terça-feira, 20 de dezembro de 2022

A LIÇÃO DO ESSENCIAL


 

A LIÇÃO DO ESSENCIAL


  Hoje daremos continuidade ao estudo do livro “Jesus no Lar”, psicografado por Francisco Cândido Xavier, ditado pelo espirito Néio Lúcio.  

  Este livro narra os ensinamentos do Mestre em singelas histórias, proferidas na casa de Simão Pedro, quando na prática do evangelho do lar, para tanto vamos ver o capítulo 44 do referido livro com o tema:   

 

A Lição do Essencial 

  

 

Discorriam os discípulos, entre si, quanto às coisas essenciais ao bem-estar, quando o Senhor, assumindo a direção dos pensamentos em dissonância, acrescentou:  

— É indispensável que a criatura entenda a própria felicidade para que se não transforme, ao perdê-la, em triste fantasma da lamentação. Longe das verdades mais simples da Natureza, mergulha-se o homem na onda pesada de fantasiosos artifícios, exterminando o tempo e a vida, através de inquietações desnecessárias. E, como quem recordava incidente adequado ao assunto, interrompeu-se por alguns instantes e retomou a palavra, comentando:  

— Ilustre dama romana, em companhia dum filhinho de cinco anos, dirigia-se da cidade dos Césares para Esmirna, em luxuosa galera de sua pátria. Ao penetrar na embarcação, fizera-se acompanhar de dois escravos, carregados de volumosa bagagem de jóias diferentes: colares e camafeus, braceletes e redes de ouro, adornados com pedrarias, revelavam-lhe a predileção pelos enfeites raros. Todo o pessoal de serviço inclinou-se, com respeito, ao vê-la passar, tão elevada era a expressão do tesouro que trazia para bordo.  

Tão logo se fez o barco ao mar alto, a distinta senhora converteu-se no centro das atenções gerais. Nas festas de cordialidade era o objetivo de todos os interesses pelos adornos brilhantes com que se apresentava.  

A excursão prosseguia tranquila, quando, em certa manhã ensolarada, apareceu o imprevisto. O choque em traiçoeiro recife abre extensa brecha na galera e as águas a invadem. Longas horas de luta surgem com a expectativa de refazimento; entretanto, um abalo mais forte leva o navio a posição irremediável e alguns botes descidos são colocados à disposição dos viajantes para os trabalhos de salvamento possível.  

A ilustre patrícia é chamada à pressa.  

O comandante calcula a chegada a porto próximo em dois dias de viagem arriscada, na hipótese de ventos favoráveis.  

A jovem matrona abraça o filhinho, esperançosa e aflita. Dentro em pouco ela atinge o pequeno barco de socorro, sustentando a criança e pequeno pacote em que os companheiros julgaram trouxesse as jóias mais valiosas. Todavia, apresentando o conteúdo aos poucos irmãos de infortúnio que seguiriam junto dela, exclamou:  

— “Meu filho é o que possuo de mais precioso e aqui tenho o que considero de mais útil. O insignificante volume continha dois pães e dez figos maduros, com os quais se alimentou a reduzida comunidade de náufragos, durante as horas aflitivas que os separavam da terra firme. O Mestre repousou, por alguns segundos, e acrescentou: 

— A felicidade real não se fundamenta em riquezas transitórias, porque um dia sempre chega em que o homem é constrangido a separar-se dos bens exteriores mais queridos ao coração. Os loucos se apegam a terras e moinhos, moedas e honras, vinhos e prazeres, como se nunca devessem acertar contas com a morte. O espírito prudente, porém, não desconhece que todos os patrimônios do mundo devem ser usados para nosso enriquecimento na virtude e que as bênçãos mais simples da Natureza são as bases de nossa tranquilidade essencial. Procuremos, pois, o Reino de Deus e sua justiça, tomando à Terra o estritamente necessário à manutenção da vida física e todas as alegrias ser-nos-ão acrescentadas. 

 

 

  Desde os tempos imemoriais, qual a eterna busca do homem? 

  A felicidade! 

  E onde está essa felicidade? 

  E o que é a felicidade? 

  Para podermos responder esses questionamentos temos que partir da ação de descobrirmos quem somos.

  Às vezes passamos a vida inteira sem sabermos quem somos no íntimo, quais nossas qualidades, nossos defeitos, nossos desejos e com isso não sabemos responder o que queremos, o que de fato queremos e ficamos iludidos no nosso desconhecimento e ficamos “navegando” num mundo de utopias, que nunca vão se realizar, por não sabermos focar o que é essencial para nossas vidas. 

  Vivemos tempos difíceis, em plena ebulição da passagem do orbe de planeta de provas e expiações para planeta de regeneração, onde o mal se contorce para que continuemos estacionados nesse plano onde o mal encontra eco e então nos vimos cercados de pandemias, guerras, violência de todas espécies e o pior a supervalorização do mundo material, do mundo físico, onde importa o ter e não o ser. 

  Somos influenciados pelo consumismo aliado ao orgulho e ao egoísmo a sermos os mais bonitos, a ter as melhores roupas, carros, casas, conforto supérfluo, a termos a posse de melhores parceiros e parceiras.

  E mais, conduzimos nossos filhos nesse sentido, almejando, serem bem sucedidos, ricos se for possível.

  E nesses objetivos colocamos a palavra felicidade, achando que só quem tem um ótimo emprego. uma casa espetacular, um carro do ano é que pode ser feliz.

  Mas, se observarmos com atenção que os bem sucedidos materialmente, também sofrem, também tem decepções, também cometem suicídios, também são infelizes, na maioria das vezes até mais que os pobres, pois vivem atormentados com a ganância, o egoísmo e o orgulho.

  Em suma vivemos correndo atrás dos bens terrenos, esquecendo-nos que nossa vida como encarnados é fugaz, uma vez, que se resume numa viagem do berço ao túmulo, durando uma média de oitenta anos. E o que é oitenta anos frente a eternidade, nada.

  Diz a música: “Que a vida é trem-bala parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”

  Concluímos então, que temos a infeliz tendência de colocarmos o essencial, para nós, nos lugares errados, ou seja, ficamos priorizando a vida terrena e esquecemos que tudo que nos é dado, pelo Pai Celestial, é um empréstimo, para que sejamos bem sucedidos nessa encarnação, praticando a caridade, seguindo o exemplo e os ensinamentos do Mestre, mas que ao desencarnarmos, não levamos nada carros, casas, terrenos, até o corpo físico fica e teremos que dar conta do que fizemos com nossas vidas e com a do próximo.

  Aí sim, ficaremos sabendo se soubemos ou não descobrir o que é essencial.

  Então a felicidade é um estado da alma, essencial, espiritual, logo, não é na matéria que iremos encontrá-la.

  Jesus nos fala nessa história, que todos os patrimônios do mundo devem ser usados para nosso enriquecimento na virtude e que as bênçãos mais simples da Natureza são as bases de nossa tranquilidade essencial.

  Entendemos que a observância naquilo que não é supérfluo, é o essencial e necessário para a nossa vida como encarnados e vivendo assim iremos construindo uma vida coroada de amor, fraternidade, perdão, benevolência e quando tivermos cumpridos nossa jornada reencarnatória, poderemos partir com a consciência tranquila na certeza, que fizemos o melhor.

  Que nesse natal, agradeçamos ao aniversariante, Jesus, por tudo que fez e faz por nós, conduzindo-nos para o entendimento do que é verdadeiramente essencial e consequentemente para a nossa felicidade.

  

 

 

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