quarta-feira, 20 de maio de 2020

FÉ E ESPERANÇA


 FÉ E ESPERANÇA


Hoje  iremos estudar a Fé e a Esperança.
Porém faremos uma breve explicação sobre a terrível pandemia conhecida como Corona Vírus, que se abateu sobre o nosso planeta, atingindo a todos, tornando-se o inimigo nº 1, ceifando vidas aos milhares e obrigando a mudança de hábitos, costumes, posicionamentos, políticos, intelectuais e reflexões.
Já não é mais segredo que o planeta esta passando por transformações extraordinárias tanto na área da ciência como da espiritualidade. Chegamos a um ponto em que não é importante ser e sim ter, acontecendo uma inversão de valores onde os valores materiais são a porta da felicidade. A corrupção, os crimes do colarinho branco são vistos como sinônimos de esperteza e inteligência e esquecemos que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
Se formos pesquisar em todas as religiões, na Bíblia este momento atual esta descrito, ás vezes veladamente. No Livro dos Espíritos, bem como no Evangelho Segundo o Espiritismo, obras de Allan Kardec, lá esta o nosso planeta sob a jurisdição do nosso amado Mestre Jesus, passando pelo processo de planeta de provas e expiações para tornar-se um planeta de regeneração, onde não haverá mais lugar para os egoístas, os orgulhosos e os praticantes do mal, pelo mal. Aqueles espíritos, que continuarem a persistir nos velhos hábitos, cultuando o mal, sob a bandeira do egoísmo e do orgulho, serão retirados do orbe e levados a encarnar em outros mundos de provas e expiações condizentes com sua moralidade.
Somos todos espíritos imortais e a perfeição ainda que relativa, é a meta de todos, ou seja, sermos seres angelicais, em comunhão com Deus e co-criadores de sua obra e assim alcançaremos a tão sonhada felicidade eterna e é só isto que Deus em seu amor infinito quer: nossa felicidade.
Mas para tal, é necessário que façamos reformas em nossos caracteres, pensamentos, ações ao longo de inúmeras reencarnações, para nos livrarmos dos inúmeros vícios, imperfeições morais, que fomos adquirindo fazendo mal uso do nosso livre arbítrio, optando por péssimas escolhas, cegos e surdos a nossa consciência.
Deus, na sua infinita bondade e justiça, nos deu presentes, alguns inatos em nossas almas, como o Livre Arbítrio, onde podemos decidir nossas escolhas como bem entendemos, sem a interferência desse Pai zeloso; A Consciência voltada para o que é certo  e justo e quando por nós consultada é aquele juiz inflexível e correto, que não admite erros; a Certeza de termos um ser superior criador e cuidador de nossas vidas, que esta presente em tudo, inclusive dentro de nós. A todo o momento somos presenteados pelo Criador com a encarnação de espíritos de luz em nosso meio, alavancando o progresso científico, filosófico, intelectual e moral, que nos dão ensinamentos e exemplos para serem seguidos. Permitiu a vinda do ser mais perfeito que pisou na Terra, Jesus, que veio ao Orbe para implantar o Reino do Amor, Amor a Deus, ao próximo, seja ele quem for e a prática da caridade, que é o verbo maior do amor.
Porém temos as duas maiores chagas, origem de todos os males, que são o egoísmo e o orgulho. E perseverando nessas duas imperfeições, estacionamos na estrada da evolução espiritual. No universo tudo obedece a ciclos e nossa jornada é cíclica. Por exemplo, o dia sucede a noite e vice versa continuamente, as quatro estações se sucedem sempre umas as outras, sempre, os movimentos de translação e rotação também. Nós também vivemos em ciclos que vamos chamar encarnações. Então encarnamos e desencarnamos ou vice versa, obedecendo a uma lei natural cíclica. Só que, por diversas vezes, dado nosso estado evolutivo, passamos a adquirir maus hábitos e péssimas escolhas, que fazem com que esse movimento cíclico seja reincidente e persistindo nos velhos erros, iremos reencarnar quantas vezes forem necessárias, até repararmos os erros cometidos. Aí vemos a bondade e a justiça perfeita do Criador, que está sempre nos concedendo novas oportunidades para resgate e caminhar em direção a perfeição.
E o que dizer dessa pandemia? É mais uma forma de agilizar a regeneração do planeta. Os Divinos Arquitetos, sempre estão a realizar as obras necessárias para nossa evolução. Por sermos aferrados ainda matéria, só conseguimos ver o ser humano como mortal e a vida na matéria é o que importa.
Se formos atentos, veremos que ao longo dos tempos sempre houve pandemias, tais como a peste negra, a gripe espanhola e tantas outras e agora temos o Covid19. Assim também as guerras que assolaram o globo a nível mundial cumpriram seu papel com a permissão de Deus. É de se notar que as pandemias, as guerras, os flagelos fazem com que o ser humano melhore seja cientificamente ou espiritualmente. Claro que se o ser humano fosse um ser evoluído jamais usaria a guerra, nem haveria necessidade de pandemias ou flagelos para impulsionar a sermos homens de bem.
Então com essa pandemia estamos vendo o ser humano se voltando ao lar, a cultuar  e conviver com a família, sendo solidário e mais caridoso com o próximo, observando o que Jesus tanto nos pediu, que era AMA TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO ou FAZ A TEU PRÓXIMO AQUILO QUE QUERERIAS QUE TE FIZESSEM e aqui vamos entrar no tema de hoje sobre a Fé e a Esperança usadas como ferramentas nessa pandemia.

Fé, o que entendemos de fé?

Durante muito tempo e também na nossa educação em sua maioria, foi-nos ensinado que ter fé era tão somente acreditar em Deus. Mesmo entre os aprendizes que interpretaram as palavras de Paulo erradamente. Supuseram que viver pela fé seria executar rigorosamente as cerimônias exteriores dos cultos religiosos.
Freqüentar os templos, harmonizar-se com os sacerdotes, respeitar a simbologia sectária, indicariam a presença do homem justo. Mas nem sempre vemos o bom ritualista aliado ao homem bom.  A essa fé chamamos de fé cega, pois apenas é uma afirmação de que somos crentes em Deus e esse tipo de fé pode ser perigosa uma vez que por ser sem conhecimento tem a tendência de por vezes tornar-se um movimento fanático.
Então se fé não é simplesmente acreditar seria o que? Se formos consultar o dicionário da língua portuguesa está escrito que fé é a crença na existência ou poder de Deus. Porém, tanto em hebraico, como em grego, como em latim a palavra fé tem o mesmo significado. Em latim, a palavra fé dita Fides também significa FIDELIDADE, assim como em grego e hebraico. Portanto, se fé quer dizer fidelidade, conclui-se, que não existe fé ou fidelidade se não existir relacionamento.
Num relacionamento com Deus, não basta acreditar. Para ter fé em Deus, acreditar é o de menos. Na verdadeira fé tem que haver a entrega, tem que haver comprometimento com Deus, tem que se colocar a disposição da Providência.
Fé é estar COMPROMETIDO, Acreditar é estar envolvido.
Diferença entre acreditar e comprometer-se, aqui um exemplo: Num café da manhã com ovos, bacon a galinha esta envolvida. O ovo esta comprometido.
Acreditar é envolver-se. Pode entrar e sair a qualquer tempo. Ex.: Eu acreditava no espiritismo, agora não, ou eu sou católico, mas nunca vou a missa, ou eu sou evangélico, mas não participo de nada na minha igreja. É como a galinha deixa o ovo e vai embora.
Ter fé é entregar-se, sem entender, ás vezes, como fez Maria que se entregou totalmente aos desígnios de Deus, quando lhe apareceu um anjo anunciando a vinda do Messias e lhe pedindo apenas confiança e entrega.
Ou como fez Abraão, quando foi dito á ele, - sai da tua família e vai a terra. A terra, que sem mapas e rotas eu te mostrarei.
Primeiro você se entrega aos desígnios de Deus, depois você vai entender.
E assim no capítulo 11 da epístola aos hebreus, Paulo vai citando um por  um aqueles que deram um exemplo inigualável de fé.
Até o momento em que Jesus fazia os milagres, curas era reverenciado pelos desvalidos, respeitado pelos doutos, os apóstolos estavam apenas envolvidos, nenhum havia se comprometido. Após sua morte e ressurreição a fé desabrochou nos seus corações e aí sim passou a existir a entrega, o relacionamento, o comprometimento.
Ter fé em Deus é se relacionar com fidelidade no relacionamento.
Achamos o casamento difícil? Mas com Deus é bem mais, porque Deus é sempre o Outro e nós temos dificuldade com o outro. Nós como crianças vemos o outro como continuidade de nós mesmos. Assim como a criança, pela experiência intra-uterina vê a mãe como sua continuidade. Por isso é tão sofrido nascer. É que pelo nascimento rompe-se o vínculo simbiótico e a criança embora ainda não a veja, reconhece-a pelo cheiro e aí começa o exercício do reconhecimento do outro.
Então muitos passam a vida inteira com dificuldades de relacionamentos, por não aceitarem que o outro não é uma extensão de si mesmo. Nós temos essa dificuldade. Ás vezes nos perguntamos: - Como é que pode ele não gostar do que eu gosto? De não fazer o que eu faço? É inadmissível alguém não ter a minha opinião. Isso é relacionamento entre seres iguais.
Com Deus essa relação complica, porque Ele é absoluto e nós somos o relativo.
O difícil de se relacionar com Deus é que Ele não é previsível, você não sabe o que ele vai fazer e Deus é o Ser que decide e todo propósito de Deus se concretiza. Conforme Emanuel: - Deus não manifesta propósitos a esmo. E essa fé é o supremo desafio humano, porque chega um momento que é o teste da fé, que é a entrega. Somos capazes de nos entregarmos a esse Outro?
Kardec diz, deposita a fé em Deus. Sabendo que nada acontece sem sua permissão, ou seja, entrega-te. Acreditar ou não acreditar é apenas o início. O desafio da virtude da fé, que segundo o Evangelho, é a mãe de todas as virtudes, não é acreditar. É se entregar, se comprometer com as obras de Deus. É trabalhar pelo próximo e ser um homem de bem.
Certa vez perguntaram para Madre Tereza de Calcutá: - Madre, quando a Senhora está orando, o que a senhora fala para Deus? E ela respondeu: - Eu não falo nada só escuto. Perguntaram-lhe então: - E o que Ele fala para a senhora? Ela respondeu: -Ele não fala nada, só escuta.
Madre Tereza, esse espírito, quase angelical, entendeu que a fé não é acreditar e sim relacionar.
Nesse contexto, a fé, apoiada na esperança, nos faz encontrar forças para suportar pandemias, guerras, flagelos, tornando-se ferramentas poderosas para exercitarmos a aceitação, a resignação, a resiliência, o perdão e o amor.
Todos os dias temos que exercitar a fé divina para que ela faça parte do cotidiano de nossas vidas. Esse exercício cumpre observar o que nos diz Paulo (o apóstolo dos gentios) na Carta aos Coríntios onde ele coroa a fé como a mãe de todas as virtudes e que as virtudes da teologia são a fé, a esperança e a caridade. Sem fé perde-se a esperança e anula-se a caridade ou o amor, posto que caridade é amor.
Para encerrarmos esta exposição vou ler uma mensagem do espírito da Meimei contida no livro Cartas do Coração, psicografado por Francisco Cândido Xavier, endereçada ao seu esposo Arnaldo Rocha.


                           CONFIA SEMPRE


Não percas a tua fé entre as sombras do mundo.
Ainda que teus pés estejam sangrando, segue para frente, erguendo-a por luz celeste acima de ti mesmo.
Crê e trabalha.
Esforça-te no bem e espera com paciência.
Tudo passa e tudo se renova na terra, mas o que vem do céu permanecerá.
De todos infelizes, os mais desditosos são os que perderam a confiança em Deus e em si mesmo, porque o maior infortúnio é sofrer a privação da fé e prosseguir vivendo.
Eleva, pois, o teu olhar e caminha, luta e serve.
Aprende e adianta-te. Brilha a alvorada além da noite.
Hoje é possível que a tempestade te amarrote o coração e te atormente o ideal, aguilhoando-te com a aflição ou ameaçando-te com a morte. Não te esqueças, porém, de que amanhã será outro dia.

                                        -x-x-x-x-x-x-


Isto,  é fé.
A pessoa de bem está nessa vibe. Na vibe da confiança. O socorro embora não seja instantâneo sempre vem. O que nos salva são as obras não a fé. Temos que refletir ouvimos ou praticamos?
Hoje somos o resultado do ontem, Temos que agir para o resultado do amanhã.





Nenhum comentário:

Postar um comentário