terça-feira, 8 de novembro de 2022

O VENENOSO ANTAGONISTA


 

 

O VENENOSO ANTAGONISTA

 

  

  Dando continuidade ao estudo do livro Jesus no Lar, psicografado por Francisco Candido Xavier, ditado pelo espírito Néio Lúcio, vamos ver hoje o texto do capítulo 40, denominado O Venenoso Antagonista.

  Convém lembrarmos que este livro é repleto de estórias contadas nas reuniões em casa de Simão Pedro, onde Jesus, por meio delas ensinava e fazia o Evangelho no Lar.

 

  Como foi dito, em determinada noite, refrescada de brisas cariciantes, Filipe, de mãos calejadas, falou das angústias que lhe povoavam a alma, com tanta emotivida e amargura que aflitivas notas de dor empolgaram a assembléia. E interpelado pelo respeitoso carinho de Pedro, que voltou a tanger o problema das tentações, o Mestre contou, pausadamente:

 

 

O Senhor, Nosso Pai, precisou de pequeno grupo de servidores numa cidade revoltada e dissoluta e, para isso, localizou no centro dela uma família de cinco pessoas, pai, mãe e três filhos que o amavam e lhe honravam as leis sábias e justas. Aí situados, os felizes colaboradores começaram por servi-lo, brilhantemente. Fundaram ativo núcleo de caridade e fé transformadora que valia por avançada sementeira de vida celeste; e tanto se salientaram na devoção e na prática da bondade que o Espírito das Trevas passou a mover-lhes guerra tenaz. A princípio, flagelou-os com os morcegos da maledicência; todavia, os servos sinceros se uniram na tolerância e venceram. Espalhou ao redor deles, logo após, as sombras da pobreza; contudo, os trabalhadores dedicados se congregaram no serviço incessante e superaram as dificuldades. Em seguida, atormentou-os com as serpentes da calúnia; entretanto, os heróis desconhecidos fizeram construtivo silêncio e derrotaram o escuro perseguidor. Depois de semelhantes ataques, o Gênio Satânico modificou as normas de ação e enviou-lhes os demônios da vaidade, que revestiram os servos fiéis do Senhor de vastas considerações sociais, como se houvessem galgado os pináculos do poder de um momento para outro; entretanto, os cooperadores previdentes se fizeram mais humildes e atribuíam toda a glória que os visitava ao Pai que está nos Céus. Foi então que os seres escarninhos e perversos encheram-lhes a casa de preciosidades e dinheiro, de modo a entorpecer-lhes a capacidade de trabalhar; mas o conjunto amoroso, robustecido na confiança e na prece, recebia moedas e dádivas, passando-as para diante, a serviço dos desalentados e dos aflitos. Exasperado, o Espírito das Trevas mandou-lhes, então, o Demônio da Tristeza que, muito de leve, alcançou a mente do chefe da heróica família e disse-lhe, solene: — És um homem, não um anjo... Não te envergonhas, pois, de falar tão insistentemente no Senhor, quando conheces, de perto, as próprias imperfeições? Busca, antes de tudo, sentir a extensão de tuas fraquezas na carne!... Chora teus erros, faze penitência perante o Eterno! Clama tuas culpas, tuas culpas!... Registrando a advertência, o infeliz alarmou-se, esqueceu-se de que o homem só pode ser útil à grandeza do Pai, através do próprio trabalho na execução dos celestes desígnios e, entristecendo-se profundamente, acreditou-se culpado e criminoso para sempre, de maneira irremediável. Desde o instante em que admitiu a incapacidade de reerguimento, recusou a alimentação do corpo, deitou-se e, decorridos alguns dias, morreu de pesar. Vendo-o desaparecer, sob compacta onda de lamentações e lágrimas, a esposa seguiu-lhe os passos, oprimida de inominável angústia, e os filhos, dentro de algumas semanas, trilharam a mesma rota. E assim o venenoso antagonista venceu os denodados colaboradores da crença e do amor, um a um, sem necessidade de outra arma que não fosse pequena sugestão de tristeza. Interrompeu-se a palavra do Mestre, por longos instantes, mas nenhum dos presentes ousou Intervir no assunto. Sentindo, assim, que os companheiros preferiam guardar silêncio, o Divino Amigo concluiu expressivamente: — Enquanto um homem possui recursos para trabalhar e servir com os pés, com as mãos, com o sentimento e com a inteligência, a tristeza destrutiva em torno dele não é mais que a visita ameaçadora do Gênio das Trevas em sua guerra desventurada e persistente contra a luz.

 

 

 

  Esta singela estória contada pelo Mestre nos parece pueril, a princípio, mas é de uma profundidade absurda, sem contar sua atemporalidade, sendo aplicada, seus ensinamentos a todas as épocas.

  Começa, então, dizendo que Deus, nosso pai, precisa de nós para disseminarmos o bem, para semearmos a fé, a caridade, a benevolência e assim somos ferramentas para construção de um mundo fraterno e feliz.

  Mas, para tanto iremos encontrar como antagônicos ao bem, a inveja, o orgulho, o egoísmo que terão como armas a maledicência, a sombra da pobreza, a calúnia, a vaidade, a riqueza.

  Todo este conjunto é uma das faces do mal e o mal, quando ataca o faz na surdina, arquitetando planos, para explorar nossas fraquezas.

  Por exemplo: a maledicência e a calúnia são silenciosas e vão minando o que pensam e o que falam de nós.

  Por sua vez a vaidade, a pobreza, a riqueza, o orgulho e o egoísmo nos aprisionam em nós mesmos e num mundo materialista, onde importa o ter e não o ser.

  Jesus, com sua sabedoria conclui nesta estória, o pântano que é a TRISTEZA.

  Tristeza, palavra que combina com estar sem alegria, esmorecido, com falta de alegria, com o desânimo, prevalecendo no coração e nos atos.

  Sim sabemos, que por vezes ficamos tristes, com a perda de um ente querido, com um, desamor, com o desemprego, com uma doença, por vezes incurável e é normal derramarmos lágrimas, ficarmos um pouco perdidos, mas não podemos esquecer, que estamos num planeta escola e que tudo é passageiro, e a função das dores, não é castigo, mas decorrências de vidas passadas e atos da presente vida que servem como lições para o novo porvir na espiritualidade e na nossa evolução.

  Devemos nos conscientizar, como diz o renomado palestrante Haroldo Dutra, que temos que começar a pensar como espíritos imortais a caminho da perfeição e da felicidade plena e que a vida não consiste no caminho do berço ao túmulo. É muito mais que isso. Somos a soma de muitas reencarnações e seremos muito mais ainda.

  A tristeza é pois, uma doença da alma, que nos infringe danos também no corpo e no psiquismo, sendo por vezes carregada por nós para outras encarnações impregnadas no nosso perispirito, levando-nos a cometer desatinos, tais como o suicidio direto e indireto.

  O segredo para não entrarmos na vibe da tristeza é não cultuarmos a tristeza. É não curtir como se fosse legal entrar na fossa. Ficamos tristes, mas não damos importância capital a tristeza como se não houvesse mais nada no mundo.

  Se procedermos assim, vamos criando um campo magnético e vamos imantando tudo de ruim, espiritual e material.

  Quando nos deixamos envolver por essa tristeza infinta, desenvolvemos a auto piedade, que nos puxa mais para baixo ainda, sem contar que nosso campo vibratório vai ao encontro daqueles que estão desencarnados vibrando também nesse campo e que possívelmente ficaremos sintonizados criando uma obsessão.

  Para não entrarmos nessa ciranda é importante que observemos o conselho do mestre Orai e Vigiai, orar por aqueles que querem nos infringir a tristeza e vigiar nossas atitudes, nossos pensamentos, não alimentando a tristeza, para que ela não cresça e se torne um monstro que irá nos devorar.

  È no trabalho, seja ele qual for que iremos encontrar forças para vencer a tristeza. Ocupar-se é o segredo! Ocupar-se com o trabalho, com o trabalho no bem, ajudando o próximo, não ficando na ociosidade, assim não teremos nem tempo, nem disposição para ficarmos tristes, muito pelo contrário teremos sempre um sorriso certos de que tudo passa e que Deus sempre zela por nós.

 

 

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