Exposição: A CARIDADE DESCONHECIDA
Ensinamentos do Cristo presentes no livro “Jesus no Lar”, capítulo 20, escrito por Francisco Candido Xavier, ditado pelo espírito Néio Lúcio.
TEXTO:
A conversação em casa de Pedro versava nessa noite, sobre a prática do bem, com viva colaboração verbal de todos.
Como expressar a compaixão, sem dinheiro? Por que meios incentivar a beneficência, sem recursos monetários? Com essas interrogativas, grandes nomes da fortuna material eram invocados e a maioria inclinava-se a admitir que somente os poderosos da Terra se encontravam à altura de estimular a piedade ativa, quando o Mestre interferiu opinando, bondoso.
- Um sincero devoto da Lei foi exortado por determinações do céu ao exercício da beneficência; entretanto, vivia em extrema pobreza e não podia, de modo algum, retirar a mínima parcela de seu salário para socorro aos semelhantes. Em verdade, dava de si mesmo, quanto possível, em boas palavras e gestos pessoais de conforto e estímulo a quantos se achavam em sofrimento e dificuldade, porém, magoava-lhe o coração a impossibilidade de distribuir agasalho e pão com os andrajosos e famintos à margem de sua estrada.
Rodeado de filhinhos pequeninos, era escravo do lar que lhe absorvia o suor.
Reconheceu, todavia, que, se lhe era vedado o esforço na caridade pública, podia perfeitamente guerrear o mal, em todas as circunstâncias de sua marcha pela Terra.
Assim é que passou a extinguir, com incessante, atenção, todos os pensamentos inferiores que lhe eram sugeridos; quando em contato com pessoas interessadas na maledicência, retraia-se, cortês, e, em respodendo a alguma interpelação direta, recordava essa ou aquela pequena virtude da vítima ausente; se aguém diante dele, dava pasto à cólera fácil, considerava a ira como enfermidade digna de tratamento e recolhia-se à quietude; insultos alheios batiam-lhe no espírito à maneira de calhaus em barril de mel, porquanto, além de não reagir, prosseguia tratando o ofensor com a fraternidade habitual; a calúnia não encontrava acesso em sua alma, de vez que toda denúncia torpe se perdia, inútil, em seu grande silêncio; reparando ameaças sobre a tranquilidade de alguém, tentava desfazer as nuvens da incomprensão, sem alarde, antes que assumissem feição tempestuosa; se alguma sentença condenatória bailava em torno do próximo, mobilizava espontâneo, todas as possbilidades ao seu alcance na defesa delicada e imperceptível; seu zelo contra a incursão e a extenção do mal era tão fortemente minucioso que chegava a retirar detritos e pedras da via pública, para que não oferecessem perigo aos transeuntes.
Adotando essas diretrizes, chegou ao termo da jornada humana, incapaz de atender às sugestões da beneficência que o mundo conhece. jamais pudera estender uma tigela de sopa ou ofertar uma pele de carneiro aos irmãos necessitados.
Nessa posição, a morte buscou-o ao tribunal divino, onde o servidor humile compareceu receoso e desalentado. Temia o julgamento das autoridades celestes, quando, de improviso, foi aureolado por brilhante diadema, e, porque indagasse, em lágrimas, a razão do inesperado prêmio, foi informado de que a sublime recompensa se referia à sua triunfante posição na guerra contra o mal, em que se fizera valoroso empreiteiro.
Fixou o Mestre nos aprendizes o olhar percuciente e calmo e concluiu, em tom amigo:
- Distribuamos o pão e a cobertura, acendamos luz para a ignorância e intensifiquemos a fraternidade aniquilando a discórdia, mas não nos esqueçamos do combate metódico e sereno contra o mal, em esforço diário, convictos de que, nessa batalha santificante, conquistaremos a divina coroa da caridade desconhecida.
REFLEXÕES: Caridade, pequena palavra composta de quatro sílabas, transbordando de significados, para ser aplicada como ferramenta principal, fundamental, no nosso dia-a-dia, em todas ocasiões. A Caridade é a estrada que conduz todos nós a perfeição, pois pela caridade, além de promovermos a beneficência aos desvalidos, pela sua prática desenvolvemos todas as virtudes inerentes a palavra amor, tais como: a misericórdia, a piedade e o amor fraterno por todos.
Muito embora o Mestre nos tenha ensinado e exemplificado a prática da caridade, ainda não o fazemos como deveria ser feita.
Acreditamos que basta doarmos bens materiais de consumo, que estaremos sendo caridosos.
Não que a caridade material não seja necessária, ela é e muito, pois alimenta o necessitado com fome, veste aquele com frio abriga aquele sem teto. Mas ser caridoso é muito mais que isso, além da doação daquilo que nos sobra, também a doação daquilo que não nos sobra, mas que podemos dividir.
Mais ainda, é doar-se com a prática da caridade moral.
Isto quer dizer que a verdadeira caridade é praticada com benevolência, branda, humilde, com misericórdia, sem preconceitos, nem julgamentos, mas com amor considerando a todos como irmãos, sendo fraternos em todas ocasiões.
Jesus nos diz que a caridade, pode ser praticada a todo momento, junto de nossos familiares, em nossas casas, nos nossos locais de trabalho, nas horas de dor, lazer, de tristezas, de alegrias.
Se olharmos o próximo com atenção, veremos o quanto podemos ajudar, seja provendo de bens materiais, seja com um olhar, um afago, uma palavra ou um ombro amigo. As vezes até o silêncio se torna caridade, quando calados ouvimos os queixumes daquele que desabafa sua dor.
O texto também mostra a prática da caridade pelo cidadão preocupado com o que possa acontecer com aqueles que convivem no mesmo espaço, na mesma rua, na mesma cidade e esse exemplo de cidadania é caridade, porque está imbuida de sentimento fraternal.
No Evangelho Segundo o Espiritismo, lá está no Cap.XIII, a máxima do Cristo, “Não saiba a vossa mão esquerda o que dá a vossa mão direita”, e este conselho é para a prática da caridade mantendo, se for posível o anonimato.
Esta é a mensagem central do texto, a ocultação da mão que dá, fazendo a beneficência sem ostentação, evitanto o constrangimento daquele que pede, ou recebe.
Mas para que a caridade seja autentica e desconhecida, não pode ter a falsa modéstia. Aquela que deixa que apareça um pedacinho do que fez afim de ter o ego massageado e o orgulho inflado. Ao invés de ter agradecimentos pelo seu serviço, cai logo no esquecimento e pior, as lágrimas que deveria secar, por vaidade, caem no coração do aflito e o fazem sofrer mais ainda.
Não nos esqueçamos da lei natural, também uma lei de física: a cada ação corresponde uma reação, e este que assim procede sofrerá, não por castigo, pois Deus não castiga ninguém, mas por consequência de seus atos.
A caridade desconhecida é possuidora de dois méritos. Além de ser caridade material é também caridade moral, pois resguarda o amor próprio do beneficiado evitando que se sinta humilhado.
Neste momento, até as palavras para ofertar a doação, se caridosas, tem que ser brandas e afáveis e essa caridade fica totalmete sublimada, quando o benfeitor acha meios de figurar como beneficado diante daquele que presta o serviço.
Em suma, a prática dos ensinamentos e do exemplos dados pelo Mestre, nos faz concluir que o evangelho do Cristo é todo ele uma exortação à caridade, pois se obervarmos em toas párabolas, em todos os ditos em todos os atos, lá está, se não de forma explícita, está sublimada, mas com certeza está.
O espiritismo faz da caridade a sua bandeira, o seu alicerce, quando exemplo do mestre diz: “Fora da caridade, não há salvação”.
Devemos observar estas palavras que são um convite e fazer deste o nosso lema também, afinal somos espíritas e Cristãos e devemos diariamente praticar a caridade, até que se torne um proceder corriqueiro em nossas vidas, que vai nos levar a perfeição e consequentemente a felicidade eterna.

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