O Servo Inconstante
O Servo Inconstante é uma história do Mestre, presente no livro “Jesus no Lar” de autoria de Néio Lucio, psicografado por Francisco Candido Xavier.
Á frente de todos os presentes, o Mestre narrou com simplicidade: — Certo homem encontrou a luz da Revelação Divina e desejou ardentemente habilitar-se para viver entre os Anjos do Céu.
Tanto suplicou essa bênção ao Pai que, através da inspiração, o Senhor o enviou ao aprimoramento necessário com vistas ao fim a que se propunha.
Por intermédio de vários amigos, orientados pelo Poder Divino, o candidato, que demonstrava acentuada tendência pela escultura, foi conduzido a colaborar com antigo mestre, em mármore valioso. No entanto, a breve tempo, demitiu-se, alegando a impossibilidade de submeter-se a um homem ríspido e intratável;
Transferiu-se, desse modo, para uma oficina consagrada à confecção de utilidades de madeira, sob as diretrizes de velho escultor. Abandonou-o também, sem delongas, asseverando que lhe não era possível suportá-lo.
Em seguida, empregou-se sob as determinações de conhecido operário especializado em construção de colunas em estilo grego. Não tardou, entretanto, a deixá-lo, declarando não lhe tolerar as exigências.
Logo após, entregou-se ao trabalho, sob as ordens de experimentado escultor de ornamentações em arcos festivos, mas finda uma semana, fugiu aos compromissos assumidos, afirmando haver encontrado um chefe por demais violento e irritadiço.
Depois, colocou-se sob a orientação de um fabricante de arcas preciosas, de quem se afastou, em poucos dias, a pretexto de se tratar de criatura desalmada e cruel.
E, assim, de tarefa em tarefa, de oficina em oficina, o aspirante ao Céu dizia, invariavelmente, que lhe não era possível incorporar as próprias energias à experiência terrestre, por encontrar, em toda parte, o erro, a maldade e a perseguição nos que o dirigiam, até que a morte veio buscá-lo à presença dos Anjos do Senhor. Com surpresa, porém, não os encontrou tão sorridentes quanto aguardava. Um deles avançou, triste, e indagou: — Amigo, por que não te preparaste ante os imperativos do Céu? 14 O interpelado que identificava a própria inferioridade, nas sombras em que se envolvia, clamou em pranto que só havia encontrado exigência e dureza nos condutores da luta humana. O Mensageiro, no entanto, observou, com amargura: — O Pai chamou-te a servir em teu próprio proveito e, não, a julgar. Cada homem dará conta de si mesmo a Deus. Ninguém escapará à Justiça Divina que se pronuncia no momento preciso. Como pudeste esquecer tão simples verdade, dentro da vida? O malho bate a bigorna, o ferreiro conduz o malho, o comerciante examina a obra do ferreiro, o povo dá opinião sobre o negociante, e o Senhor, no Conjunto, analisa e julga a todos. Se fugiste a pequenos serviços do mundo, sob a alegação de que os outros eram incapazes e indignos da direção, como poderás entender o ministério celestial? E o trabalhador inconstante passou às conseqüências de sua queda impensada.
Jesus fez uma pausa e concluiu: — Quem estiver sob o domínio de pessoas enérgicas e endurecidas na disciplina, excelentes resultados conseguirão recolher se souber e puder aproveitar-lhes a aspereza, inspirando-se na madeira bruta ao contacto da plaina benfeitora. Abençoada seja a mão que educa e corrige, mas bem aventurado seja aquele que se deixa aperfeiçoar ao seu toque de renovação e aprimoramento, porque os mestres do mundo sempre reclamam a lição de outros mestres, mas a obra do bem, quando realizada para todos, permanece eternamente.
As lições do Mestre, são atemporais e cheias de ensinamentos e interpretações das mais diversas. É o caso dessa pequena história, que mostra a inconstância do servo, que mesmo querendo viver entre os Anjos do Céu, sempre atentava para os defeitos dos empregadores, acusando-os da sua inconstância e impossibilidade de aperfeiçoar-se. Em suma, sob seu julgamentos, todos eram errados, perversos, ditadores e quando a morte veio buscá-lo, caiu em si, ao ver que se fez juiz dos outros ao invés de si mesmo.
Sob a ótica do espiritismo vamos aprofundar a interpretação dessa história, primeiramente nos perguntando quem é o servo inconstante?
Concluimos que o servo somos todos nós encarnados nesse planeta de provas e expiações. Somos nós, que cheios de imperfeições, estamos sempre pedindo ao Pai novas oportunidades para cumprirmos nossas provas e expiações, buscando a angelitude, tal como o servo da história. E Deus, usando de sua bondade e justiça infinita nos cede novas e infinitas oportunidades na pluralidade de reencarnações, como os diversos empregos do servo, onde nunca estamos sozinhos abandonados a mercê do acaso, mas sim guardados por anjos-de-guarda e espíritos simpáticos ao nosso sucesso espiritual.
Mas somos falhos e incontáveis vezes somos reincidentes nos mesmos erros, porque ainda permeia entre nós encarnados e também desencarnados, o Orgulho e o Egoísmo e esses dois males, nos cegam a visão e o entendimento de que tudo está no lugar e na hora certa.
Que nosso Pai Celestial, conhece a todos e a tudo no universo e como um pai zeloso sabe o que precisamos para nossa evolução espiritual, seja prova, expiação, premiação ou corretivo e que fique bem claro que isso não é castigo, mas consequência do que fizemos nessa ou em vidas passadas quando do uso de nosso livre arbítrio.
As diversas encarnações não são para serem julgadas, pois se bem aprendidas, nos geram boas virtudes, tais como paciência, aceitação, resiliência, humildade, empatia, amor, prática da caridade, da benevolência e da misericórdia.
Só a Deus cabe julgar. Jesus nos ensina “atire a primeira pedra, aquele que estiver sem pecados”, até porque se formos julgar, por sermos ignorantes e não termos a visão além da vida presente iremos incorrer em erro e não seremos nem bons nem justos.
Quando no processo encarnatório nos virmos às mãos de pais, patrões, chefes, companheiros, déspotas, ásperos, recalcados, agradeçamos a oportunidade que nos é dada para nos reformarmos e sermos verdadeiramente cristãos, usando e abusando da indulgência e do perdão, pois quem sabe, com nossas atitudes conseguiremos tocar esse irmão, que poderá ser ao invés de um desafeto, ser mais um amigo, mais um irmão.
Segundo o renomado expositor espirita Nazareno Feitosa: - “todo irmão que nos faz chorar é o nosso personal trainer do amor”.
E ao procedermos aceitando a todos como irmãos nossa estada nessa vida, além de ficar mais leve, nos preparará para uma outra vida futura melhor.

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