“A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS”
Evangelho Segundo Espiritismo
Capítulo XIX, ITENS DO 08 AO 12
Item 08, 09 e 10 - “A FIGUEIRA QUE SECOU”
A parábola da figueira que secou, nos relata que quando Jesus e os apóstolos, saiam da cidade de Betânia, sentiu fome e ao avistar uma figueira, dirigiu-se a ela no intuito de achar um fruto para comer, mas como não era tempo de figos, só achou folhas.
- Disse Jesus à figueira: Que ninguém coma de ti fruto algum. E a figueira secou até a raiz. No outro dia ao passarem pela figueira Pedro lembrou e falou ao Mestre da maldição onde - Jesus lhes disse: Tende fé em Deus. Digo-vos, em verdade, que aquele que disser a esta montanha: tira-te daí e lança-te ao mar, mas sem hesitar no seu coração, crendo firmemente, de que tudo o que houver dito acontecerá. (S. MARCOS, cap. XI, vv. 12 a 14 e 20 a 23).
Para bem compreendermos a mensagem do Mestre, contida em suas parábolas não podemos levá-las ao pé da letra, pois em todas vamos encontrar ensinamentos no sentido figurado e até mesmo ocultos, porque dada a época os homens não compreenderiam e a mensagem iria se perder ao longo do tempo. Nesta parábola o Mestre fala da falta de fé ou melhor da fé vazia. A figueira que secou representa aqueles que se mostram aos outros como praticantes do bem, mas que na verdade nada produzem, representa todos os que podem ser úteis, seja com meios materiais ou não, mas se abstém de fazer qualquer coisa, daqueles que falam ensinamentos com palavras cobertas de um brilho de superficial verniz, mas que se analisadas a fundo nada levam de substancial ao coração.
A figueira que secou também representa todas utopias, sistemas ocos, doutrinas sem uma base sólida. Em verdade sem a verdadeira fé, aquela fé que mexe com todo ser, que nos faz a conexão com Deus, a fé que transporta as montanhas. A todos e tudo, que são figueiras improdutivas cobertas apenas de folhas é que Jesus condena, pois chegará o dia em que secarão até a raiz, ou seja, todos sistemas, sejam políticos ou sociais, sejam os homens deliberadamente inúteis, aqueles que vieram com recursos, que podiam promover o bem, a caridade e não o fizeram serão tratados como a figueira que secou.
A isto não devemos entender como castigo, haja visto que Deus não castiga ninguém. Nós sim nos castigamos, uma vez que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. O juiz implacável que habita em nós, chamado consciência, nesta vida, ou na erraticidade ou em outra vida vai nos cobrar e viremos quantas vezes forem necessárias para sermos figueiras produtivas.
Esta cobrança, não escapa à ninguém e também os médiuns, que vem dotados de faculdades afim de serem os interpretes dos espíritos. Aqui cabe lembrar que todos somos médiuns, alguns mais ostensivos que outros. Mas, já passamos todos, por avisos intuitivos, sonhos, sons e uma inúmera gama de manifestação espiritual, ainda mais agora, que está principíando a regeneração do nosso Orbe, que vai ascender para categoria de mundo de regeneração deixando de ser de provas e expiações. Nesse tempo de renovação social cabe, portanto a presença deles em todas classes sociais, em todos países, em todas as partes em todos movimentos sociais e religiosos para que fique demostrado que todos são chamados. Porém se eles se desviam do objetivo de servir com amor e caridade, se usarem a faculdade concedida para coisas fúteis ou prejudiciais, se não usarem em benefício gratuito ao próximo, se nenhum proveito tiram dela, para si mesmo, melhorando-se moralmente, então também serão como figueiras secas e Deus lhes retirará o dom que ficou inútil neles e consentirá que se tornem presas dos maus espíritos.
Item 11- instruções dos espíritos - A FÉ: MÃE DA ESPERANÇA E DA CARIDADE
O que é fé? Segundo o dicionário da língua portuguesa, fé é a crença na existência de Deus.
Mas segundo o Espiritismo fé é muito mais que apenas crer em Deus. Em latim a palavra fé também é dita FIDES, que significa Fidelidade e esse entendimento também se estende ao grego e ao hebraico. Então se fé quer dizer fidelidade, concluímos que deve existir um relacionamento.
Só que para se relacionar com Deus, não basta acreditar. Para ter fé acreditar em Deus é o de menos. Na verdadeira fé tem que haver a entrega. Tem que se colocar a disposição da Providência. Tem que haver comprometimento.
Fé é estar COMPROMETIDO! Acreditar é estar ENVOLVIDO.
O renomado palestrante espírita Haroldo Dias Dutra, cita um exemplo entre a diferença de estar comprometido e estar envolvido.
Numa refeição com ovo a galinha esta apenas envolvida, mas o ovo esta comprometido.
Acreditar é envolver-se. Pode entrar e sair a qualquer hora. São aqueles que hoje acreditam, amanhã não. Espiritas que apenas tomam conhecimento da doutrina, mas não a praticam, ou católicos que nunca vão a missa, ou evangélicos que não participam em nada na sua igreja. São como a galinha que põe o ovo e vai embora.
Ter fé, além de crer é praticar a fé, é viver a fé, com entrega com confiança e a fé para ser intensa não pode ser cega, tem que ser questionada, estudada, tem que ter conhecimento, para saber praticar e usar a fé. A fé com conhecimento é aquela que não tem máscaras, não tem dogmas, nem é supersticiosa e encontra na razão a certeza da verdade.
A fé é a mãe de todas as virtudes, que conduzem a Deus. A chegada de dias melhores, a esperança de que as tempestades deem lugar a bonança, de que tudo de ruim vai passar é alicerçada na fé e essa fé vista assim, nos conduz ao amor, á prática da caridade, pois se observarmos as promessas do nosso Mestre Jesus e seguirmos seus ensinamentos e conduta, a fé na regeneração dos homens, do planeta e de nós mesmos só aumenta e nos fortalece.
Essa fé assim internalizada em nossas almas faz com que não caiamos nas armadilhas do materialismo, pois temos a certeza de um Deus, melhor de um Pai, que nos abriga, conforta, abraça, protege e que só quer nossa felicidade, nos dando a imortalidade e essa centelha inata em nós, a fé, para trilharmos a estrada que leva a perfeição.
Item 12 - A FÉ HUMANA E A DIVINA
A fé é humana e divina.
Humana porque nos leva a superar obstáculos na vida de encarnados, nos possibilitando alcançarmos objetivos considerado por muitos como impossíveis.
Divina porque nos faz sermos melhores, cultuando o bem, fazendo ações nobres, praticando a caridade, na certeza de que estamos no caminho certo. O caminho que conduz a Deus.
Então, para finalizar façamos o que nos diz o poeta cancioneiro “ANDAR COM FÉ EU VOU, QUE A FÉ NÃO COSTUMA FAIÁ”.
Muito obrigado.

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