O INCENTIVO SANTO
O
tema foi retirado do Livro Jesus no Lar de Francisco
Candido Xavier, ditado pelo espírito de Neio Lúcio e trata do Incentivo Santo,
capítulo 41. Este livro trata de histórias de Jesus e pequenas parábolas, com a
devida aplicação e explicação. Para tanto se faz mister que leiamos o cap. 41
como segue:
Aberta a
sessão de fraternidade em casa de Pedro, Tadeu clamou, irritado, contra as
próprias fraquezas, asseverando perante o Mestre:
— Como
ensinar a verdade se ainda me sinto inclinado à mentira? Com que títulos
transmitir o bem, quando ainda me reconheço arraigado ao mal? Como exaltar a
espiritualidade divina, se a animalidade grita mais alto em minha própria
natureza?
O companheiro
não formulava semelhantes perguntas por espírito de desespero ou desânimo, mas
sim pela enorme paixão do bem que lhe tomava o íntimo, a observar pela inflexão
de amargura com que sublinhava as palavras.
Entendendo-lhe
a mágoa, Jesus, falou condescendente:
— Um santo
aprendiz da Lei, desses que se consagram fielmente à Verdade, chamado pelo
Senhor aos trabalhos da profecia entre os homens, mantinha-se na profissão de
mercador de remédios, transportando ervas e xaropes curativos, da cidade para
os campos, utilizando-se para isso de um jumento caprichoso e inconstante,
quando, refletindo sobre os defeitos de que se via portador, passou a
entristecer-se profundamente. Concluiu que não lhe cabia colaborar nas revelações
do Céu, pelo estado de impureza íntima, e fez-se mudo. Atendia às obrigações de
protetor dos doentes, mas recusava-se a instruir as criaturas, na Divina Palavra,
não obstante as requisições do povo que já lhe conhecia os dotes de inteligência
e inspiração. Sentindo, porém, que a Celeste Vontade o constrangia ao desempenho
da tarefa e reparando que os seus conflitos mentais se tornavam cada vez mais
esmagadores, certa noite, depois de abundantes lágrimas, suplicou esclarecimento
ao Todo Poderoso.
Sonhou,
então, que um anjo vinha encontrá-lo em suas lides de mercador. Viu-se cavalgando
o voluntarioso jumento, vergado ao peso de preciosa carga, em verdejante
caminho, quando o emissário divino o interpelou, com bondade, em seguida às
saudações habituais:
“— Meu amigo,
sabes quantos coices desferiu hoje este animal?
“—
Muitíssimos — respondeu sem vacilação.
“— Quantas
vezes terá mordido os companheiros de estrebaria? —prosseguiu o enviado,
sorridente — quantas vezes terá insultado o asseio de tua casa e orneado
despropositadamente?
“E porque o
discípulo aturdido não conseguisse responder, de pronto, o anjo considerou:
“—
Entretanto, ele é um auxiliar precioso e deve ser conservado. Transporta
medicamentos que salvam muitos enfermos, distribuindo esperança, saúde e
alegria.
“E fitando os
olhos lúcidos no pregador desalentado, rematou:
“— Se este
jumento, a pretexto de ser rude e imperfeito, se negasse a cooperar contigo,
que seria dos enfermos a esperarem confiantes em ti? Volta à missão luminosa
que abandonaste, e, se te não é possível, por agora, servir a Nosso Pai Supremo
na condição de um homem purificado, atende aos teus deveres, espalhando
reconforto e bom ânimo, na posição do animal valioso e útil. Nas bênçãos do
serviço, serás mais facilmente encontrado pelos mensageiros de Deus, os quais,
reconhecendo-te a boa vontade nas realizações do amor, se compadecerão de ti,
amparando-te a natureza e aprimorando-a, tanto quanto domesticas e valorizas o teu
rústico, mas prestimoso auxiliar!
“Nesse
instante, o pregador viu-se novamente no corpo, acordado, e agora feliz em
razão da resposta do Alto, que lhe reajustaria a errada conduta”.
Surgindo o
silêncio, o discípulo agradeceu ao Mestre com um olhar. E Jesus, transcorridos
alguns minutos de manifesta consolação no semblante de todos, concluiu:
— O trabalho no bem é o incentivo santo
da perfeição. Através
dele, a alma de um criminoso pode emergir para o Céu, à maneira do lírio que
desabrocha para a Luz, de raízes ainda presas no charco.
Em seguida, o
Mestre pôs-se a contemplar as estrelas que faiscavam, dentro da noite, enquanto
Tadeu, comovido, se aproximava, de manso, para beijar-lhe as mãos com doçura
reverente.
Quando estamos imbuídos em praticar o bem em levarmos os ensinamentos
do Mestre a outros, explicando a boa nova que Jesus nos propôs nos seus evangelhos,
nos vemos assaltados pela certeza, que nossa consciência nos dá, de que não
temos moral para fazermos isto. Algumas vezes nos deixamos levar pela amargura
de ficarmos conscientes de nossa imperfeição moral e nos sentimos envergonhados
e hipócritas em levarmos a mensagem e praticarmos ações totalmente antagônicas
ao que pregamos resultando daí nossa desistência de fazer boas obras junto ao
próximo e com isso a situação daquele irmão que precisa vai ficar pior ainda.
Será esse o
proceder correto? Temos que lembrar sempre que o Pai não escolhe os
capacitados, mas capacita os escolhidos
e temos prova disso vendo onde Jesus foi escolher seus apóstolos, não
entre os doutos da época, mas entre os simples, humildes de bom coração.
Imaginemos, se todos pensassem assim, ao primeiro conhecimento de nossas
fraquezas, deixássemos de fazer o bem. Seria um caos, um mundo mergulhado no
mal, pois a ausência do bem, da caridade, da beneficência geraria mais mal.
Sabemos que
nos encontramos aqui, encarnados neste orbe, não por acaso, mas porque nosso
planeta além de ainda estar classificado como planetas de provas e expiações,
abriga espíritos sofredores, que ainda vivem no mal e que precisam desta escola
para progredirem, para livrarem-se de seus vícios e más tendências, aprendendo
a amar seu semelhante. Esta passagem é transitória e necessária. Deus nos
criou, para sermos felizes como espíritos puros e perfeitos em constante
comunhão com Ele, trabalhando como ajudantes na sua obra. O homem, todo ele,
seja pobre, rico, preto, branco, alto, baixo, de qualquer religião ou sem
religião busca o que? A felicidade. Mas para sermos totalmente felizes temos
que seguir a máxima de Jesus que diz: - Sede perfeitos, como perfeito é meu
pai. Sabemos que nossa perfeição é relativa e que iremos adquirindo com o
passar dos tempos aliada a nossa evolução. E o que Jesus nos ensina nesta
história é que não devemos ficar parados, inertes na prática do bem, da
caridade, que é uma ferramenta preciosa para aspirarmos a sermos perfeitos e,
por conseguinte, felizes. Uma coisa é certa, é através do trabalho que vamos
crescer. O trabalho feito com desprendimento, visando o bem ao próximo, sendo
ele da forma que se apresentar, nos faz sentirmos melhor e nos conecta com a
espiritualidade, que vai nos ajudando, conduzindo-nos nos caminhos que nos
tornam homens de bem. Se nos propomos a trabalhar, independente de nossos
conflitos íntimos, o trabalho aparece e esses conflitos vão desaparecendo.
Madre Tereza,
nos diz claramente que o incentivo cristão é a busca e a certeza que seremos
perfeitos e que estaremos, quando nos encontrarmos nessa condição em permanente
comunhão com Deus.
Jesus também nos diz nesta história, que o
incentivo cristão é a busca da perfeição através da prática do bem e mais que
só chegaremos a esta perfeição através da prática da caridade, verdadeira sem
máscaras, sem segundas intenções orientada pelo amor fraternal, aquele que o
Mestre nos ensinou.
Vamos,
portanto usar este incentivo e buscarmos nossa perfeição disseminando e
aplicando a boa nova do evangelho do Cristo.

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