo, além de contrair mais débito, continuará sofrendo muito nessa angústia de ódio e rancor, que só irá terminar quando essa relação tornar-se fraterna, nem que para isso se leve muitas encarnações.

O inimizado por sua vez, se não tomar cuidado acaba envolvido na corrente de ódio, passando a encarar o outro também como inimigo e assim com ambas as partes se detestando, procurando prejudicarem-se um ao outro em pensamentos e ações, originando uma força de repulsa, que só tende a aumentar mais e mais.

Aqueles que nutrem ódio aos seus desafetos, permitem que o orgulho de mãos dadas com o egoísmo, façam com que surja a idéia da vingança e a vingança exige que se pague o mal com o mal.

Há algum tempo atrás o ser humano julgando-se juiz e executor usava o duelo como moeda para lavar a honra que julgava maculada. Esse costume bárbaro, que era visto como um ato corajoso de vingança foi aos poucos desaparecendo, pois os duelistas que ganhavam a contenda, também eram vistos como assassinos e assim sofriam as penas das leis.

Então a vingança ganhou meios mais sofisticados e covardes e na maioria dos casos não atenta somente contra a vida do inimigo, mas também contra a honra, contra a família, contra tudo que puder causar dor e sofrimento ao inimigo.

Se formos analisar a fundo, aquele que busca vingança estando mergulhado em ódio, rancor e despeito são na maioria dos casos um covarde, que orquestra sua vingança nas sombras, incógnito, dando a tapa e escondendo a mão, isso quando se passa por amigo para destilar de perto seu veneno.

As pessoas que tem um ou mais inimigos se deixam envolver nessa relação de inimizade, cultuando o ódio que os torna amargos, intolerantes, insuportáveis. Odiar é fazer o contrário de tudo que nos ensinou o mestre e o que todas as religiões pregam independentes de serem judaicas, católicas, muçulmanas, afros, indianas, é o amor que é antagônico ao ódio. Quando odiamos calamos até nossa consciência, que se consultada nos diria que estamos errados.

Jesus no seu evangelho nos aconselha a todo o momento, a amarmos o próximo como a nós mesmos e fazermos ao próximo tudo aquilo que quereríamos que ele nos fizesse. Com essa prática de amor não teremos inimigos, não cultuaremos sentimentos negativos, não desejaremos vingança.

E quando um golpe nos for desferido, pelo ódio, responderemos com um sorriso e ao ultraje com o perdão.

Deixemos que até nos julguem covardes, mas estaremos cientes que nossas mãos não serão cúmplices de um assassinato ou de uma sórdida vingança, autorizada por falsos ares de honra, que não passa de orgulho ou amor próprio.

Jesus nos diz que antes de nos conectarmos a Deus em oração, antes mesmo de ir aos templos, igrejas, sinagogas, casas espíritas, terreiros, que devemos nos conciliar com os inimigos, perdoando-os de coração.

Assim procedendo estaremos exercendo o verbo amar. Com isto não se quer dizer que devemos levar o inimigo ao recesso do nosso lar, junto daqueles a quem nutrimos afeição fraterna. Mas quando pudermos devemos ter paciência, resiliência e oferecer o perdão, mesmo que apenas mentalmente, porque o desejo de perdoar tem que vir do coração, não devemos propagar seus defeitos e se tivermos oportunidade tornarmo-nos seu amigo.

A nossa vida como encarnados é um milésimo de tempo, na eternidade. Estamos aqui para expiar, para realizarmos provas, para aprender e nada é por acaso, então os ditos “inimigos” são na realidade oportunidades para evoluirmos, para seguir os passos do Mestre, praticando amor, perdão e caridade.

Mais tarde, quando desencarnados, veremos quão infantis foram nossas contendas, todas orquestradas pelo orgulho e pelo egoísmo.

Está na hora de mudarmos nosso comportamento, de nos regenerarmos.

Sabemos que o planeta esta passando pelo processo de regeneração. Pessoas estão desencarnando aos milhares através dessa pandemia que se abateu no orbe.

Para encerrarmos nosso estudo nos perguntamos:

Essa pandemia é um castigo de Deus?

Claro que não. O Pai não quer nosso mal. Fomos criados para sermos felizes, para acendermos na evolução como espíritos puros, para trabalharmos como co-criadores de sua obra, então como um pai zeloso e amoroso é permitido que se aplique um puxão de orelhas. Mas mesmo esse puxão de orelhas deve ser visto como uma oportunidade a qual temos que ser solidários, misericordiosos, caridosos. Fazermos o bem, inclusive aos inimigos e só assim fazendo o bem, perdoando a todos, estaremos fazendo o AMAI VOSSOS INIMIGOS e conseqüentemente caminhando em direção ao Pai.

Muito obrigado.

 

 

 

 

 

domingo, 3 de janeiro de 2021

BEM AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICOS

 

BEM AVENTURADOS OS QUE SÃO BRANDOS E PACÍFICO

 


Dando continuidade ao estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo iremos tratar do tema, ” bem aventurados os que são brandos e pacíficos” que é uma máxima do nosso amado Mestre Jesus, e está presente no referido livro no Capítulo IX, Itens 1, 2, 3, 4 e 5.

 Muito embora racionais, trazemos em nós, os instintos, a exemplo dos animais, como bagagem necessária a sobrevivência em vidas passadas, mais primitivas, quando tínhamos embotados os sentidos para os sentimentos e nossos atos, seguiam nossos instintos.

 Somos seres em constante evolução, tanto física como espiritualmente e nesse item nos tornamos seres sociais morando em cidades e mesmo na zona rural. Tendo em vista o globo tornar-se uma grande aldeia em função da globalização, do advento da internet, vimo-nos a coabitar com outras pessoas e criarmos leis que cerceiam e punem o excesso de liberdade dos que não respeitam o direito do próximo. Porém essa lei teria que ser uma atitude natural, com base nos ensinamentos de Jesus. Na doutrina do Mestre, a base do seu evangelho está nas afirmações: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo” e ” Fazer ao próximo aquilo que gostaria que nos fizessem”. Assim Jesus condena a violência, o ódio, à cólera e as ofensas, fazendo da brandura, da moderação, da mansuetude, da afabilidade e da paciência uma lei.

É muito comum confundirmos, levados pelo nosso orgulho e egoísmo, Passividade com ser Pacífico, duas palavras com significados, muito diferentes.

O passivo é aquele que se deixa levar, não tendo consciência, nem vontade própria para manifestar suas opiniões e pensamentos, fazendo suas verdades as verdades dos outros.

Já o brando e o pacífico agem com inteligência e elevação moral, não se deixando levar por baixos instintos, onde se bate primeiro e pergunta-se depois.

Nosso amado mestre há dois mil anos atrás prometia o reino dos céus aos brandos e pacíficos, por saber que essas virtudes são totalmente antagônicas ao Orgulho e ao Egoísmo.

Ao sermos pacíficos e brandos estamos exercendo também a caridade, por permitirmos que todos se expressem, para podermos, racionalmente, chegarmos a um consenso comum. Assim fica claro que ser pacífico não é ser covarde, mas bem ao contrário.

Nas artes marciais japonesas existe um ditado que diz: “O melhor uso que se faz de uma espada é mantê-la na bainha”. O grande Mahatma Ghandi é prova disso ao promover a revolução pacífica, que culminou com a independência da Índia do jugo inglês.

Segundo Joana de Angelis, no livro “Jesus e o Evangelho, a Luz da Psicologia Profunda, psicografado por Divaldo Franco, no item “A Paciência”, página 70, nos diz que a paciência pode ser considerada como a ciência da paz. Por isso são bem aventurados os pacíficos, aqueles que trabalham com método e confiança tranqüila em favor da renovação do mundo e das suas criaturas conseguindo ser chamados de filhos de Deus, que representam toda paz.

A paz deve constituir a meta do ser pensante que luta em contínuas tentativas de adquirir a plenitude.

A paz é tesouro que não pode ser afetado em circunstância alguma que a leve desaparecer. E a paciência é sua exteriorização, porque é o mecanismo não violento que se utiliza, a fim de alcançar os objetivos a que se propõe.

A paciência conquista individual através do esforço pela auto-iluminação, pelo autoconhecimento e descoberta dos objetivos da existência, transforma-se em caridade essencial, quando direcionada aos que sofrem, ajudando-os com benignidade, trabalhando a resignação que dela também se deriva.

A paciência encoraja o ser porque o ajuda a enfrentar quaisquer situações tomadas pela ciência da paz.

Então ser brando e pacífico é para ser exercitado a todo o momento de nossa vida mantendo sempre adormecido aquele leão que mora dentro de nós e que age movido geralmente por impulsividade, cego na sua ferocidade, produzindo danos ao próximo e a nós mesmos. Não devemos esquecer que as palavras ferem mais que os atos.

Então além dos ensinamentos do Mestre Jesus, também tem sua conduta, seu procedimento, ante as situações que provocariam atos violentos como resposta e que Ele tirava de letra mantendo a calma, a paciência e a mansuetude.

Deus nos enviou e envia a todo o momento bons espíritos, que encarnados entre nós promovem a paz, a resignação a resiliência colocando-os no seio de famílias com membros belicosos, bem como no meio de favelas com alto índice de criminalidade ou em países onde governos semeiam ódio e guerras, a fim de que se abdique o uso da força em detrimento da brandura e do pacifismo, que vai gerar o amor fraterno e universal e só assim poderemos nos elevar num padrão evolutivo e conseqüentemente sermos mais felizes.

Convido a todos mantermos nossas consciências despertas para evitarmos a tempo reações, atos, palavras intempestivas que venham incentivar a quebra da paz, da brandura, do ser pacífico. Vamos usar Jesus, que com certeza ficará feliz quando frente a uma adversidade, antes de tomarmos qualquer atitude nos perguntarmos:

- “O que faria Jesus no meu lugar?”