CONFORME O AMOR
Vamos dar prosseguimento ao estudo do livro “Pão Nosso”, psicografado por Francisco Cândido Xavier e ditado pelo espírito Emmanuel e para tanto o tema de hoje está no capítulo 83 sob o título “Conforme o Amor”.
Emmanuel vai refletir,
neste tema sobre o Versículo 14:15 da Epístola de Paulo aos Romanos que nos
diz:
“Mas, se por causa
do teu alimento, se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não
destruas por causa da tua comida aquele por quem o Cristo morreu”.
Para entendermos melhor
esse Versículo temos que lembrar a época em que Paulo escreveu, bem como as
normas e os dogmas do Judaísmo.
Sabemos que na religião
dos judeus, o Judaísmo, havia a vertente dos judeístas que diziam, que para
serem seguidores do judaísmo, o judeu deveria seguir fielmente os rituais, a
forma e os dogmas da religião sem qualquer opinião ou ato contrário.
Entre tantas normas e
dogmas estavam os referentes a comida, que consideravam algumas impuras,
ficando proibido o consumo das mesmas e também mais anteriormente as carnes
sacrificadas no Templo.
Paulo sofreu muito
tentando dissuadir a todos de dogmas, que não tinham razão de ser, pois não
acrescentavam nada a moral ensinada e exemplificada pelo Cristo e por essa
razão foi muito perseguido.
Se observarmos
atentamente, Paulo nos fala aqui sobre renúncia, empatia e responsabilidade
moral.
Emmanuel indo mais fundo
na reflexão das palavras de Paulo, nos convida a perceber que não basta termos
razão, se nossas atitudes, mesmo justificáveis, causam dor ou escândalo ou
outro, devemos reconsiderá-las á luz do amor cristão.
Na maioria das vezes,
quando nos deparamos com situações em que temos razão, sobre nossas opiniões
sobre o outro, ou sobre seu comportamento, vestimos a toga de juiz e julgamos,
dando a sentença e até espalhando o erro deste á todos sem levarmos em
consideração o quanto ele irá sofrer e pior ao agirmos assim demonstramos, o
orgulho orientando nossos atos e pensamentos, além de estarmos faltando com
amor, empatia e caridade.
Em muitos momentos, mesmo
estando certos, temos que avaliar se não é melhor ser feliz do que ter razão.
Se somos espíritas e
cristãos, nessas horas temos que usar dos ensinamentos e exemplos do Mestre á
respeito de perdão, aceitação, amor e caridade.
Neste texto o alimento
citado por Paulo pode ser interpretado de forma literal ou simbólica:
Literalmente,
refere-se a costumes alimentares que geravam escândalo entre judeus e gentios.
Simbolicamente,
representa tudo que é nosso hábito, nossa liberdade pessoal, nossas escolhas,
que podem influenciar ou ferir o próximo.
Emmanuel destaca que agir
“conforme o amor” é pensar no outro, é ponderar:
- “Mesmo tendo o direito
de fazer isso será que estou ferindo meu irmão “
- “Minha liberdade está
sendo usada com caridade “
O amor nos convida a
delicadeza moral, à compreensão e renúncia, quando necessário.
Somos muitas vezes,
referência para alguém, mesmo sem perceber.
Emmanuel nos lembra que
nosso exemplo fala mais alto que nossas palavras.
Se nossa conduta fere ou
confunde não estamos agindo conforme o amor.
O amor não exige que
abramos mão de nossa verdade, mas que saibamos vivê-la com humildade.
“Conformar-se ao amor” é
avaliar cada gesto sob os preceitos da caridade, da paciência, da tolerância.
É mais importante
preservar a paz do que impor a razão.
Entendendo a mensagem de
Paulo e a reflexão de Emmanuel vamos usar nossa maturidade espiritual e com
responsabilidade falando e fazendo a verdade, mas com caridade, tenhamos olhos
atentos a dor alheia, ajustando nossos atos “conforme o amor”, lembrando que
Jesus nunca impôs. Ele compreendia, acolhia e educava pelo exemplo.
Que munidos de coragem
saibamos renunciar ao que magoa, ainda que tenhamos razão vivendo com
liberdade, mas com fraternidade.

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