SEGUNDO
A CARNE
Dando continuidade ao
estudo do livro “Pão Nosso” psicografado por Francisco Candido Xavier e ditado
pelo espírito Emmanuel, vamos ver o capítulo 78 com o tema
intitulado “Segundo a carne”.
Emmanuel começa este
texto, fazendo uma profunda reflexão sobre a natureza humana e os desafios da
jornada terrena através da interpretação de uma citação de Paulo, que se
encontra em Romanos capítulo 8, versículo 13, que diz:
“Porque se
viverdes segundo a carne, morrereis”.
Vivemos num mundo de
imenso apelo material, onde temos valorizado por demais o Ter em vez do Ser.
Os valores se acham subvertidos, onde se dá
valor aquele que tem poder de mando, que tem posses, posição social, beleza
física, inúmeros seguidores em redes sociais.
Existe uma sofreguidão em
se “curtir a vida adoidado”, como se tivéssemos uma única e ser feliz é viver
segundo a carne.
Deus em sua bondade
infinita tem enviado inúmeras oportunidades e caminhos para nos
conscientizarmos que somos espíritos vestidos de carne.
Assim sabemos que o corpo
que nos serve a alma tem prazo curto de validade, que vai do berço ao túmulo e
que ao regressarmos a pátria espiritual, nada levamos.
Na mala as coisas da
matéria não nos servem de nada, quando formos desencarnados.
Só aquilo que diz
respeito a nossa espiritualidade tem valor.
Levamos todas as
virtudes, mas também vícios, más tendências, as boas e más ações que
praticamos.
Os verbos amar, perdoar,
ajudar e a prática da caridade é que vão nos abrir para uma nova reencarnação
com provas e expiações cada vez menos sofridas.
Ou seja, o que importa é
viver segundo o espírito, para que nossa evolução seja sempre num crescendo.
Com isto não queremos
dizer que devemos ignorar a carne, não longe disto, pois precisamos deste corpo
para nossas provas e expiações, neste mundo de provas e expiações, em que nos
encontramos, portanto, temos que viver como encarnados inseridos no contexto da
carne, contudo, não devemos dar demasiada importância ao mundo material.
Neste texto Emmanuel
destaca a ilusão da vida material, onde muitos se perdem buscando os prazeres
efêmeros da carne e isto faz com que a visão da alma fica obscurecida e,
portanto, impedida de perceber a verdadeira essência da matéria.
A vida de um encarnado,
agindo assim, é apenas uma série de acontecimentos vazios e que as limitações
em todo o movimento, acontecimento, vontade será sempre um fantasma incessante.
Que em virtude das noções
negativas, será como ter o cérebro esmagado, encontrando-se com a morte, a cada
passo uma vez que ele não dá o real valor para vida espiritual, não cultiva a
espiritualidade que a vida fugaz está com o tempo es esvaindo.
Os desejos e impulsos são
os laços da carne que nos aprisionam no mundo material.
Os vícios, as paixões
desenfreadas, o egoísmo, a vaidade impedem nossa evolução espiritual.
Sendo assim, não conta
com a benção do amor, uma vez que acredita de que os laços afetivos são meros
acidentes no mecanismo dos desejos eventuais.
Na verdade, nem conhece o
verdadeiro amor, aquele que transcende a carne, e assim, não ama e nem é amado.
Quando a grande mestra
chamada Dor, que é a benfeitora e conservadora do mundo se lhe apresenta, é
intolerável e na maioria das vezes é encarada como um sofrimento injusto e na
maioria das vezes exclama revoltado: - Porque eu!
Emmanuel nos apresenta a
dor como uma alavanca para o despertar da consciência.
Através da dor somos
impulsionados a questionar nossos valores, a buscar um sentido mais profundo
para a vida e a desenvolver compaixão e empatia.
Emmanuel nos fala também
sobre a disciplina onde aprendemos a controlar nossos impulsos, a cultivar
hábitos saudáveis e a trilhar o caminho do bem.
Para quem vive segundo a
carne, a disciplina é encarada como uma prisão e prestar serviços aos
semelhantes é encarado como pesada humilhação.
Para Emmanuel a disciplina
é farol que nos guia na jornada do autoconhecimento e transformação.
Outra grande dificuldade
de quem vive sob o jugo da carne, é a prática do perdão.
Não perdoa, não sabe
renunciar, dói ceder em favor de alguém, mesmo estando com razão (preferindo
ter razão do que ser feliz).
É tão intransigente que
não perdoa nem a si mesmo e quando perdoa o próximo exige um pagamento.
Jesus nos ensinou em seu
evangelho, que antes de entrares em teu quarto intimo para orar, reconcilia-te
antes com teu próximo.
O perdão é antes de tudo
um ato de amor.
Para concluir fica
evidente, que viver segundo a carne é uma existência egoísta, que se resume do
berço ao tumulo e pior independente de ótima condição social, e de todos os
bens materiais que possa ter, no final a conclusão é de um grande vazio, uma
tristeza incompreensível que a falta de espiritualidade faz.
Temos que ter consciência
que somos espíritos imortais, trajando um corpo de carne, num mundo material,
de provas e expiações, para expiar, provar, resgatar e aprender, para
evoluirmos para outro patamar e que essa vida e as outras que se seguirem
enquanto estivermos encarnados é transitória e viver segundo a carne é não ver
que a vida é um presente divino, uma oportunidade para o aprendizado, o
crescimento e a felicidade.
Ao celebrarmos a vida em
sua plenitude reconhecemos a beleza e a grandiosidade da criação e nos
conectamos com a nossa essência divina.

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