SEDE
PERFEITOS
O Evangelho Segundo o Espiritismo
por Allan Kardec, tem por objetivo a explicação das máximas morais do
cristo em concordância com o espiritismo e suas aplicações às diversas
circunstâncias da vida, tornando nossa caminhada menos penosa, mostrando-nos
novos horizontes, levando-nos inspirados a um objetivo maior onde iremos
caminhar em direção a uma meta, dando-nos a possibilidade de irmos a Deus
alcançando aquele estreitamento entre o Criador e a criatura. Em verdade, dirá
Emanuel que o Evangelho de Jesus e mais tarde com a doutrina espírita,
aprendemos que seu evangelho é a CIÊNCIA DIVINA DA NOSSA LIGAÇÃO COM O PAI. A
síntese desse processo é a frase que Jesus proferiu dizendo: “Sede, vós
outros, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial”, e que é o tema
proposto para este estudo; está no capitulo XVII do Evangelho Segundo o
Espiritismo e se encontra no final do Sermão do Monte, capítulo V, versículo 48
de S. Mateus.
Essa
frase lida sem a devida atenção que merece, trás uma incógnita, e mais um
paradoxo, a incógnita é que Deus infinitamente perfeito o será sempre mais que
nós, as criaturas em todas suas qualidades, pois se assim fosse, teríamos seus
atributos e também seríamos deuses. O paradoxo é uma aparente contradição,
sendo uma utopia, sermos perfeitos como Deus. O espiritismo vem a seu turno
explicar o que disse o mestre e veremos que a dificuldade no entendimento não é
na lição, mas nos aprendizes. Assim, o Mestre nos indica a nossa meta, o nosso
objetivo, que é irmos em direção ao Pai, até chegarmos a perfeita comunhão com
ele na condição de seres angelicais, de espíritos puros. E para que possamos
seguir o que nos ensina Jesus, temos de procurar entender, saber e compreender
o que é Deus.
No
Livro dos Espíritos, na questão 10 Kardec pergunta aos espíritos: É possível a
criatura humana penetrar a natureza íntima de Deus? Resposta: Não, falta-lhe
para isso um sentido.
Na
questão 11 é perguntado se um dia o homem verá à Deus é dito, que quando seu
espírito não estiver preso a sua matéria irá de acordo com sua evolução,
perfeição se aproximando de Deus, aí então ele o verá e o compreenderá.
Entende-se que o aperfeiçoamento desenvolve faculdades e sentidos para ver e
compreender. Esse processo também depende da desmaterialização, inclusive do
períspirito, ou seja, um espírito puro, ou angelical. Conclui-se que para
termos a visão do Criador depende da nossa evolução.
Jesus
ao longo de seu Evangelho, nos fala, por vezes usando pronomes distintos. Ora
diz Meu Pai, ora Vosso Pai e também Nosso Pai. Claro que Ele não fala assim por
acaso, é que Jesus fala para todos e para todas as épocas, e quando diz Meu
Pai, refere-se a visão que Ele tem, como espírito puro de quem conhece,
compreende e está em permanente comunhão com Deus. Quando fala Vosso Pai,
refere-se a nossa compreensão do Criador, que é uma visão limitada pela nossa
perfeição. Quando fala Nosso Pai é uma visão comum a todos e a Ele, como se
fosse a matemática dos conjuntos onde existisse o conjunto vós, o conjunto
Jesus inseridos no conjunto nós.
O
espiritismo vem a seu turno explicando as lições do Mestre, solucionar a máxima
de Jesus quando ele fala “sede perfeitos, como perfeito é meu Pai Celestial”
entendo-se que a perfeição é relativa. Que não podemos ser perfeitos como Deus,
ou como Jesus, mas que podemos ser perfeitos de acordo com nossa condição de
espíritos em desenvolvimento, encarnados num mundo de expiação. Jesus,
sabiamente, quando na sua passagem na terra, não explicou o que é Deus, mas
falou sobre os atributos do Pai, como, o amor infinito, e assim dizendo, ora em
palavras ora em ações, que o homem para ser cada vez mais perfeito precisa usar
em sua vida os atributos de Deus, que eles vão conduzir-nos nos caminhos da
evolução e o espiritismo, corroborando esta idéia, nos explica que usando esses
atributos em sucessivas reencarnações, iremos, gradativamente, nos
aperfeiçoando até podermos estar como o Cristo, em comunhão com Deus. O
Espiritismo esmiuçando, o pensamento de Jesus, deixa claro, que para atingirmos
a perfeição, a condição sine qua non, é sermos verdadeiramente caridosos, pois
a caridade, essa escada que nos leva, a perfeição, nos torna ciente, que ao
praticá-la, isenta de interesses ou segundas intenções, vamos tomando
conhecimento de nossas imperfeições e é fundamental que saibamos quem somos, como
já aconselhava Sócrates ao falar “conhece a ti mesmo”. Assim, passaremos a
combater o egoísmo no amparo ao próximo e também o orgulho, a vaidade exercendo
o que nos disse Jesus quando falou que devemos amar e fazermos ao próximo
aquilo que quereríamos que nos fizessem”. Compreendemos então, que a perfeição
embora relativa aos nossos estágios pode sim ser alcançada, dependendo
unicamente de nós e também ficamos cientes, que será uma estrada penosa, uma
vez que iremos lutar contra nós mesmos ao corrigir nossos vícios e más
tendências, mas ao mesmo tempo prazeroso, pois estaremos sentindo aquela
felicidade de sermos úteis em ajudar ao próximo, aplicando a caridade em todas
ocasiões de nossa vida.
CAMINHO
DA PERFEIÇÃO
Kardec,
no Evangelho Segundo o Espiritismo, usa de sua didática, aconselhado pela
espiritualidade superior, o caminho e as ferramentas para irmos a busca de
sermos perfeitos, não confundir com sermos perfeccionistas, que é um distúrbio
neurótico no qual a pessoa sente constante insatisfação com seu desempenho e
dúvidas sobre a qualidade do seu trabalho gerando obstinação, rigidez excessiva
prejudicando a pontualidade e eficiência, colocando temas que fazem parte do
processo de ser perfeito. Assim seguem os temas:
O
HOMEM DE BEM
É
aquele que, resumidamente, cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade na
sua maior pureza. Que como Sto. Agostinho ensinou interroga sempre a si mesmo,
usando o crivo da consciência, sobre seus próprios atos, se violou essa lei, se
não praticou o mal, se fez todo o bem que podia, se desprezou voluntariamente
alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem queixa dele e se fez a outrem tudo
que desejaria que lhe fizessem.
Sabemos
que o melhor ensinamento vem do exemplo e não temos melhor exemplo do que ser
um homem de bem, do que foi Jesus. Quando em dúvida sobre certo procedimento ao
estarmos confusos quanto ao julgamento, façamo-nos a pergunta: “o que faria
Jesus em me lugar”? Certamente a
resposta será a correta, quanto ao que se fizer, se soubermos quem e como foi
Jesus.
OS
BONS ESPIRITAS
Ser
um bom espírita é ser um homem de bem espírita, pois de posse dos conhecimentos
que a doutrina lhe dá consegue ter uma fé inabalável sem dogmas, sem cegueira,
conseguindo uma visão mais clara do futuro, entende e aceita as provas porque
esta passando, pratica a caridade movido por amor ao próximo, assim
reconhece-se um bom espírita, pela sua transformação moral e pelos esforços que
emprega para domar suas inclinações más.
PARÁBOLA
DO SEMEADOR
(ler
aqui a parábola pg 289)
A parábola do
semeador
1Naquele mesmo dia, Jesus saiu
de casa e assentou-se à beira-mar.
2Reuniu-se ao seu redor uma multidão tão grande que, por isso, ele
entrou num barco e assentou-se. Ao povo reunido na praia
3Jesus falou muitas coisas por
parábolas, dizendo: "O semeador saiu a semear.
4Enquanto lançava a semente, parte dela caiu à beira do caminho, e
as aves vieram e a comeram.
5Parte dela caiu em terreno
pedregoso, onde não havia muita terra, e logo brotou, porque a terra não era
profunda.
6Mas, quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque
não tinham raiz.
7Outra parte caiu no meio dos
espinhos, que cresceram e sufocaram as plantas.
8Outra ainda caiu em boa terra, deu boa colheita, a cem, sessenta e
trinta por um.
9Aquele que tem ouvidos para
ouvir, ouça!"
S.Mateus,
cap XIII, VV. 18 a
23
Aqui,
o Espiritismo, refere-se aqueles ouvintes da boa nova, ou espíritas que apenas
atentam aos fenômenos materiais, porque neles são apenas fatos curiosos, não se
tirando nenhuma conseqüência, também aqueles que se interessam pelas
comunicações dos espíritos apenas para satisfazerem a imaginação, continuando
frios e indiferentes como sempre foram. Agora aqueles, que reconhecem e admiram
os bons conselhos, aplicando a si próprios e não aos outros são como a semente
que cai em terra boa e frutifica.
O
DEVER
Aqui
Kardec coloca instrução do espírito Lázaro, como sendo dever fator importante
para a busca da perfeição. Este dever não é o dever imposto pelas profissões,
mas o dever da obrigação moral que temos conosco mesmos e para com os outros.
O
dever torna-se muito difícil de ser cumprido, pois esta em antagonismo com as
atrações do interesse e do coração. Para ser cumprido corretamente depende do
nosso livre arbítrio obedecendo nossa consciência. Mas muitas vezes mostra-se
impotente frente aos argumentos falsos da paixão. Para cumprir fielmente com o
dever, diz o espírito de Lázaro: “O dever principia sempre, para cada um de
vós, do ponto em que ameaçais a felicidade ou tranqüilidade do vosso próximo;
acaba no limite que não desejais ninguém transponha em relação a vós”.
A
VIRTUDE
São
todas as qualidades que constituem o homem de bem. Aí tem a virtude como
opositor o orgulho, a vaidade, que quando alardeada exaltando seus feitos como
alma caridosa, para que todos saibam ou para esconder uma imensidade de
pequenas torpezas e odiosas covardias, a virtude assim exercida anula todo
mérito real que possa ter. É então preferível, pouca virtude com do que muita
com orgulho.
OS
SUPERIORES E OS INFERIORES
O
Evangelho nos orienta da importância dos inferiores e dos superiores. Todos
estão sujeitos as mesmas leis Deus. Cabe aos superiores (ricos ou em posição de
comando), muito se lhes foi dado e muito lhes será pedido. Somos sabedores que
as riquezas e as posições de mando, são emprestadas, não para nosso bel prazer,
mas para bem usarmos, a fim levar progresso ao nosso redor e também para ajudar
os fracos, amparar os desalentados e que depois teremos de prestar contas sobre
o que nos foi dado e o uso que fizemos. Iguais responsabilidades têm os
inferiores, cumprindo suas tarefas com resignação e aceitação, não maldizendo
sua sorte, uma vez que nada é por caso, portanto não existe. Existe sim a
justiça Divina aplicando em nós aquilo que merecemos, uma vez que todos trazem
uma bagagem volumosa de outras encarnações e nunca esquecendo que estamos num
planeta de provas expiações, mas que queremos ser perfeitos.
O
HOMEM NO MUNDO
Estamos
cada vez mais globalizados. O planeta que antes era dividido em continentes,
países em virtude do avanço da tecnologia das comunicações, satélites,
internet, faz com que estejamos em contato com espíritos de naturezas
diferentes, caracteres diferentes, outras culturas, outros costumes, outras
religiões e isto não devemos deixar que choquem a nenhum com que estivermos.
Devemos sim, viver com homens de nossa época como eles vivem, porém tendo o
cuidado de manter a comunhão com Deus agradecendo tudo que temos e praticando a
caridade absoluta. Nas preces feitas ao Senhor, consciente da vontade de mudar
e na prática da verdadeira caridade conseguimos forças para não cair aos apelos
das paixões, das frivolidades do mundo de hoje, lembrando sempre que o homem
foi criado como um ser social e que é em sociedade que desenvolvemos nossas
piores qualidades, mas também as nossas melhores. É tudo uma questão de escolha
e de livre arbítrio. O plantio é livre, mas a colheita é obrigatória. Então não
sejamos egoístas, nem tampouco orgulhosos. Vamos interagir, integrarmos com
nossos irmãos com amor e caridade, pois
Deus é amor, e aqueles que amam santamente, ele os abençoa.
CUIDAR
DO CORPO E DO ESPÍRITO
O
Espiritismo nos trás a certeza de que nos encarnados a alma tem que estar em
sintonia com o corpo que habita. Cerceado o espírito pela carne faz-se
necessário que cuidemos do corpo sem descuidar do espírito, pois as
enfermidades influenciam a alma de maneira significativa. Diz a famosa citação
latina derivada Sátira X, do poeta romano Juvenal “mens sana in corpore sano”,
que quer dizer mente sadia em corpo são. Devemos então atender as necessidades
que a Natureza impõe ao nosso corpo atender as necessidades de nosso espírito
em busca da perfeição e isto significa não abusar nem torturar nosso corpo que
é o templo, embora provisório dessa centelha divina que nossa alma. Vamos sim,
na busca da perfeição, fazendo nosso espírito passar por toda as reformas que
se fazem necessárias, dobrando-o, submetendo-o, humilhando-o, mortificando-o:
esse o meio de nos tornarmos dóceis à vontade do pai e o único de alcançarmos a
perfeição.

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