domingo, 10 de novembro de 2019

DINHEIRO







DINHEIRO

“Porque o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males; e, nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” — Paulo. (1ª EPÍSTOLA A TIMÓTEO, capítulo 6, versículo 10.)

Paulo não nos diz que o dinheiro, em si mesmo, seja flagelo para a Humanidade.
Várias vezes vemos o Mestre em contacto com o assunto, contribuindo para que a nossa compreensão se dilate. Recebendo certos alvitres do povo que lhe apresenta determinada moeda da época, com a efígie do imperador romano, recomenda que o homem dê a César o que é de César, exemplificando o respeito às convenções construtivas. Numa de suas mais lindas parábolas, emprega o símbolo de uma dracma perdida. Nos movimentos do Templo, aprecia o óbolo pequenino da viúva.
O dinheiro não significa um mal. Todavia, o apóstolo dos gentios nos esclarece que o amor do dinheiro é a raiz de toda espécie de males. O homem não pode ser condenado pelas suas expressões financeiras, mas, sim, pelo mau uso de semelhantes recursos materiais, porquanto é pela obsessão da posse que o orgulho e a ociosidade, dois fantasmas do infortúnio humano, se instalam nas almas, compelindo-as a desvios da luz eterna.
O dinheiro que te vem às mãos, pelos caminhos retos, que só a tua consciência pode analisar à claridade divina, é um amigo que te busca a orientação sadia e o conselho humanitário. Responderás a Deus pelas diretrizes que lhe deres e ai de ti se materializares essa força benéfica no sombrio edifício da iniquidade!

  
Diz um dito popular “o dinheiro é a raiz de todos os males” Jesus quando de sua estada no planeta ensinou-nos: Em verdade, vos digo, que é mais fácil passar um camelo por um fundo de agulha, do que entrar um rico no reino dos céus”.
O mestre usa o dinheiro para nos mostrar o real valor da moeda.
As pessoas vêm ao longo do tempo escutando as palavras do Mestre esquecendo-se do significado profundo para a alma nestes ensinamentos. Neste caso, será que Jesus disse apenas da impossibilidade de um rico entrar no reino dos céus? Será que a pobreza é uma virtude que torna os pobres mais merecedores das graças divinas?
Nunca podemos esquecer que na criação tudo é perfeito e isso envolve as leis naturais, todas sob a justiça divina. Como Deus nunca erra, tudo está no lugar que deveria estar e de como deveria estar e todos estamos sujeitos as mesmas leis. Como bem diz o ditado “o Sol nasce para todos”. Aos olhos de Deus somos todos seus filhos, todos iguais, sejamos pobres ou ricos.
O ser humano dado sua evolução moral, não consegue enxergar com os olhos da alma e por mais das vezes perde-se empregando todos seus esforços para tornar-se rico e poderoso. Esquecemo-nos que nossa vida como encarnados é uma breve passagem onde não estamos aqui para enriquecer com dinheiro, até porque não levamos conosco para a pátria espiritual. Estamos aqui sim para enriquecermos de virtudes morais para que possamos justificar ao Criador nossa vinda aqui no orbe.
Chega por vezes a ser ridículo, as pessoas orando a Deus, pedindo uma beirinha na loteca.
No Livro dos Espíritos, perguntas 808 a 816, os espíritos esclarecem que nunca houve e nem nunca haverá igualdade absoluta das riquezas, pois a esse pensar se opõe a diversidade das faculdades e caracteres. E aqueles homens que pensam que a igualdade absoluta das riquezas, se porventura houvesse, seria uma quimera, pois logo seria desfeita, pois existem entre nós duas chagas, o Egoísmo e o Orgulho que enquanto não forem eliminados, continuaremos imperfeitos, sem um senso ético de justiça.
As provas da Riqueza e da Pobreza são provas aplicadas para experimentarmos em modos diferentes. Com certeza tomando conhecimento da justiça divina e da pluralidade das existências algumas vezes viremos ricos e outras pobres. Somos nós mesmos, que mesmo sucumbindo em diversas vezes, em inúmeras reencarnações que as escolhemos. As duas provas têm o mesmo peso. A Miséria provoca queixas contra a Providência e a Riqueza incita todos os excessos.
Aquele que está em uma condição favorável, como rico, dispõe de muitos meios de fazer o bem, mas é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta e insaciável. Com a riqueza suas necessidades aumentam e julga nunca possuir o bastante para si unicamente.
Ser rico e poderoso e ter autoridade sobre seus semelhantes são provas grandes e escorregadias, porque quanto mais rico e poderoso, mais obrigações têm que cumprir e os meios que dispõe servem para fazer o bem ou o mal de acordo com seu livre arbítrio.
Ter dinheiro não é condição para ser feliz, muito pelo contrário. Não é a toa que vemos seguidamente pessoas ricas e poderosas cometer o desatino do suicídio.
O dinheiro é propriedade simples de Deus. É ilógico pensar que nos pertence, uma vez que é apenas um empréstimo de Deus para lograrmos êxito no processo reencarnatório. De posse do dinheiro em nossas mãos devemos deixá-lo liberto para ampararmos o pobre, o faminto, o doente, aquele que tem fome e frio, o mendigo e todos aqueles que não dispõem de um mínimo para suas necessidades. O dinheiro assim liberto da ganância e da avareza torna-se o condutor da caridade e da misericórdia.
Temos que ter cuidado para que ao gerirmos mal o dinheiro ele venha a tornar-se o nosso algoz nas próximas encarnações, pois não esqueçamos que o plantio é livre, mas a colheita é obrigatória.
A pobreza e a miséria, constituem provas e quando surge a revolta naqueles que estão passando por esse processo se maldizendo da “sorte” que Deus lhes deu, anulam o mérito do que deveriam aprender. A pobreza se torna angústia, ódio, depressão e fica o ser humano inclinado a praticar qualquer ato para enriquecer, passando a viver o ditado “os meios justificam o fim”. Com isso, embora saibamos que ao encarnar, na programação da encarnação esta prevista vivência na pobreza. Mas, não devemos nos entregar ao ostracismo e nada fazer para vencer a pobreza, pois Deus nos permite lutar baseados na Lei Natural do Progresso, usando nosso livre arbítrio, desde que estejamos imbuídos do desejo de praticar a caridade, sejamos pobres ou ricos.
Vamos nos conscientizar que assim como a pobreza a riqueza não são obstáculos a salvação. Tudo depende das nossas escolhas, que levamos a efeito com nosso livre arbítrio. Se nos deixarmos orientar pelo exemplo e os ensinamentos do Cristo, daremos o bom uso que se deve dar ao dinheiro e agradeceremos a condição da pobreza ou da riqueza. Com amor e fé no coração faremos a caridade ao próximo, sendo rico ou pobre, mas com a certeza de que aos olhos de Deus seremos milionários de virtudes que é a verdadeira moeda dos céus.



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